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Longa delicado revê o enigma de Eva Nil, atriz de obras desaparecidas

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Longa delicado revê o enigma de Eva Nil, atriz de obras desaparecidas
26.jun.2025 às 15h00
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São Paulo

Há pelo menos duas mulheres profundamente implicadas na 20ª CineOP, a Mostra de Cinema de Ouro Preto, que começou nesta quarta-feira (25). A primeira delas, mais evidente, é Marisa Orth, homenageada em nome de todas as comediantes —femininas, bem entendido— do audiovisual brasileiro.

Sérgio Mamberti e Marisa Orth em cena de 'Doces Poderes', de Lucia Murat, que integra a seleção histórica da 20ª Mostra de Cinema de Ouro Preto - Divulgação

Terá uma série de curtas de diretoras que viriam se tornar famosas, como Carla Camurati ou Anna Muylaert. Orth representa, segundo o festival, a mulher que rompe com estereótipos femininos —embora Magda, seu personagem mais famoso, seja o clichê, por excelência, da mulher.

Da segunda, mais secreta, não existe filme para ver. São raras as imagens de Eva Nill, atriz que parecia ter tudo para ser a primeira estrela do cinema brasileiro. Revelada por Humberto Mauro nos filmes do famoso ciclo de Cataguases, tomou o partido do pai, Pedro Comello, quando ele, produtor, e Mauro, diretor, se desentenderam.

Nill ainda fez o seriado "Senhorita Agora Mesmo", com o pai antes de retirar-se para sempre. Sua trajetória, não só no cinema, é objeto de "O Silêncio de Eva", filme de Elza Cataldo que será exibido ao longo da mostra. Leia também: Deep Purple emociona primeira-ministra superfã do Japão com visita rápida

Não ficam por aí as presenças femininas. Haverá uma conversa entre diretoras como Anna Muylaert e Cris Damato, e a exibição da versão restaurada de "A Mulher de Todos", de Rogério Sganzerla, em que Helena Ignez é bem mais do que atriz. E não se pode deixar de lado o restauro de "Alô Alô Carnaval", musical de Adhemar Gonzaga em que a presença de estrelas da música brasileira é crucial, a começar por Carmen Miranda.

A imagem mostra duas dançarinas em trajes brilhantes, levantando chapéus em um cenário teatral. Elas estão posicionadas lado a lado, com expressões alegres, e há sombras projetadas ao fundo que adicionam um efeito dramático à cena. O fundo é decorado com formas abstratas e cores neutras, criando um ambiente artístico.
Cena de 'Alô Alô Carnaval', de Adhemar Gonzaga, que integra a mostra Preservação da 20ª Mostra de Cinema de Ouro Preto - Divulgação

Esses restauros ilustram, no mais, a razão de ser da mostra de Ouro Preto. "Em 2000, numa das primeiras mostras de Tiradentes, previmos homenagear dois filmes: ‘Limite’, de Mário Peixoto, e ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’, de Glauber Rocha. Para exibir os filmes foi uma pequena odisseia. Para se ter uma ideia das dificuldades, só encontramos a cópia de ‘Limite’ na França", diz Raquel Hallak, criadora e diretora da mostra.

Nos 20 anos de existência do CineOP, houve mudanças importantes no campo da preservação. Os custosos restauros analógicos foram substituídos por tecnologia digital, o que os tornou mais rápidos e baratos.

Algumas iniciativas, como o surgimento de uma rede de arquivos e acervos ajudaram a organizar o conhecimento sobre o material existente e sua localização. A troca entre pesquisadores e técnicos de preservação tornou-se mais frequente. Mais de entretenimento

Embora a preservação ainda se ressinta do baixo número de especialistas, já foi criada uma rede de laboratórios universitários de preservação, a partir do Lupa, criado pela Universidade Federal Fluminense. Leia também: Musical reconta vida de Zezé Motta entre o sucesso na arte e a violência do racismo

Se isso promove as escolas de cinema a "lugares de memória", como define Hallak, esses avanços não a fazem se entusiasmar demais. Para ela, ainda falta um plano geral de preservação —o que envolve o governo federal— e a consciência da importância da preservação pelos próprios profissionais de cinema.

Talvez por isso a CineOP não se dedique apenas à exibição de filmes, mas à promoção de seminários em que questões de preservação e restauro são debatidas. Promove também este ano, pela primeira vez, uma mostra competitiva com filmes criados com base em imagens de arquivo. Entre eles, um diz respeito a Jean-Claude Bernardet e sua parceria com Luiz Sergio Person no projeto, nunca realizado, de "A Hora dos Ruminantes", além de um autorretrato de Jorge Bodanzky.

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