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Lula diz não acreditar que Irã esteja preparando bomba atômica

Brasil e Alemanha manifestam 'profunda preocupação' com guerras no Oriente Médio e na Ucrânia Os dois países defendem 'uma solução negociada substantiva

Lula diz não acreditar que Irã esteja preparando bomba atômica

Brasil e Alemanha manifestam 'profunda preocupação' com guerras no Oriente Médio e na Ucrânia Os dois países defendem 'uma solução negociada substantiva sobre o Irã' RESUMO Sem tempo?

Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/04/2026 - 15:17 Brasil e Alemanha reforçam compromisso com paz e cooperação global na Hannover Messe Brasil e Alemanha expressam preocupação com conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, defendendo diálogo e cooperação para soluções pacíficas, conforme a Carta da ONU. Em encontro na Hannover Messe, destacaram a parceria estratégica, com foco em democracia, multilateralismo e comércio.

Acordos foram feitos em sustentabilidade e defesa, incluindo investimento alemão no Fundo Clima e cooperação em pesquisa climática. Em comunicado conjunto divulgado ontem, Brasil e Alemanha disseram compartilhar “profunda preocupação” com a guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio, com impacto na liberdade de navegação pelo Estreito de Ormuz.

O texto foi divulgado após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão, Friedrich Merz, além de ministros de ambos os países, às margens da Hannover Messe, a tradicional feira industrial de Hanôver, na Alemanha, que neste ano tem o Brasil como país-parceiro. Por causa dos atuais desdobramentos geopolíticos, os governos afirmaram que é necessário reforçar a importância do diálogo, da compreensão mútua e da cooperação para enfrentar os desafios globais: “Brasil e Alemanha estão unidos na firme convicção de que as disputas devem ser resolvidas por meios pacíficos e com o concurso da diplomacia, em plena conformidade com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, rejeitando a ameaça ou o uso da força contra a independência política e a integridade territorial de qualquer Estado, assim como outras formas de coerção”, diz o comunicado. Os dois países defendem “uma solução negociada substantiva sobre o Irã”:

“Esses conflitos causam imenso sofrimento humano, consequências humanitárias e impactos globais negativos, inclusive por meio da perturbação dos mercados globais de energia”, diz o texto. A declaração conjunta reafirma a “parceria estratégica” dos dois países, que se baseia nos “valores compartilhados de democracia, liberdade, inclusão social, solidariedade, bem como em um firme compromisso com o multilateralismo, o direito internacional e o comércio livre e baseado em regras”, e o desejo de aprofundar essa parceria, “fomentando a cooperação econômica e em segurança, impulsionando conjuntamente a transformação em áreas como digitalização, ciência, tecnologia, inovação, ação climática e desenvolvimento sustentável”. O texto classifica consultas intergovernamentais realizadas entre os países nesta segunda-feira como um “marco significativo para o fortalecimento da parceria estratégica e da amizade entre a Alemanha e o Brasil” e cita uma série de resultados, com acordos e anúncios em diferentes áreas, como sustentabilidade, minerais críticos e defesa.

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Na área de sustentabilidade, foi anunciado o primeiro investimento da Alemanha no Fundo Clima, declarações conjuntas sobre combate a crimes ambientais e intensificação da cooperação em pesquisa climática e plano de ação conjunta sobre economia circular e eficiência de recursos. Participam da comitiva do presidente Lula na Alemanha os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, entre outras autoridades. Lula diz não acreditar que Irã esteja preparando bomba atômica Leia também: Pai de ex-vereador do Ceará também é preso por latrocínio de idoso no Piauí

Presidente defendeu diálogo e multilateralismo ao lado do chanceler Friedrich Merz em coletiva de imprensa na Alemanha O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (20), durante uma coletiva de imprensa na Alemanha, que não acredita que o Irã esteja preparando uma arma nuclear. "

Volta à velha conversa de que o Irã está preparando uma bomba atômica. Eu não acredito. Como eu não acreditei quando o Bush invadiu o Iraque que o Saddam Hussein tinha armas nucleares.

De vez em quando as pessoas constroem um mito falso para justificar uma posição que é irreconhecível e é irresponsável", exclamou Lula. A fala ocorreu ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, em resposta à pergunta de um jornalista que questionou o presidente sobre opções para encerrar a guerra. O brasileiro defendeu ainda diálogo, conversa e multilateralismo e criticou os gastos com armas e guerra.

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" Será que não é melhor os líderes mundiais, que detêm o controle armamentista desse mundo, pensar um pouco em paz, ao invés de pensar em guerra? ", questionou Lula. Mais de noticia

Os Estados Unidos justificaram os ataques contra o Irã como uma medida para impedir o país de construir uma bomba atômica. Teerã tem enriquecido urânio cada vez mais próximo do grau necessário para armas nucleares, mas afirma que o programa nuclear iraniano é para uso civil. Agenda na Europa

O presidente chegou em Hannover, na Alemanha, na manhã de domingo (19), para uma reunião privada com Merz. Ele participou de uma audiência com Martin Schulz, presidente da Fundação Friedrich Ebert, uma organização política alemã sem fins lucrativos, fundada em 1925 e vinculada aos valores da social-democracia. Lula também esteve presente na cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hannover, da qual o Brasil é país parceiro.

Acompanham o presidente na agenda o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o ministro da Fazenda, Dario Durigan; Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, além do ministro substituto da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luis Manuel Rebelo Fernandes. O plano do Brasil para ganhar espaço na crise energética europeia " Leia também: Após acidente, um homem é preso por dirigir alcoolizado e outro por porte ilegal de arma em Várzea da Palma

Porto seguro energético" Nos bastidores da agenda brasileira na Alemanha, onde o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira participa da feira industrial de Hannover, o discurso de protagonismo na transição energética vem acompanhado de um movimento mais pragmático do que sugere a retórica.

Silveira tem vendido o Brasil como um “porto seguro energético” em meio à instabilidade global. A mensagem: diversificação da matriz, avanço em biocombustíveis e autossuficiência colocariam o país em posição privilegiada na nova geopolítica da energia. Interlocutores do setor, porém, veem a estratégia como uma tentativa de reposicionar o Brasil não só como potência verde, mas como fornecedor confiável — inclusive de energia fóssil — num momento em que a Europa ainda busca reduzir sua vulnerabilidade externa.

A ênfase em combustíveis como diesel e gasolina reforça a narrativa de segurança antes da sustentabilidade. A escolha da Alemanha não é casual: epicentro do debate energético após crises recentes, o país busca parceiros que combinem escala, estabilidade e descarbonização. Nesse cenário, o Brasil tenta se firmar como “parceiro complementar”, oferecendo biocombustíveis avançados e cooperação tecnológica.

Nos corredores, a leitura é que o governo quer ir além da imagem de exportador de commodities, mirando a cadeia de valor da transição energética, com foco em atrair investimentos e firmar acordos industriais.

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