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Maturidade emocional não é aguentar firme sempre; é saber a hora de parar

Maturidade emocional não é aguentar firme sempre; é saber a hora de parar A cultura da persistência nem sempre é benéfica

Maturidade emocional não é aguentar firme sempre; é saber a hora de parar

Maturidade emocional não é aguentar firme sempre; é saber a hora de parar A cultura da persistência nem sempre é benéfica. Saiba quando desistir é a opção mais saudável— e um sinal de autoconsciência Vivemos em uma cultura apaixonada pela persistência.

Desde cedo, aprendemos a admirar histórias de pessoas que “não desistiram”, que suportaram pressões extremas, atravessaram obstáculos intransponíveis e seguiram adiante apesar de tudo. A ideia de resiliência foi moldada, pouco a pouco, como uma espécie de obrigação moral para aguentar firme. Mas existe um problema nessa narrativa:

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“Insistir a que custo? ” O que a psicologia, a filosofia e, até mesmo, a história nos mostram é que nem toda persistência é virtuosa.

Às vezes, ela se origina do medo, do orgulho, da culpa, da dificuldade de aceitar perdas ou da esperança insistente de que, se suportarmos mais um pouco, finalmente seremos recompensados. Muitas pessoas permanecem tempo demais em relações que as diminuem, empregos que as adoecem, rotinas que as esgotam ou projetos que já perderam o sentido. Não porque ainda acreditam neles, mas porque desistir parece carregar um peso emocional difícil de suportar. Leia também: Palmeiras avança na Copa do Brasil: veja os melhores momentos do jogo

Como se recuar fosse admitir fracasso. Como se mudar de direção anulasse tudo o que foi vivido. Mas a maturidade emocional pode ter menos relação com aguentar firme e mais relação com desenvolver discernimento e humildade.

É claro que existe coragem em continuar, mas também existe coragem em parar. Desistir nem sempre é sinal de fraqueza. Em muitos casos, significa reconhecer limites e aceitar que algumas batalhas deixam de fazer sentido.

Há situações em que insistir apenas prolonga o sofrimento, desgasta vínculos e nos afasta de nós mesmos. Isso vale especialmente em um tempo em que a alta performance se tornou um ideal permanente. +

Muitas pessoas vivem como se estivessem constantemente em dívida consigo mesmas, precisando produzir mais, entregar mais, provar mais. Mas há uma diferença entre resiliência e rigidez. A resiliência saudável não é a capacidade de suportar qualquer coisa indefinidamente. Mais de saude

É a capacidade de responder à realidade com honestidade e flexibilidade. Às vezes, isso significa persistir apesar das dificuldades. Outras vezes, significa mudar de rota, pedir ajuda, diminuir o ritmo ou, até mesmo, abandonar um projeto que não se sustenta.

Saber quando desistir exige uma forma sofisticada de autoconsciência. Não se trata de largar a mão de tudo, mas conseguir olhar para uma situação sem se deixar conduzir pela culpa, pela pressão ou pela fantasia de que todo sofrimento precisa valer a pena. É preciso se perguntar: isso ainda faz sentido? Leia também: Jair Renan Bolsonaro: defesa pede visita dos filhos no Dia dos Pais

Nem sempre teremos respostas claras. E abandonar certas ideias sobre relacionamentos, carreira, identidade ou futuro pode ser profundamente doloroso. Há lutos envolvidos em toda desistência importante.

+ Mas também alívio e reconexão. Talvez uma das formas mais maduras de resiliência seja justamente reconhecer que não fomos feitos para suportar tudo.

Fomos feitos, também, para recalcular a rota, descansar, admitir vulnerabilidades, reconsiderar… Num mundo que celebra a insistência, uma das habilidades emocionais mais importantes é aprender a desistir com consciência. *Saulo Velasco é psicólogo e diretor de aprendizagem da The School of Life Brasil

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