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'Língua dos anjos': a fervorosa maneira como pentecostais oram

'Língua dos anjos': a fervorosa maneira como pentecostais oram Crédito, Domínio Público Article Information Author, Edison Veiga Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC

'Língua dos anjos': a fervorosa maneira como pentecostais oram
'Língua dos anjos': a fervorosa maneira como pentecostais oram
Paulo escrevendo suas cartas, em pintura do século 16

Crédito, Domínio Público

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    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • 29 abril 2026, 14:56 -03
    Atualizado Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

"Mesmo que eu fale em línguas, a dos homens e a dos anjos, se me falta o amor, sou um metal que ressoa, um címbalo retumbante."

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Assim escreveu o apóstolo cristão Paulo, em carta enviada ao povo de Corinto, histórica cidade da Grécia antiga.

No mesmo documento, ele afirmou que "há diversidade de dons da graça, mas o Espírito é o mesmo". E quando enumerou, pontuou "a outro, o dom de falar em línguas".

"Graças a Deus eu falo em línguas mais do que todos vós", acrescentou Paulo. E anotou ainda que "aquele que fala em línguas não fala aos homens, mas a Deus". Leia também: Como possível ação dos EUA no Irã elevou petróleo ao maior nível desde 2022

Estes são alguns dos trechos que costumam ser usados com mais frequência para justificar biblicamente o fenômeno da glossolalia, manifestação religiosa comum nos meios cristãos de viés pentecostal, tanto em denominações evangélicas como no movimento da Renovação Carismática Católica (RCC).

No evangelho atribuído a Marcos, o relato das aparições de Jesus aos seus seguidores após a morte inclui um trecho em que ele ordenaria que aquele grupo original se espalhasse pelo mundo pregando "a todas as criaturas".

"E eis os sinais que acompanharão os que houverem crido: em meu nome, expulsarão os demônios, falarão novas línguas, pegarão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal isto não lhes causará mal algum", registrou o evangelista.

Por fim, também há referências sobre essas línguas estranhas no livro dos Atos dos Apóstolos, que no cânone bíblico sucede os quatros evangelhos e traz os relatos dos primeiros trabalhos empreendidos pelos cristãos no esforço de cristianização.

No segundo capítulo do livro, no episódio chamado de Pentecostes, os primeiros seguidores de Jesus estão reunidos e, segundo o texto, recebem o Espírito Santo. Mais de mundo

Uma das consequências foi que "se puseram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia exprimirem-se".

Bem mais adiante, no mesmo livro, há o relato da chegada de Paulo à comunidade de Éfeso, na atual Turquia. Ele teria convertido um grupo de cerca de 12 pessoas.

"Paulo lhes impôs as mãos, e o Espírito Santo veio sobre eles; falavam em línguas e profetizavam." Leia também: O que explica derrota histórica de Lula no Senado (e qual recado envia ao STF)

Na interpretação cristã fundamentalista contemporânea, o fenômeno é chamado de "língua dos anjos".

Há nuances de interpretação um pouco diferente conforme os grupos, mas em geral entende-se essa manifestação fervorosa de fé como uma das consequências do chamado batismo no Espírito Santo, ou seja, de uma conversão genuína em que a pessoa recebe o próprio Deus em sua forma espiritual e assume uma mudança radical de vida, a serviço de um propósito sagrado.

Modelo americano

Essa busca mais espiritualizada da experiência religiosa cristã se intensificou no fim do século 19 e início do século 20, sobretudo em algumas comunidades protestantes dos EUA.

O episódio conhecido como Avivamento da Rua Azusa, ocorrido há 120 anos, em abril de 1906, é considerado o marco fundador do pentecostalismo cristão como vertente que existe hoje.

No catolicismo, movimento semelhante foi chamado de Renovação Carismática. Nasceu também nos Estados Unidos, mas apenas em 1967, e chegou ao Brasil dois anos depois.

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Legenda da foto, Obra de 1304, de Giotto, representa os apóstolos reunidos no dia de Pentecostes

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Legenda da foto, Teresa D'Ávila, em pintura de 1650

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