Argentina x Inglaterra | Acompanhe a semifinal que define a última vaga
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- Author, Giulia Granchi
- Role, BBC News Brasil
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 9 min
Para os brasileiros, não há dúvida: o maior rival da Argentina é o Brasil. Do lado de lá, porém, a resposta pode ser outra— e reaparece nesta quarta-feira no caminho dos hermanos.
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Em 2002, quando Brasil e Inglaterra se enfrentaram nas quartas de final da Copa do Mundo, uma enquete publicada na imprensa argentina fez a pergunta diretamente aos torcedores do país: "quem você quer que ganhe?".
Entre o arquirrival continental, estampado pelo sorriso de Ronaldo, e a Inglaterra de David Beckham, 57% escolheram o Brasil.

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Vinte e quatro anos depois, a situação se inverte— e é improvável que a gentileza seja retribuída. Com a seleção brasileira eliminada nas oitavas pela Noruega, coube ao torcedor do Brasil o papel de espectador com interesses: nas redes sociais, a torcida declarada é maciçamente por qualquer um, menos a Argentina— repetindo o fenômeno de 2022, quando a campanha do título argentino no Catar foi acompanhada no Brasil por uma mistura de memes, torcida contra e resignação.
Nesta quarta-feira (15/07), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, a rivalidade volta ao palco onde nasceu e cresceu: uma Copa do Mundo.
Argentina e Inglaterra disputam uma vaga na final— o primeiro confronto entre as duas em Mundiais desde 2002, e o primeiro da história em uma semifinal. Em jogo, além da decisão de domingo (19/07), em Nova Jersey, estão seis décadas de uma relação que atravessou expulsões lendárias, uma guerra de verdade, o jogo mais famoso de todos os tempos e reviravoltas de vilania e redenção dignas de novela.

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Duas rivalidades, duas naturezas
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Brasil x Argentina é a maior rivalidade do futebol sul-americano— o duelo entre os dois países mais vitoriosos do continente, alimentado por décadas de decisões, provocações e pelo debate eterno sobre Pelé, Maradona e, agora, Messi.
Mas é, na essência, uma rivalidade de futebol: uma disputa entre vizinhos pela supremacia de um esporte que os dois têm como identidade. Fora das quatro linhas, Brasil e Argentina são sócios no Mercosul, aliados diplomáticos históricos e destinos turísticos um do outro. A raiva dura 90 minutos— ou, no caso brasileiro em 2026, o que durar a campanha argentina. Leia também: São Tiago: por que 1º mártir do cristianismo se tornou símbolo de peregrinação
Argentina contra a Inglaterra é outra coisa. Ali, o futebol é a superfície de uma ferida histórica: uma guerra real, com mortos reais, travada em 1982 por um território que a Argentina reivindica há quase dois séculos e que segue, até hoje, como causa nacional em Buenos Aires— as Malvinas estampam a Constituição argentina, placas de rua e o discurso político de todos os espectros.
Contra o Brasil, o argentino quer ganhar o jogo; contra a Inglaterra, historicamente, muitos sentem que há algo mais a resgatar. É por isso que a "Mão de Deus" nunca foi tratada na Argentina como trapaça, mas como uma espécie de justiça poética.
1966: o 'roubo do século' e a palavra que a Argentina não perdoou
Naquela tarde, o capitão argentino Antonio Rattín foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein por "violência verbal"— embora o juiz não falasse espanhol. Rattín se recusou a deixar o campo e permaneceu no gramado por vários minutos, em um dos impasses mais célebres da história das Copas. No caminho para o vestiário, ainda parou para se sentar no tapete vermelho reservado à rainha Elizabeth 2ª— um gesto de desafio que virou fotografia histórica.
A Inglaterra venceu por 1 a 0 e seguiu rumo ao seu único título mundial. Mas o que ficou daquele jogo foi o depois: o técnico inglês Alf Ramsey impediu seus jogadores de trocar camisas com os argentinos e declarou que a Inglaterra jogaria seu melhor futebol contra adversários "que vêm jogar futebol, e não agir como animais".
A palavra "animais" atravessou gerações. Na Argentina, a partida é chamada até hoje de "el robo del siglo"— o roubo do século.
1982: a guerra das Malvinas
1986: a 'Mão de Deus', o Gol do Século — e a 'carteira dos ingleses'

1998: o chute de Beckham e o boneco no pub

2002: a redenção — com uma falta de Pochettino

24 anos depois, com Messi e valendo vaga na final

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