Chapa com Michelle no lugar de Flávio 'ganharia muita adesão', diz ex-ministro de Bolsonaro Ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro (PL), cargo que o projetou nacionalmente antes de se eleger deputado federal, Ricardo Salles (Novo-SP) trabalha para conquistar os votos do eleitor de direita para uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Mas não poupa críticas ao nome lançado pelo bolsonarismo à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, que veio à tona na última semana.
Para ele, essa ligação entre senador e o dono do Banco Master "é no mínimo imoral". " Ele não deveria jamais ter tido esse tipo de proximidade com o Daniel Vorcaro", diz Salles à BBC News Brasil, em entrevista concedida na segunda-feira (18/5).
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Salles está no centro de uma disputa que envolve outro filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com quem trocou acusações e críticas públicas nos últimos dias. O deputado federal, que trocou o PL pelo Novo em 2024 após ser preterido na disputa pela Prefeitura de São Paulo, buscava o apoio de Eduardo e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para concorrer a senador. Mas viu o PL lançar, com o apoio de Tarcísio, as pré-candidaturas do deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) — que promete ter Eduardo como suplente —, e do deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do governo paulista.
Salles disse em entrevista ao podcast "IronTalks" que Eduardo teria aceitado receber até R$ 60 milhões para negociar a candidatura de André do Prado. Eduardo afirmou que Salles está mentindo e exigiu provas. Salles diz à BBC News Brasil que não abre mão de disputar uma das vagas para senador por São Paulo — e que até aceitaria ter Eduardo como suplente.
O ex-deputado vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é réu na ação que julga sua atuação no país para tentar influenciar o julgamento de Bolsonaro tentando convencer o governo de Donald Trump, nos EUA, a adotar sanções contra o Brasil. Se condenado, pode ficar inelegível. " Leia também: Aston Villa é campeão da Liga Europa com apoio de Príncipe William
Não tenho nenhuma antipatia pessoal pelo Eduardo, muito pelo contrário, acho até que, dos filhos do presidente Bolsonaro, é o que tem mais preparo intelectual. Muito mais do que o Flávio", diz Salles. No dia seguinte a esta entrevista, Flávio confirmou que se encontrou com Vorcaro depois de o banqueiro ter sido preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero.
E uma pesquisa AtlasIntel — a primeira sondagem realizada após a divulgação dos áudios entre Flávio e Vorcaro — mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abrindo sete pontos de dianteira em um eventual segundo turno. Para Salles, diante da crise aberta na pré-candidatura de Flávio, uma eventual substituição pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ser positiva. O deputado mantém sua defesa do ex-presidente, a quem chama de "o maior líder da direita", ao afirmar que não houve tentativa de golpe por parte de Bolsonaro — apenas cogitou-se "uma discussão" depois que ele perdeu a eleição.
Também diz ser contrário à proposta do fim da escala 6x1 que tramita no Congresso, algo que, para ele, vai acabar com a mão de obra e pode tirar a liberdade do empregado negociar, ele mesmo, com o patrão, sua jornada. BBC News Brasil - O senhor já teve uma candidatura esvaziada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na última eleição, quando quis ser candidato a prefeito de São Paulo. Agora, está sendo escanteado novamente, na disputa pelo Senado.
O senhor se sente traído por Bolsonaro? Ricardo Salles - Em 2024, quem impediu a minha candidatura foi o Valdemar Costa Neto, que era presidente do PL e tinha seus interesses com o então prefeito, depois reeleito, Ricardo Nunes (MDB). E não obstante o presidente Bolsonaro quisesse que o nome fosse o meu, ele não conseguiu convencer o Valdemar.
No final, eles acabaram fazendo uma espécie de acordo em que o Bolsonaro deixava que o candidato fosse o Ricardo Nunes em São Paulo, e o Valdemar, por sua vez, não impediu o candidato do Bolsonaro no Rio, que foi o [Alexandre] Ramagem. Obviamente que sim, houve uma frustração grande. Antes de me lançar, as pesquisas já davam 19%, 18% de votos [para mim]. Mais de esporte
Eu saí do PL porque eu sabia que em algum momento ia prevalecer de novo a decisão do Valdemar sobre a escolha do candidato, e eu não queria passar por isso novamente. Então, comuniquei ao presidente Bolsonaro que estava fazendo esse movimento para concorrer ao Senado. Ele chegou a dizer "olha, o problema é que o Tarcísio [de Freitas] vai indicar um nome e eu vou indicar outro, o meu indicado vai ser o Eduardo [Bolsonaro]".
Eu falei "não tem problema, a gente vai ver isso lá na frente". Com o passar dos meses, o Eduardo foi para os Estados Unidos e acabou inviabilizando o nome dele para o Senado. Portanto, está consolidado o meu nome como candidato pelo Partido Novo, para não ter que passar pelo crivo do Valdemar, que eu sabia que ia repetir o filme de 2024.
Teoricamente, o Tarcísio indicou o [Guilherme] Derrite, mas o que a gente está vendo nessa semana é que o candidato do Tarcísio é o André do Prado (PL). Eu não me sinto traído porque fui eu que saí do partido. Acho que o André do Prado não representa a direita em nenhum aspecto, nunca foi de direita. Leia também: Inglês na Rota Histórica: Aston Villa Abre Caminho para Tríplice Coroa Europeia
Inclusive no seu início de carreira como candidato em 2010, ele era parceiro da Dilma Rousseff, estava com o PT em 2010 e, em todas as candidaturas subsequentes, eles estavam com quem estava no poder. BBC News Brasil - Tarcísio também participou do governo Dilma. Salles - Mas ele foi um técnico, não estava politicamente alinhado à Dilma.
Tarcísio entrou no governo da Dilma no DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte], justamente para limpar todo aquele monte de esquemas de corrupção que vinham dos dois governos anteriores do presidente Lula. E qual era o grupo que estava lá até então? O PR, Partido da República, que depois virou PL.
Em 2022, quando o Tarcísio vai se filiar a algum partido para concorrer ao governo de São Paulo, Bolsonaro diz "venha para o PL", e ele diz "não vou, não quero me envolver com essa turma do Valdemar Costa Neto, porque eu sei o que eles faziam lá no Ministério dos Transportes". Isso também foi objeto de matéria jornalística àquela altura. Agora, neste ano, quando, mesmo tendo o André do Prado como presidente da Assembleia Legislativa, mesmo tendo o PL do Valdemar Costa Neto a maior bancada da Assembleia, eles pressionam o Tarcísio para tirar o Felício Ramuth [vice-governador de São Paulo] e colocar o André do Prado como vice.
Tarcísio diz "negativo, já disse que eu já conheço essa turma, já sei como eles operam e eu não quero essa turma de vice-governador". E ele dá de prêmio de consolação para o André do Prado a vaga do Senado. [Nota da redação: André do Prado diz em nota que "Ricardo Salles tem todo o direito de manifestar sua opinião".
" Mas acredito que este não é o momento de divisão. Sou o candidato escolhido pelo governador Tarcísio de Freitas, pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
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