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Longe da TV há 19 anos, Wagner Moura tem um motivo para recusar volta às novelas

247 – Wagner Moura defendeu o diálogo com a direita e rejeitou ataques pessoais ao falar sobre polarização, democracia e justiça social

Longe da TV há 19 anos, Wagner Moura tem um motivo para recusar volta às novelas

247– Wagner Moura defendeu o diálogo com a direita e rejeitou ataques pessoais ao falar sobre polarização, democracia e justiça social. Em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, o ator disse estar cansado da hostilidade provocada por seus posicionamentos políticos, mas afirmou que continuará expressando publicamente suas opiniões. A conversa foi exibida na noite de terça-feira (4) e gravada em Atenas, na Grécia.

Durante a entrevista, Moura relacionou os temas abordados em sua peça “Um Julgamento” ao atual ambiente de confronto político e à dificuldade de estabelecer debates entre pessoas com visões diferentes. Ator aponta intolerância no debate político Segundo Wagner Moura, a tolerância é um dos fundamentos da democracia. O ator avaliou que o debate público se tornou mais difícil porque grupos políticos já não partem necessariamente de uma compreensão comum dos acontecimentos.

Leia no AINotícia: Entretenimento: Panorama das Notícias da Semana

Na avaliação do artista, esquerda e direita costumavam discordar sobre interpretações e soluções, mas reconheciam os mesmos fatos. Atualmente, segundo ele, versões distintas da realidade passaram a ocupar o lugar das discussões baseadas em acontecimentos compartilhados. Moura afirmou que a contestação permanente dos fatos compromete a possibilidade de diálogo e enfraquece o funcionamento democrático.

Para o ator, a ausência de uma realidade reconhecida pelas diferentes partes impede que o debate político avance de maneira construtiva. Polarização é apontada como ameaça à democracia Ao abordar a polarização, Wagner Moura relembrou as pesquisas realizadas para o filme “Guerra Civil”, lançado em 2024. Leia também: Anitta volta aos palcos com turnê de 'Equilibrvm' em São Paulo

Segundo ele, o aprofundamento das divisões políticas está entre os fatores capazes de enfraquecer regimes democráticos e abrir espaço para governos autoritários. O ator observou que a descrença nas instituições e a percepção de que o sistema político não representa a população contribuem para desgastar a democracia. Nesse cenário, lideranças autoritárias podem tentar se apresentar como figuras externas à política tradicional.

Moura também ressaltou que a democracia não se resume ao direito de escolher representantes por meio do voto. Para ele, o sistema depende da participação dos cidadãos e da capacidade da sociedade de interferir nas decisões públicas. Wagner Moura diz estar cansado de ataques Durante a entrevista, Pedro Bial mencionou uma cena do encerramento da peça em que a filha do protagonista ajuda o pai a se reconciliar com o irmão.

A partir desse ponto, Wagner Moura afirmou acreditar que o afeto e a empatia podem aproximar pessoas que pensam de maneira diferente. “Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo”, declarou.

Apesar do desgaste causado pelas críticas, o ator garantiu que não pretende deixar de manifestar suas opiniões. “Eu vou morrer dizendo as coisas que acho”, afirmou. O artista reconheceu que pode estar equivocado em determinadas avaliações, mas disse que expressar o que pensa faz parte de sua personalidade.

Sucesso profissional e defesa da justiça social Wagner Moura também respondeu às críticas dirigidas a artistas que alcançam sucesso profissional e continuam defendendo pautas associadas à esquerda. Ele questionou a ideia de que a prosperidade financeira tornaria incompatível a defesa de políticas voltadas à justiça social. O ator relembrou sua infância em Rodelas, na Bahia, e afirmou que suas origens e experiências pessoais continuam influenciando sua visão de mundo. Mais de entretenimento

Moura disse não compreender o raciocínio segundo o qual uma pessoa deveria abandonar determinadas convicções depois de obter reconhecimento e melhores condições econômicas. Durante a conversa, ele também ironizou as acusações de hipocrisia feitas por críticos que mencionam o fato de morar fora do Brasil e desfrutar de uma vida confortável. Para Moura, sua situação profissional não impede que ele defenda tratamento digno e oportunidades para populações socialmente vulneráveis.

Incentivos culturais marcaram trajetória Moura atribuiu parte de sua trajetória profissional às políticas públicas de incentivo à cultura existentes em Salvador durante a década de 1990. Segundo o ator, esses mecanismos permitiram que ele e artistas como Vladimir Brichta e Lázaro Ramos trabalhassem, desenvolvessem seus projetos e construíssem carreiras na atuação. Leia também: Entretenimento: Panorama das Notícias da Semana

Ao citar sua própria experiência, Moura defendeu a importância da atuação do Estado na criação de oportunidades. Para ele, sua ascensão profissional não apaga as condições que contribuíram para o início de sua carreira. Ator considera legítimos debates propostos pela direita Wagner Moura afirmou que gostaria de estabelecer um diálogo efetivo com pessoas de direita sobre assuntos apresentados em sua peça.

Entre os temas citados estão o tamanho do Estado, os gastos públicos e a cobrança de impostos. O ator classificou como legítima a discussão sobre quem deve financiar políticas de seguridade social, cultura e educação. Segundo ele, questionamentos sobre o uso dos recursos públicos e o peso dos impostos podem contribuir para um debate político relevante.

Na avaliação de Moura, porém, essas discussões acabam frequentemente substituídas por ataques pessoais. O artista criticou argumentos que procuram desqualificar suas opiniões por ele morar no exterior, ter prosperado profissionalmente ou defender grupos sociais dos quais não faz parte. Ao longo da entrevista, Wagner Moura sustentou que o diálogo entre campos políticos diferentes depende da recuperação de uma realidade comum, do respeito aos fatos e da disposição para discutir ideias sem transformar divergências em ataques pessoais.

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