← Tecnologia
1 pessoa lendo agora Tecnologia

Mega Drive vs Super Nintendo: qual biblioteca envelheceu melhor?

Mega Drive ou Super Nintendo: qual foi mais popular no Brasil nos anos 1990?

Mega Drive vs Super Nintendo: qual biblioteca envelheceu melhor?

Mega Drive ou Super Nintendo: qual foi mais popular no Brasil nos anos 1990? Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

Ser criança ou jovem nos anos 1990 trouxe diversos aspectos marcantes para todos os jogadores e fãs de videogames. Como não lembrar dessa época com as famosas revistas que estampavam personagens em sua capa como Mario, Link, Sonic e outros grandes ícones nas bancas?

Leia no AINotícia: Panorama Tech: Ofertas Samsung e Atualizações nas Plataformas Digitais

Das famosas locadoras, que traziam um catálogo extenso de experiências? Ou até dos clássicos fliperamas, que ainda eram populares e reuniam muitos ao seu redor? Foi uma década que começou com um grande salto tecnológico, com o Mega Drive e o Super Nintendo trazendo jogos com gráficos impressionantes e qualidade narrativa inédita.

Com isso, os dois conquistaram toda a molecada, criando um terreno propício para a indústria gamer se popularizar. Porém, aqui no Brasil isso se dividiu bastante: quem nunca entrou numa discussão com um amigo na escola ou com aquele primo chato que dizia ter todos os jogos para saber qual era o melhor videogame? Toda essa rivalidade fez parte da chamada Guerra de Consoles dos anos 1990 e até hoje traz muita nostalgia.

Mas, afinal de contas, quem foi mais popular no Brasil: Mega Drive ou Super Nintendo? Essa questão é mais complexa do que parece, já que a popularidade pode ser medida de formas bem diferentes — principalmente aqui no nosso país. Fatores como vendas, presença cultural e o carinho dos fãs fazem toda a diferença quando falamos sobre qual deles mais impactou o mercado nacional. Leia também: 12 formas de usar IA no trabalho para ganhar tempo

Seja no boca-a-boca (que ocorria dentro das locadoras, grupos de escola etc.), nos comerciais e programas de TV que destacavam suas preferências ou até nas bancas de jornais, todos fomos bombardeados e influenciados por uma competição que ia além do Brasil. E todos tomamos uma decisão, mesmo que de forma inconsciente. Será que a sua foi mesmo a melhor?

Mega Drive e a TecToy Era dezembro de 1990 e a TecToy decidiu trazer ao Brasil um videogame que estava fazendo a cabeça das crianças no mundo todo. O Mega Drive tinha um design todo preto e um controle muito mais bonito do que os dos outros consoles disponíveis no país. O timing da empresa brasileira foi incrível: perto do Natal e das festas de fim de ano, em uma época que o brasileiro ainda estava encantado com o Atari e o "novo" Nintendinho.

Isso fez o console da SEGA entrar na lista de pedidos de presente para o Papai Noel de muitas crianças. Grande parte desse início “explosivo” do Mega Drive no país também foi devido a diversos títulos superbem avaliados: Altered Beast, Castle of Illusion Starring Mickey Mouse, Phantasy Star II, Alex Kidd in the Enchanted Castle e Super Monaco GP fizeram parte da primeira leva de jogos de sucesso do videogame, antes da pedrada que foi Sonic the Hedgehog em 1991. Apesar de o Super Nintendo já circular pelo Brasil no mercado cinza, a distribuição nacional oficial da TecToy foi muito bem vista e um grande diferencial para o público da época.

Outro detalhe muito importante foi a forma como a TecToy “abrasileirou” o Mega Drive. Já naquela época bastante conhecida pelos diversos eletrônicos que lançava no mercado, sendo o mais famoso deles o "Pense Bem", a empresa não se limitou a trazer o videogame para o país, botar ele nas lojas e esperar o dinheiro cair no bolso. Houve todo um trabalho para localizar o console e sua comunicação para o Brasil, além de campanhas de marketing agressivas e cheias de "brasilidade".

