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Lula anuncia supercomputador ganha destaque após novo desdobramento em brasil

Brasil investe em supercomputação e cria Nuvem Brasileira para IA Pacote anunciado por Lula prevê máquina de R$ 1 bilhão no RN, infraestrutura com Huawei e iFlytek no

Lula anuncia supercomputador ganha destaque após novo desdobramento em brasil

Brasil investe em supercomputação e cria Nuvem Brasileira para IA Pacote anunciado por Lula prevê máquina de R$ 1 bilhão no RN, infraestrutura com Huawei e iFlytek no Rio e estratégia nacional de nuvem e chips O presidente Lula anunciou nesta quinta-feira, 20, em Macaíba, no Rio Grande do Norte, uma nova etapa da infraestrutura brasileira para inteligência artificial, com investimentos em supercomputação, criação da Nuvem Brasileira, desenvolvimento de chips em arquitetura aberta e implantação de uma estrutura voltada à transparência de algoritmos. “Quando nós pensamos em trazer este computador para cá [Rio Grande do Norte], é que eu quero que o Brasil saiba que o Rio Grande do Norte merecia”.

As entregas fazem parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e têm como objetivo ampliar a capacidade de desenvolver e treinar modelos de IA dentro do país. O principal projeto prevê a aquisição, por edital competitivo, de um supercomputador estimado em cerca de R$ 1 bilhão. A máquina deverá alcançar aproximadamente 7,2 mil petaflops, ou 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, considerando a métrica FP16.

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Segundo a Presidência da República, essa capacidade deverá colocar o equipamento entre as dez maiores máquinas do mundo para processamento de inteligência artificial. A infraestrutura será instalada no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A execução ficará sob responsabilidade do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

A previsão é de que a máquina comece a operar no final de 2027. Embora instalada em uma instituição pública, a capacidade não ficará restrita ao governo federal. O modelo previsto permite seu uso por empresas, universidades, instituições científicas e diferentes níveis de governo para pesquisa, treinamento de modelos e desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.

O governo pretende estabelecer um modelo de governança compartilhado entre poder público, setor produtivo e comunidade científica, com critérios para seleção e priorização dos projetos que utilizarão a infraestrutura. Capacidade nacional para processamento de IA A estratégia procura enfrentar uma das limitações atuais para o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial de maior escala no Brasil: a disponibilidade de capacidade computacional de alto desempenho. Leia também: Lula anuncia supercomputador para Macaíba e afirma: “RN merecia esse cafuné”

Projetos brasileiros que demandam grande volume de processamento podem atualmente depender da contratação de infraestrutura no exterior. Isso pode envolver o envio de dados para processamento fora do país e sujeitar empresas e instituições brasileiras à disponibilidade, às filas e às condições comerciais dos fornecedores estrangeiros. A proposta do governo é aumentar a capacidade instalada em território nacional para que empresas, startups, universidades, centros de pesquisa e órgãos públicos possam treinar modelos e executar projetos de maior escala no Brasil.

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O edital do supercomputador também deverá estabelecer contrapartidas em transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros. A previsão apresentada pelo governo é capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos. A localização no Rio Grande do Norte foi associada pelo governo ao potencial energético do estado e à estratégia de descentralização da infraestrutura científica e tecnológica brasileira para fora das regiões que tradicionalmente concentram esse tipo de capacidade.

Segunda infraestrutura terá Huawei e iFlytek O pacote não ficará limitado à máquina instalada no Rio Grande do Norte. Uma segunda rota prevê a implantação, no Rio de Janeiro, de infraestrutura de supercomputação executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com as chinesas Huawei e iFlytek. Essa estrutura deverá ser utilizada prioritariamente no desenvolvimento de modelos de linguagem de grande escala e de modelos de inteligência artificial voltados a setores específicos.

