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Jornalista revela estratégia do papa Francisco para eleger Leão 14 no conclave após sua morte

Jornalista revela estratégia do papa Francisco para eleger Leão 14 no conclave após sua morte Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, O papa Leão 14 é fotografado

Jornalista revela estratégia do papa Francisco para eleger Leão 14 no conclave após sua morte
Jornalista revela estratégia do papa Francisco para eleger Leão 14 no conclave após sua morte
Papa Leão 14 visto de lado, com o os olhos apontados para baixo

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, O papa Leão 14 é fotografado no interior da Igreja de Nossa Senhora de Muxima, durante sua viagem apostólica à África, em Muxima, Angola, em 19 de abril de 2026
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    • Author, João Caminoto
    • Role, De Paris para a BBC News Brasil
  • 21 abril 2026
  • Tempo de leitura: 9 min

A jornalista argentina Elisabetta Piqué tem uma intimidade incomum com os bastidores do poder no Vaticano que torna muito especial o seu olhar sobre o pontificado de Leão 14. O papa Francisco, inclusive, batizou os seus filhos e celebrou o seu casamento.

O mundo perdeu Francisco há um ano, em 21 de abril de 2025, aos 88 anos. Ele foi o primeiro papa sul-americano e jesuíta da história da Igreja Católica.

Correspondente em Roma do jornal argentino La Nación há mais de vinte anos e uma das mais respeitadas vaticanistas do mundo, Piqué acaba de lançar, em coautoria com o marido, o jornalista irlandês Gerard O'Connell, correspondente da revista America Magazine no Vaticano, o livro The Election of Pope Leon XIV - The Last Surprise of Pope Francis ("A eleição do papa Leão XIV - a última surpresa do papa Francisco", em tradução literal).

A obra — lançada na Europa em inglês, francês e espanhol, mas ainda sem previsão de lançamento no Brasil — reconstitui, com detalhes inéditos, os dias que separaram a morte de Francisco da eleição de Robert Francis Prevost, o primeiro papa americano da história, em 8 de maio do ano passado.

O livro revela que Prevost sabia que era candidato, mas foi para o conclave convicto de que um americano jamais seria eleito. Leia também: Quem foi São Jorge, padroeiro do Rio de Janeiro e da Inglaterra

Também aponta que o papa Francisco deixou sinais de que não queria um cardeal da ala mais conservadora como sucessor e que a candidatura de Prevost foi construída nos bastidores com inteligência cirúrgica.

O próprio Francisco, embora nunca pudesse escolher o seu sucessor, criou todas as condições para que aquela eleição fosse possível, segundo Piqué. Em um livro recente citado pela vaticanista, Francisco chegou a dizer: "Prevost é um homem santo".

Mas o pontificado de Leão 14, prestes a completar seu primeiro ano, já não cabe mais apenas nos bastidores do conclave. Nas últimas semanas, o papa, visto como mais sereno e silencioso do que seu antecessor, deu uma demonstração de que serenidade não significa passividade.

Em momento em que o governo de Donald Trump intensificava sua retórica sobre guerras justas e deportações em massa, Leão 14 respondeu com um tom que surpreendeu analistas: declarou que a guerra em curso não é justa, defendeu os migrantes venezuelanos — causa que conhece de perto desde os tempos em que era bispo no Peru — e recusou-se a entrar em confronto direto com Washington, e também a calar-se.

"Não vou parar de fazer o que é meu dever como chefe da Igreja Católica", disse. Foi Trump quem o criticou primeiro. O papa não procurou o embate — mas não se esquivou. Mais de mundo

Para Piqué, esta postura não é uma novidade nem uma ruptura, mas a continuação de uma tradição vaticana de soft power para influenciar as decisões e comportamentos de outros atores do tabuleiro político global.

O que é novo é o contexto — e o fato de o papa ser americano. Nascido em Chicago, Leão 14 conhece a dinâmica política dos Estados Unidos como nenhum de seus predecessores. E isso, nota a vaticanista, transformou o que antes era visto como um obstáculo à sua eleição em uma das suas maiores forças. Leia também: Tomar chuva faz bem? Veja quatro benefícios apontados pela ciência

Piqué falou à BBC News Brasil sobre o que o pontificado de Leão 14 já revela — e o que ainda está por revelar.

Jornalistas Elisabetta Piqué e Gerard O'Connell usam roupas social e seguram livro que estão lançando

Crédito, Arquivo pessoal/Divulgação

Legenda da foto, Gerard O'Connell e Elisabetta Piqué posam com a edição em espanhol do livro que acabaram de lançar

BBC News Brasil - Quase um ano após o conclave, as expectativas em torno do papa Leão 14 estão sendo atendidas?

Elisabetta Piqué - Completamente, sim. E acho que, além de todas as diferenças — claro, não podemos ter uma fotocópia do papa Francisco, não é um clone. Ele tem o seu estilo, tem a sua própria mente — ele está seguindo o papa Francisco. E o que vimos nos últimos dias confirma isso.

BBC News Brasil - A senhora se refere às declarações endereçadas a Donald Trump?

Leão 14 acompanhado de membros do clero deixando a Igreja Nossa Senhora de Fátima em Luanda, Angola, em 20 de abril de 2026
Legenda da foto, 'O que aconteceu é que ele está na sua terceira viagem internacional à África, e seja o que for que diga, todo mundo vai ligar ao Trump' (foto: Leão 14 acompanhado de membros do clero deixando a Igreja Nossa Senhora de Fátima em Luanda, Angola)

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