Leitura pode adiar a chegada do Alzheimer em meia década, revela pesquisa No Dia Mundial do Livro, uma notícia que encoraja (ainda mais) o virar de páginas e o aprendizado: ler ao longo da vida é poderoso para a cognição Quer afastar a doença de Alzheimer? Então comece a ler mais.
Hoje mesmo. O conselho vem de uma análise robusta conduzida por pesquisadores da Universidade Rush, nos Estados Unidos. Eles concluíram que pessoas que se dedicam a livros e estudos ao longo da vida estão protegidos do problema neurodegenerativo por mais tempo.
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Na prática, indivíduos com maior nível de empenho nessas atividades intelectuais apresentavam comprometimento cognitivo leve – estágio que precede o Alzheimer – sete anos mais tarde que aqueles que pouco se dedicavam a isso. Também desenvolviam a doença propriamente dita numa média de cinco anos mais tarde. Um impacto expressivo.
O trabalho, publicado no periódico da Academia Americana de Neurologia, colheu o histórico de vida e acompanhou por aproximadamente oito anos quase 2 mil pessoas na faixa entre os 70 e os 90 anos. Os participantes eram submetidos a exames e testes neuropsicológicos periodicamente e respondiam a questionários que avaliavam seus hábitos de leitura e aprendizado ao longo do tempo. Isso incluía ter contato com jornais, revistas e enciclopédias, frequentar bibliotecas, ler ou ouvir histórias para outras pessoas, aprender um idioma, entre outras tarefas, desde a infância. Leia também: Gisele Bündchen e o veganismo: entenda as discussões levantadas por relato da modelo
Segundo os autores, o objetivo foi mensurar o engajamento nessas atividades durante a vida, e qual a sua relação com o surgimento do declínio cognitivo e da demência com o envelhecimento. + Efeitos da leitura na prática
O estudo da Universidade Rush descobriu que 551 idosos monitorados desenvolveram Alzheimer e 719 passaram a encarar o comprometimento cognitivo leve. Foi observada uma associação direta entre a maior dedicação a atividades intelectuais como a leitura e um risco quase 40% menor de receber o diagnóstico de Alzheimer no período contemplado. Em números absolutos, os cientistas notaram que as pessoas fãs de leitura e outras tarefas que trabalham a cognição apresentaram comprometimento cognitivo leve apenas aos 85 anos, em média, em comparação à faixa de 78 anos do público com menor enriquecimento mental.
Em relação ao Alzheimer, pessoas mais intelectualizadas desenvolveram sinais da doença aos 94 anos, em média, enquanto aquelas com menor exposição a esse tipo de atividade já enfrentavam sintomas aos 88 anos. “ O hábito de leitura cria conexões entre os neurônios que ajudam a manter o funcionamento do cérebro ao longo do envelhecimento.
A hipótese que a gente tem é que isso aumenta a chamada reserva cognitiva”, diz a neurologista Elisa de Paula Resende, coordenadora do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN). A médica compara o cérebro a um músculo, que se torna mais robusto e resiliente à medida que se treinam as células com estímulos. “Nesse contexto, quando uma doença como o Alzheimer surge, o cérebro tem muito mais conexões para compensar a perda de neurônios, o que posterga o aparecimento dos sintomas”, explica. Mais de saude
Ou seja, a reserva cognitiva, alimentada desde cedo pela leitura e outras tarefas relacionadas a aprendizado, adia a chegada da perda de memória, da dificuldade de raciocínio e da redução progressiva da autonomia do idoso – cenário clássico na doença de Alzheimer. Pesquisa nacional
A neurologista Elisa de Paula Resende é entusiasta e estudiosa desse poder da leitura e do aprendizado em prol da saúde cognitiva. Hoje a especialista se dedica a uma pesquisa que avalia o impacto dessas atividades entre adultos que não foram alfabetizados – uma realidade ainda expressiva no Brasil. “ Leia também: Essa imagem explica por que os seus movimentos dependem dos tendões; veja
Sabemos que pessoas analfabetas têm um risco até cinco vezes maior de ter demência em comparação às alfabetizadas”, contextualiza a médica, que atua na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nosso estudo está demonstrando que os indivíduos alfabetizados na vida adulta também criam mais conexões cerebrais”, conta. “Descobrimos que seis meses de alfabetização já levaram a uma melhora das funções executivas, ou seja, das capacidades que nos permitem tomar decisões, realizar julgamentos e fazer diversas tarefas ao mesmo tempo”, relata Resende.
Por meio de exames o time da UFMG também observou que esse período de imersão nas letras já propiciou um remodelamento das conexões nervosas. “ As pessoas que estudaram por seis meses ficaram com conexões mais fortes no hipocampo, área relacionada à memória, e mais fracas no córtex frontal, o que significa que elas conseguem ter mais flexibilidade de raciocínio”, detalha a neurologista.
Em poucas palavras, nunca é tarde para começar (ou voltar) a ler e estudar.
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