A iniciativa prevê transferência de tecnologia, parcerias em pesquisa e desenvolvimento, formação de profissionais e desenvolvimento de uma pilha de software considerada soberana pelo governo. Também está previsto o desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional, além de modelos de inteligência artificial em português, com a intenção de desenvolver aplicações adaptadas ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras. O investimento previsto nessa segunda frente é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, com início das operações projetado para julho de 2027.

A parceria prevê capacitação de outros 3 mil brasileiros em cinco anos. As duas rotas de supercomputação, portanto, deverão alcançar 8 mil pessoas em programas de capacitação no período de cinco anos, além das ações de transferência tecnológica e pesquisa, diz o governo federal. Governo aposta em rotas tecnológicas diferentes Mais de noticia

A adoção de mais de uma rota tecnológica é deliberada. A estratégia combina a aquisição de um supercomputador por edital competitivo, cooperação tecnológica com empresas chinesas e uma terceira frente, de prazo mais longo, dedicada ao desenvolvimento de chips. O objetivo apresentado pelo governo é evitar que a estratégia brasileira de inteligência artificial fique dependente de uma única empresa, tecnologia ou país.

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As diferentes iniciativas também trabalham com horizontes distintos. A expansão da capacidade de processamento por supercomputadores está prevista para o curto e médio prazos, enquanto a construção de competências brasileiras em componentes tecnológicos fundamentais terá horizonte mais longo. A terceira rota deverá se basear na arquitetura RISC-V, tecnologia aberta e não proprietária para desenvolvimento de processadores.

A estratégia tem horizonte de dez a 15 anos e pretende aumentar a capacidade brasileira de desenvolver chips e diminuir a dependência de arquiteturas controladas por um número limitado de empresas ou países. Essa frente será desenvolvida em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha. O objetivo é ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias consideradas críticas para computação de alto desempenho e inteligência artificial. Leia também: Lula anuncia pacote de R$ 2,3 bi para compra de supercomputador e transferência

O conceito de soberania digital adotado no pacote não pressupõe produzir toda a cadeia tecnológica no Brasil ou fechar o mercado a fornecedores estrangeiros. A estratégia prevê desenvolver capacidade própria e escolher parceiros e tecnologias conforme os interesses nacionais, avaliando as parcerias também pela transferência de conhecimento, formação de profissionais e possibilidade futura de substituição de tecnologias e fornecedores. Nuvem Brasileira

Outro componente do pacote é a Nuvem Brasileira, projeto que deverá reunir governo e setor privado para desenvolver infraestrutura e tecnologia nacionais para armazenamento e processamento de dados e sistemas em nuvem. O governo pretende reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros em componentes considerados críticos, adotando padrões abertos e interoperáveis e estimulando fornecedores brasileiros. A primeira etapa será estruturada por meio de acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES.

O trabalho deverá mapear a capacidade da indústria nacional, avaliar tecnologias e definir o modelo da futura infraestrutura. A estratégia prevê utilizar o poder de contratação do Estado para criar escala para fornecedores brasileiros e desenvolver soluções que posteriormente também possam disputar o mercado privado. A Nuvem Brasileira não se confunde com a Nuvem de Governo, criada em 2023.

A estrutura já existente tem como finalidade manter no território nacional dados sensíveis do governo brasileiro que poderiam estar armazenados no exterior e sujeitos a sanções ou questões territoriais. Segundo a Presidência, 38 órgãos federais já aderiram à Nuvem de Governo. Nesse modelo, tecnologias de grandes empresas internacionais são instaladas fisicamente em ambientes controlados pelo Estado, como instalações do Serpro e da Dataprev ou ambientes sob gestão pública.

Os fornecedores não mantêm controle dos dados nem do ambiente computacional. A Nuvem Brasileira terá alcance diferente. O projeto pretende desenvolver software e componentes tecnológicos nacionais para que a própria infraestrutura possa evoluir com maior domínio brasileiro sobre as tecnologias utilizadas no armazenamento e processamento de dados.

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