Mundo: Notícias Globais em Panorama
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Crédito, Raquel Cunha/TV Globo
- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 5 min
Laura Cardoso, morta aos 98 anos nesta terça-feira (18/8), nunca se aposentou.
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"Aposentadoria é quando você morre", costumava dizer em entrevistas ao longo das últimas décadas, quando surgia, inevitavelmente, a pergunta sobre quando pretendia deixar os palcos e se afastar das câmeras.
Nos últimos anos, a atriz já havia adotado um ritmo mais lento— sua última novela foi A Dona do Pedaço, de 2019, na qual entrou já na metade da trama. Mas, até o ano passado, ela continuava trabalhando— seu último papel foi o de uma idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus, no curta-metragem Dona Rosinha.
Uma de suas últimas aparições públicas, aliás, revelou o que a artista, nascida em 1927, representou para uma geração de atores: uma professora. Leia também: O que faz Cuba depender do exterior para alimentar sua população
"É a minha mestra, a minha professora. Só não pegou aula com ela quem é burro", afirmou Susana Vieira, de 83 anos, ao ser homenageada ao lado da atriz em uma calçada da fama montada pela TV Globo em seus estúdios no Rio de Janeiro.
Vieira não detalhou quais foram as lições que tomou com Cardoso, mas a atriz era lembrada pelos colegas de trabalho, tanto à frente quanto atrás das câmeras, como alguém que encarava a televisão sem vaidades e tratava o ofício artístico como qualquer outro, com dedicação acima de tudo.
"É uma coisa trabalhosa, que chega a dar canseira física, sabe? Quando você está estudando, fica quase que 24 horas ao redor do texto", contou a atriz em entrevista ao Itaú Cultural para a gravação de vídeos exibidos em uma mostra em sua homenagem, realizada em 2017, em São Paulo.
"Você não pode largar, se é que você quer fazer um bom trabalho. Se é para decorar e falar o que está escrito, aí tudo bem. Mas, se você quiser realmente formar um personagem, construir um personagem que tenha cara, corpo, alma, aí dá trabalho."

Crédito, João Miguel Júnior/TV Globo Mais de mundo
Na mesma mostra, em vídeos exibidos no espaço da avenida Paulista, colegas lembravam Cardoso como uma atriz que poderia até exagerar no preparo, por ser pouco afeita à improvisação— a ponto de ficar brava quando, não só os colegas, mas ela própria esquecia uma única palavra do roteiro.
Laura reconhecia as críticas, mas justificava sua postura dizendo que, mesmo naquela altura, depois de mais de seis décadas de carreira, não se sentia confortável em afrouxar seu método de preparo.
"É meio doído, viu? Eu fico muito mal quando vou construir um personagem. Fico no escuro, como se estivesse num breu, aí eu vou lendo, pensando, pesquisando e, aos poucos, vou vendo meu personagem, vendo como é a cara, o corpo", ela explicou. Leia também: Morre aos 101 anos o preso mais velho dos EUA — que recebeu oito vezes
"As pessoas dizem: 'Não precisa tanto'. Mas, para mim, precisa, senão vou me sentir insegura. Preciso de tempo para pensar, para ler, para decorar, para tudo."
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Aos seis anos, ela e uma amiga vestiam as roupas das mães e encenavam teatrinhos na rua. Aos 15, contrariando a resistência dos pais, decidiu tentar a sorte no rádio.
Em 1942, fez um teste na Rádio São Paulo, mas não chegou a trabalhar na emissora. No mesmo ano, porém, foi à Rádio Cosmos, onde acabou aprovada para atuar em radionovelas.


