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Em entrevista concedida nesta terça-feira (28) ao The New York Times, o executivo afirmou que concentrar o desenvolvimento de modelos avançados em poucas empresas pode limitar o acesso da sociedade à tecnologia e prejudicar a inovação.
Embora não tenha citado diretamente OpenAI e Anthropic em diversos momentos da conversa, Zuckerberg deixou claro que se referia às empresas que defendem um desenvolvimento mais controlado da IA. Segundo ele, essa abordagem contraria a tradição do setor de tecnologia nos Estados Unidos.
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“Grande parte do discurso de muitos dos outros laboratórios que estão desenvolvendo isso é excessivamente dominada pelo pessimismo”, afirmou. “É preciso haver uma voz, ou várias vozes, que tragam realismo para esse debate.”
As declarações ampliam uma discussão que vem dividindo o Vale do Silício sobre como sistemas avançados de IA devem ser desenvolvidos e disponibilizados ao público.
Debate divide gigantes da tecnologia
- Executivos, como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, argumentam que alguns dos modelos mais avançados já são perigosos demais para serem desenvolvidos ou compartilhados sem rígidos mecanismos de controle;
- Por outro lado, empresas, como Microsoft, Nvidia, Google e a própria Meta, defendem que boa parte desses modelos deve permanecer amplamente acessível para estimular pesquisas, novos negócios e avanços tecnológicos;
- A discussão ganhou força neste mês após modelos chineses de inteligência artificial reduzirem a vantagem tecnológica que empresas estadunidenses, como Anthropic e OpenAI, mantinham no setor;
- Em resposta, essas companhias intensificaram o diálogo com reguladores em Washington e demonstraram preocupação com o avanço de modelos de código aberto desenvolvidos na China.
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Nvidia reforça apoio ao código aberto
Na última sexta-feira (24), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, publicou uma carta defendendo o desenvolvimento de softwares de código aberto para IA, posição que recebeu apoio de diversas empresas de tecnologia.
Nesta semana, Huang também anunciou uma coalizão voltada ao desenvolvimento de ferramentas abertas de segurança e cibersegurança para IA, iniciativa que reúne empresas, como SpaceX e IBM.
Huang e Altman estão entre os executivos que viajaram a Washington para discutir com o governo do presidente Donald Trump possíveis políticas para o setor.

Zuckerberg defende “superinteligência personalizada”
Durante a entrevista, Zuckerberg voltou a defender sua visão de que a IA deve estar disponível para o maior número possível de pessoas. Ele criticou a ideia de criar uma única superinteligência centralizada e totalmente alinhada aos interesses da humanidade, conceito frequentemente associado às discussões sobre segurança em IA.
“Eu acho que muitas pessoas têm a noção de que, se você construir algum tipo de inteligência artificial singular, poderá, por meio de uma forma idealizada de alinhamento, garantir que ela seja benevolente para a humanidade”, afirmou. “Pessoalmente, sou cético em relação a esse caminho.” Mais de tecnologia
Em vez disso, o executivo propôs o conceito de “superinteligência personalizada”, em que assistentes de IA possam ser configurados conforme as necessidades, preferências e valores de cada usuário. “Acho que é literalmente impossível existir uma única superinteligência benevolente que esteja alinhada com todas as pessoas ao mesmo tempo”, declarou.
Até a publicação da entrevista, OpenAI e Anthropic não haviam comentado as declarações. Em manifestações anteriores, a OpenAI afirmou apoiar iniciativas de código aberto e disse trabalhar com a Casa Branca para desenvolver formas seguras de expandir a IA.
Na segunda-feira (27), Amodei publicou um texto afirmando que a Anthropic está concentrada em impedir que chips avançados cheguem a regimes autoritários, evitar a reprodução em larga escala de modelos de IA e exigir testes de segurança para sistemas altamente capazes, sejam eles abertos ou fechados. Leia também: NASA: robô que deveria salvar telescópio espacial perde o controle
Apesar das divergências entre as empresas, pesquisadores da Anthropic, OpenAI, Meta e Google assinaram conjuntamente uma carta aberta intitulada “Pacing the Frontier”.
A posição da Meta sobre IA também evoluiu nos últimos anos. Durante muito tempo, a empresa ficou conhecida por disponibilizar gratuitamente modelos de IA de código aberto. No entanto, após perder espaço para OpenAI e Anthropic, Zuckerberg reformulou sua estratégia.
A companhia investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 73,5 bilhões) na startup Scale AI e contratou seu fundador, Alexandr Wang, para liderar a divisão de IA da empresa, rebatizada de Meta Superintelligence Labs. Também foram investidos bilhões de dólares na contratação de pesquisadores especializados, que passaram a desenvolver um novo modelo fechado de IA, em vez de totalmente aberto.
Neste mês, a Meta começou a vender, pela primeira vez, acesso ao seu modelo Muse Spark, ao mesmo tempo em que continua desenvolvendo modelos de código aberto.
Zuckerberg afirmou acreditar que a trajetória da indústria de tecnologia aponta para uma democratização crescente das ferramentas de IA. “Acredito que a trajetória geral da indústria sempre caminhou para mais abertura e para colocar o poder da tecnologia nas mãos de mais pessoas, e não de menos”, concluiu.
Rodrigo Mozelli
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