Os comerciais, que passavam no intervalo dos principais programas da TV aberta, vinham todos em português — com grande parte dublada ou, no mínimo, com legendas. Além disso, vale lembrar a campanha do Mega Net, que permitia o acesso à internet através do Mega Drive, que foi estrelada pelo nadador e medalhista olímpico Gustavo Borges. Se hoje trazer propaganda com astros brasileiros chama a atenção, Mais de tecnologia

você consegue imaginar o que esse tipo de ação significava nos anos 1990? Era algo completamente absurdo de se ver, o que fortaleceu bastante toda a indústria nacional. Esse tipo de movimentação botou a TecToy e a SEGA acima no mercado e causou muito impacto no público.

Isso sem falar dos jogos traduzidos ou adaptados. Para ter uma ideia, a Sony só passou a trabalhar com esta política a partir de 2013 — com God of War: Ascension, Beyond: Two Souls e The Last of Us. A Microsoft conseguiu isso um pouco mais cedo, com Halo 3, em 2007.

A Nintendo, então, nem se fala: apenas em 2022 a japonesa passou a localizar seus games para o português de maneira consistente. O Mega Drive deu baile e já no início dos anos 1990 lançou adaptações que se tornaram muito famosas, como é o caso de Mônica e o Castelo do Dragão e Chapolin vs. Dracula: Leia também: Quanto custaria um Ford Ecosport hoje, com a inflação?

Um Duelo Assustador. Nesses dois casos, a TecToy atingiu o ápice de sua representação e cativou não apenas o público, mas também o carinho da própria SEGA. Contra-ataque da Nintendo com o Super Nintendo

Nos anos 1990, a Nintendo já era bem conhecida pelos jogadores brasileiros: o NES ainda era um dos videogames queridinhos no país, principalmente devido à quantidade absurda de clones que existiam por aqui, e o Super Nintendo prometia um universo de possibilidades. Porém, ele tinha no Mega Drive o seu grande rival: ambos pertenciam à geração 16-bit, o que dividia bastante o público-alvo. Inicialmente, no Brasil, eles chegaram através do mercado paralelo (por importações ou através das visitas dos lojistas a países como Argentina e Paraguai).

Ou seja, preços com acréscimos salgados e indisponibilidade do console e jogos eram bastante comuns. Com a chegada oficial e o enorme sucesso do Mega Drive no país, os executivos da Nintendo perceberam que estavam perdendo uma grande oportunidade de ampliar suas receitas. Apesar disso, essa reação demorou a acontecer e foi apenas em 1993 que o Super Nintendo chegou oficialmente por aqui, em uma joint venture formada pela Estrela e a Gradiente chamada Playtronic.

O objetivo dessa nova companhia era apenas um: bater de frente com a TecToy. Todo o plano de negócio era bastante audacioso, afinal de contas a Playtronic foi a primeira companhia a fabricar o Super Nintendo fora do Japão, algo completamente surpreendente para a época. Isso chamou a atenção não apenas dos jogadores, mas de toda a indústria gamer — afinal de contas, o Brasil se tornou o “novo palco” para a icônica guerra de consoles entre o SNES e o Mega Drive.

Ambas tinham um marketing bem agressivo, o que logo gerou faíscas. Comerciais de TV, propagandas em revistas, sátiras e até disputas judiciais marcaram a competição entre as duas companhias. Ações como “Genesis does what Nintendon’t” (“Genesis faz aquilo que a Nintendo não faz”, em tradução literal sem considerar o jogo de palavras) e demonstrações de desafeto entre as duas empresas eram comuns.

12 formas de usar IA no trabalho para ganhar tempo
Tecnologia

12 formas de usar IA no trabalho para ganhar tempo

Ler matéria →

Leia também