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Mercado dá corte de juros como certo e vê questão fiscal como obstáculo

A aposta de que o Copom (Comitê de Política Monetária) continuará reduzindo os juros nesta quarta-feira (5) se consolidou entre os economistas

Mercado dá corte de juros como certo e vê questão fiscal como obstáculo para

A aposta de que o Copom (Comitê de Política Monetária) continuará reduzindo os juros nesta quarta-feira (5) se consolidou entre os economistas. Depois que os indicadores mostraram recuo da inflação e moderação da atividade econômica, o mercado financeiro passou a dar como certo outro corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica (Selic), para 14% ao ano. A aposta nesse percentual para os juros foi unânime entre 30 instituições consultadas pela Bloomberg.

A evolução favorável do cenário econômico também fez perder força a expectativa de que essa queda seja a última antes de uma pausa no ciclo de redução da Selic. Mas, quanto aos próximos passos do Banco Central, a convicção é menor entre os analistas, que veem a questão fiscal como principal obstáculo para as futuras decisões do colegiado. Os economistas ouvidos pela Folha dizem também esperar ajustes na comunicação do Copom após ruídos provocados no encontro anterior, em junho.

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Na ocasião, a linguagem utilizada pelo colegiado foi considerada confusa pelos especialistas e gerou desconfiança. Tony Volpon, ex-diretor do BC e professor adjunto da Universidade Georgetown, é um dos agentes que vê necessidade de um comunicado mais simples. Na visão dele, em junho, o Copom criou um "espantalho" com simulações alternativas e gerou polêmica com uma aparente incongruência entre o diagnóstico feito e a decisão de cortar os juros.

Para o economista, será importante observar se o Copom deixará de brigar contra suas próprias projeções no encontro. O colegiado passa, a partir de agora, a incorporar o primeiro trimestre de 2028 em seus cálculos para a inflação. "

Espero que eles tenham aprendido a lição da última reunião. Vamos ver como vão justificar a decisão", dise. " Leia também: Decisão dos EUA sobre visto de embaixadora se dá por razões ideológicas, diz

Eu, como consenso, acho que, frente às novas informações, eles vão continuar cortando juros. " Volpon considera que o BC continuará reduzindo a Selic se os próximos indicadores confirmarem que a economia está perdendo tração, o que servirá de alerta para 2027.

" A gente está com um impulso fiscal creditício muito forte na economia nesse momento. Mas a economia está perdendo dinamismo.

Isso é um sinal preocupante", afirma. " Essas medidas eleitoreiras têm vida curta, porque estão mirando os próximos meses.

Então, elas caducam. Se tem toda essa lenha sendo jogada no fogo e a economia ainda está desacelerando, pode ser uma sinalização de que talvez a economia tenha um problema mais sério em termos de manter seu dinamismo", acrescenta. O ex-diretor do BC avalia que a movimentação do mercado pode brecar a continuidade do ciclo de juros, mas diz preferir ver como as incertezas vão se concretizar.

Outro fator que pode ter papel determinante no cenário doméstico, segundo o ex-BC, é a alta global de juros. Por trás dos recentes movimentos observados nos EUA e no Japão, ele cita uma reprecificação das curvas de juros em um mundo mais deficitário. " Mais de economia

Vários países, inclusive o Brasil, não têm conseguido pós-pandemia voltar a ter uma política fiscal mais sustentável." A iminência de uma alta de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), que manteve as taxas entre 3,5% e 3,75% na semana passada, é a maior preocupação da economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, para o futuro dos juros no Brasil. "

Existe um risco do dólar forte. A gente viu isso em 2024, quando a inflação nos Estados Unidos deu um engasgo, o Fomc [Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável por definir a política monetária do Fed] fez uma pausa, e o câmbio foi para R$ 6,30. [.]

Se a gente tiver um cenário parecido, o Copom pode ter de fazer uma pausa nos cortes", diz. No entanto, ela diz não ver razões para uma interrupção no ciclo de queda da Selic e projeta novos cortes até dezembro. Em sua estimativa, a Selic vai a 13,25% ao ano –destoando do consenso do mercado, hoje em 13,75% ao ano. Leia também: Alta da dívida gera pressão de aliados para que Lula defenda ajuste fiscal

" A gente não vê razão para pausa hoje, considerando como está a dinâmica inflacionária, com atividade mais fraca e câmbio bastante favorável, mesmo com um cenário externo com mais volatilidade", afirma. A economista vê tendência de que a atividade econômica desacelere ainda mais com um menor estímulo fiscal via transferência de renda e de gastos do governo no segundo semestre, especialmente depois das eleições.

Isso, segundo ela, também vai colaborar para uma inflação mais controlada nos próximos meses. Para Vitória, o estímulo fiscal dado pelo governo com o anúncio de uma série de programas acabou não tendo um impacto tão alto quanto esperado. "

A gente tem visto uma limitação muito grande na expansão de crédito pelo lado da demanda das famílias e das empresas. As famílias estão endividadas, as empresas também. Não adianta oferecer subsídio que não tem espaço", acrescenta.

Diante dessa conjuntura, ela não espera ver um surto inflacionário decorrente de pressão da demanda. Ela projeta IPCA próximo de zero ou até negativo em agosto, com alívio na fatura de energia elétrica relacionada ao bônus de Itaipu. Os indicadores, na avaliação dela, justificam a decisão do BC de seguir com o ciclo de calibração de juros.

" A gente não está falando de um afrouxamento, a política monetária está bastante restritiva. O que o Copom tem feito é tirar um pouco dessa restrição.

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