Medo de se olhar no espelho? Entenda o transtorno dismórfico corporal Condição faz pessoas desenvolverem obsessão por supostos defeitos físicos
O espelho faz parte da rotina de inúmeras pessoas, mas para quem tem o transtorno dismórfico corporal esse simples objeto pode ser um pesadelo. A condição psiquiátrica leva a pessoa a acreditar que possui defeitos graves na aparência física, mesmo quando as imperfeições não existem. A preocupação é tão intensa que interfere na vida social, profissional e emocional.
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O transtorno costuma surgir ainda na adolescência e pode atingir homens e mulheres, embora alguns estudos indiquem maior frequência entre mulheres. Estimativas apontam que entre 1% e 5% da população pode apresentar a condição. Em muitos casos, ela permanece sem diagnóstico por anos, principalmente porque os pacientes sentem vergonha de falar sobre o assunto. Leia também: Super El Niño vai acontecer? Saiba consequências e riscos para a saúde
Devido à condição, as pessoas evitam socializar – até deixam de ir ao trabalho ou à escola – por medo de serem observadas e ridicularizadas. Em casos mais graves, o isolamento pode se tornar extremo, comprometendo completamente a capacidade de manter relações sociais. Conheça os sintomas
Os sintomas do transtorno podem aparecer de forma gradual ou repentina e tendem a persistir quando não há tratamento. Um dos sinais mais marcantes é a dificuldade de controlar os pensamentos sobre a aparência: a pessoa passa horas analisando supostos defeitos e acredita constantemente que outros estão reparando nela. Segundo pesquisas, em média, pessoas com a condição tendem a se preocupar com de cinco a sete partes diferentes do corpo ao longo da vida.
As preocupações mais comuns envolvem rosto, pele, cabelo e nariz, mas qualquer parte do corpo pode se tornar alvo do transtorno – até a quantidade de músculos. As pessoas passam a enxergar detalhes mínimos como deformidades graves, descrevendo a si mesmas como feias ou pouco atraentes. Enquanto algumas verificam a aparência no espelho inúmeras vezes, outras evitam qualquer reflexo por não suportarem se olhar.
Há ainda quem alterne entre os dois comportamentos. O transtorno também aparece frequentemente associado a outras condições de saúde mental, como depressão, ansiedade social, transtorno obsessivo-compulsivo e uso de substâncias. Em situações graves, o sofrimento pode levar a comportamentos suicidas e internações psiquiátricas. Mais de saude
Se você ou alguém que você conhece estiver enfrentando sintomas assim, saiba que há apoio psicológico presencial em Centros de Referência em Assistência Social (Cras) ou por ligação, através do número 188, para o CVV (Centro de Valorização da Vida). + Tratamento A terapia cognitivo-comportamental é considerada uma das principais formas de tratamento. Leia também: RPGs: Os títulos aguardados que dominam o cenário gamer em 2024
Nesse processo, o terapeuta ajuda o paciente a desenvolver uma visão mais realista da própria aparência e a reduzir comportamentos compulsivos – como se olhar constantemente no espelho. Outro objetivo é fazer com que a pessoa volte a se sentir confortável ao socializar. Antidepressivos também costumam apresentar bons resultados.
O tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um profissional especializado, neste caso, um psiquiatra. Em casos mais graves, a combinação entre medicamentos e terapia é vista por especialistas como a abordagem mais eficaz. Procedimentos estéticos não costumam funcionar e podem até aumentar a preocupação com a aparência, convertendo-se em uma compulsão.
Muitos pacientes procuram tratamentos dermatológicos, odontológicos ou cirurgias plásticas diversas vezes, acreditando que os procedimentos resolverão o problema. No entanto, como a causa de fundo do transtorno não foi abordada, os sintomas costumam seguir.
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