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Lula sugere forca para 'traidores da pátria', e pré-campanha de Flávio vê

Caio Spechoto Brasília O governo brasileiro pretende manter negociações com os Estados Unidos de Donald Trump e vê chance de evitar um novo tarifaço mesmo depois de

Lula sugere forca para 'traidores da pátria', e pré-campanha de Flávio vê
Caio Spechoto
Brasília

O governo brasileiro pretende manter negociações com os Estados Unidos de Donald Trump e vê chance de evitar um novo tarifaço mesmo depois de autoridades americanas proporem um aumento de 25% nas alíquotas de importação de produtos do Brasil. A proposta, divulgada nesta terça-feira (2), veio ao fim de uma investigação comercial americana com base no que é conhecido como "Seção 301".

Paralelamente, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçaram o discurso de soberania nacional, que foi eficiente para alavancar a popularidade do petista em 2025 quando os Estados Unidos impuseram tarifas sobre produtos brasileiros.

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Dessa vez, as falas devem conter referências ao Pix, meio de pagamento querido pelos brasileiros e que é atacado no relatório produzido pelas autoridades americanas. A ideia é potencializar ao máximo possível o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República e principal adversário de Lula nas eleições de outubro.

O governo brasileiro esperava que novas tarifas fossem propostas ao fim da investigação comercial americana. A análise era de que o procedimento havia sido aberto para pressionar o Brasil a fazer concessões comerciais aos Estados Unidos.

Por essa lógica, haveria a possibilidade de evitar que as novas taxas entrem em vigor dependendo de como as conversas avançarem nas próximas semanas. Aplicar ou não a proposta derivada da investigação comercial é uma decisão que caberá a Trump. Leia também: Aliados de Bolsonaro buscam união contra Lula em 2026

Autoridades brasileiras ouvidas pela reportagem acharam especialmente negativa a retórica do relatório, que repete argumentos usados um ano atrás pelos Estados Unidos. Havia a expectativa de que as negociações e as conversas diretas entre Lula e Trump superassem esses argumentos.

Integrantes do alto escalão do governo foram chamados para uma reunião sobre o assunto na Vice-Presidência da República no fim da manhã desta terça.

Participarão o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio), Bruno Moretti (Planejamento) e Sidônio Palmeira (Secom). O Ministério das Relações Exteriores será representado pelo embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty.

O plano do governo brasileiro é reeditar tanto quanto possível a reação ao tarifaço de 2025. Na época, além do esforço diplomático, houve uma mobilização de empresários brasileiros com negócios nos Estados Unidos para fazer lobby contra as taxas.

Aquele foi um dos momentos de maior aproximação entre a gestão petista e o setor produtivo ao longo do atual mandato. Mais de politica

Parte dos aliados de Lula avalia ser possível uma nova movimentação do tipo, mas os próprios governistas identificaram uma limitação nessa estratégia em comparação com o que foi feito em 2025: desta vez, alguns dos setores mais poderosos da economia brasileira estão fora da recomendação de aumento de tarifas.

É o caso de áreas importantes da agropecuária, como os produtores de frutas, café e carne bovina. Também foi preservada a indústria de componentes para a aviação civil. A chance de empresários dessas áreas se engajarem novamente como fizeram em 2025 seria pequena, na análise governista.

O Brasil deve manter sua tentativa de negociar o comércio com os Estados Unidos de forma fatiada. Ou seja, buscar conversar sobre produtos e setores específicos de cada vez, sem mirar um acordo comercial amplo já no primeiro momento. Leia também: Após áudios, Flávio, Zema e Caiado selam as pazes e reiteram pacto da direita

Na prática, as autoridades brasileiros querem discutir já reduções tarifárias para certos produtos americanos que interessam ao Brasil, como equipamentos de saúde, e postergar ao máximo as conversas sobre itens onde um acerto é improvável, como etanol e aço.

O governo do Brasil não aceita, porém, discutir restrições ao Pix. O mecanismo de pagamentos é alvo dos Estados Unidos porque concorre diretamente com as operadoras de cartões de crédito americanas.

A proposta de novas tarifas veio dias depois de uma visita de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Em sua passagem pelo país, quando encontrou Donald Trump e outras autoridades, o senador defendeu a classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas, o que causa riscos econômicos para o país e contraria a gestão Lula.

Pouco depois de a proposta de tarifa ser divulgada, aliados de Lula passaram a atacar o bolsonarismo nas redes. Eles mencionam também Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que mora nos Estados Unidos e age para jogar o governo local contra a gestão petista.

"O Pix é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro. É criminoso o que os Bolsonaros fazem contra o Brasil. Traidores da pátria, do povo brasileiro", disse a deputada e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR).

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