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Ler matéria →Briga entre Michelle e Flávio abala plano bolsonarista para eleger Senado 'anti-STF'?

Crédito, MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images
- Author, Mariana Schreiber
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published Há 4 horas
- Tempo de leitura: 11 min
As eleições de 2026 são marcadas por uma disputa inédita pelo Senado Federal. Lideranças dos campos bolsonarista e lulista chegam a dizer que a eleição que renovará dois terços da Casa será tão ou mais importante que a corrida presidencial.
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Em outubro, cada unidade federativa elegerá dois senadores, parlamentares que serão fundamentais para definir as leis do país. Eleitos, os senadores têm mandato de oito anos. Cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal têm três representantes no Senado.
Mas, para além do impacto legislativo, essa eleição entrou no centro da disputa política por causa do poder que o Senado tem frente ao Supremo Tribunal Federal (STF)— é a instituição responsável por aprovar novos integrantes para a Corte e também a única que pode cassar seus ministros, uma das principais agendas da direita bolsonarista desde que o o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) virou alvo de investigações criminais e acabou condenado por tentativa de golpe de Estado.
Atualmente, dezenas de pedidos de impeachment contra integrantes do STF estão parados na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), apesar da pressão bolsonarista, sendo Alexandre de Moraes o principal alvo. Por isso, esse campo sonha em conquistar a maioria do Senado ou, ao menos, ampliar sua bancada, para ter mais condições de pressionar por cassações de ministros a partir de 2027. Leia também: Copa do Mundo 2026: os 'astros virais' conseguirão transformar sucesso
"É óbvio que, no xadrez político, a Presidência da República é muito importante, mas muito mais importante é o Senado", defendeu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em novembro, em entrevista ao canal Jovem Pan.
"O jogo mais interessante é o Senado porque ele é capaz de parar os ditadores de toga. O presidente não", continuou o ex-parlamentar, que participa ativamente das articulações para definir as candidaturas do PL e de aliados, mesmo morando nos Estados Unidos.
A importância dada à corrida ao Senado, porém, tem provocado rachas dentro da própria direita bolsonarista, culminado na briga pública entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o pré-candidato presidencial do PL, o senador Flávio Bolsonaro.
Após divulgar um vídeo na semana passada em que dizia ter sido maltratada por seu enteado em meio a discordâncias na definição do quadro eleitoral do PL no Ceará, ela renunciou na terça-feira (30/06) à presidência do PL Mulher, sem esclarecer se disputará uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, algo que vinha sendo dado como certo no campo bolsonarista.
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No centro da discordância entre ela e Flávio, está a disputa eleitoral no Ceará, onde Michelle se recusa a aceitar os planos da direção do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado e, na composição para essa aliança, rifar a pré-candidatura de Priscila Costa (PL) ao Senado.
Vereadora mais votada em Fortaleza, Costa atuava como braço direito de Michelle dentro do PL Mulher, do qual é vice-presidente. No entanto, André Fernandes, presidente do PL no Ceará e deputado federal mais votado no Estado, prefere lançar seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), para o cargo de senador. Leia também: Papa excomunga bispos de grupo católico que reza missa em latim e com padre
Para o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice, a briga com Michelle tem efeitos negativos claros sobre a campanha presidencial de Flávio, devido a sua importância como liderança feminina e evangélica, e atrapalha as negociações do PL nos Estados.
Apesar disso, ele avalia que o campo bolsonarista ainda está mais forte na disputa pelo Senado do que a esquerda, devido à centralidade que deram a essa eleição.
"Isso [a briga na família Bolsonaro] é ruim para os palanques regionais do Flávio e para a organização do PL nos Estados, porque deixa ali possíveis aliados um pouco mais assustados, receosos de se alinhar com o Flávio".
O Valdemar [Costa Neto, presidente do PL] está tratando isso com imensa seriedade porque ter uma bancada relevante no Senado dá a ele força para eleger um presidente do Senado, como ele já vocalizou algumas vezes que tem interesse, ou para direcionar a pauta do Davi Alcolumbre [caso ele se reeleja presidente da Casa]", disse Aragão.
Na quarta-feira (1/7), Michelle faltou a um evento da pré-campanha em que Flávio se reuniu com lideranças femininas. Na ocasião, ele repudiou pela primeira vez uma declaração do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmando que "mulher vota estatisticamente muito mal, principalmente mulheres solteiras".

Raio-X das forças no Senado
As disputas nos Estados

A reação lulista e o racha da direita em SP
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