Vídeo mostra acusado de morte de Moïse tirando foto com vítima imobilizada
Após cerca de 9 horas de julgamento, os jurados do 1º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, condenaram nesta quarta-feira (15) o terceiro acusado de participar da morte do congolês Moïse Kabagambe em 2022. Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, foi sentenciado a 18 anos e 8 meses por homicídio triplamente qualificado, em regime inicial fechado.
Os jurados reconheceram que o crime foi cometido com recurso que impossibilitou a defesa da vítima, por motivo fútil e com emprego de meio cruel.
Na leitura da sentença, a magistrada destacou a gravidade da conduta e o contexto das agressões, ressaltando que o réu imobilizou a vítima por mais de 12 minutos enquanto ela era espancada. Leia também: Aliado de Trump ironiza Lula após fala sobre PCC e CV: "Chora mais"
A juíza também considerou que o crime teve consequências graves para a família de Moïse, que deixou a República Democrática do Congo para fugir da guerra e buscar uma vida melhor no Brasil.
Apesar de o réu ser primário e sem antecedentes, a Justiça entendeu que a confissão não poderia ser considerada integralmente para redução da pena, já que as imagens do crime registraram toda a ação. Ainda assim, houve diminuição parcial, resultando na pena definitiva.
A magistrada negou a substituição da pena por medidas alternativas e também a concessão de sursis, mantendo a prisão em regime fechado.
'Papel central'
A promotora Rita Cid Varela Guitti Guimarães, afirmou nesta quarta-feira (15), em júri no Rio, que Brendon teve papel central na morte do congolês. Mais de noticia
O crime aconteceu em 24 de janeiro de 2022, em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, onde Moïse trabalhava. Segundo as investigações, ele foi agredido com pauladas, chutes e socos até a morte após cobrar o pagamento de diárias atrasadas. Leia também: Aposta de SC acerta quina da Mega-Sena 3013; prêmio principal acumula
Segundo a promotora, que atua no Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri, do Ministério Público do Rio, o réu não apenas participou das agressões, como foi determinante para que elas ocorressem.
A declaração foi feita após a exibição de áudios enviados pelo próprio réu na noite do crime e de imagens de câmeras de segurança do quiosque onde Moïse trabalhava.
Moïse Kabamgabe — Foto: Reprodução
Nos áudios, Brendon demonstra tranquilidade ao comentar o ocorrido com um amigo.
"Graças a Deus estou muito tranquilo (...) Até troquei de roupa já. Vi que tinha chegado a ambulância lá, mas não tinha viatura da polícia", disse o réu na noite do crime.
Na sequência, os jurados assistiram a vídeos que mostram o início da confusão e a atuação direta do réu nas agressões. Para a promotora, as imagens evidenciam o protagonismo dele no crime.
"Ele foi peça fundamental nesse crime. Foi quem derrubou e imobilizou o Moïse", afirmou.
Imagens mostram atuação do réu nas agressões
- Rio de Janeiro
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