
Crédito, Divulgação/SENAD
- Author, Iara Diniz
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Há 49 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Para vizinhos e amigos, ele era José Carlos Vieira, apenas um comerciante que levava uma vida discreta.
Ninguém suspeitava que, décadas antes, ele havia sido condenado no Brasil por um crime brutal.
A vida construída com base em documentos falsos começou a ruir na manhã de quarta-feira (15/4), quando Marcos foi abordado por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) ao sair de um estabelecimento em San Lorenzo, a cerca de 15 quilômetros da capital, Assunção.
"Marcos!", chamaram os policiais. A reação do brasileiro foi imediata.
"Ele olhou para os agentes com uma expressão de espanto. Era como alguém que não ouvia o próprio nome há muitos anos, e se surpreendia ao ouvi-lo novamente. Ele ficou paralisado", relatou à BBC News Brasil o ministro responsável pela Senad, Jalil Rachid. Leia também: Como a Terra mudou em 58 anos: o que revelam as fotos icônicas das missões Apollo 8 e Artemis 2
Marcos estava foragido da Justiça brasileira havia mais de 30 anos. Ele foi condenado por matar a ex-mulher, Fernanda Estruzani, com 72 facadas. O crime ocorreu em agosto de 1989, dentro do apartamento de Fernanda, em Londrina, no Paraná.
Na época, o caso foi tratado como homicídio — o crime de feminicídio ainda não existia na legislação brasileira.
Marcos chegou a passar por dois júris em liberdade. Mas antes que o terceiro julgamento acontecesse, em 1995, ele desapareceu.
Desde então, seu nome constava na difusão vermelha da Interpol, lista de criminosos procurados internacionalmente.
"Esse era um dos alertas vermelhos ativos mais antigos da Polícia Federal na Interpol", disse o superintendente da PF no Paraná, Rivaldo Venâncio. Mais de mundo
Em 2008, com a mudança na legislação que passou a permitir julgamentos sem a presença do réu, Marcos foi condenado à revelia a 19 anos de prisão.
Mas nunca cumpriu a pena, que o manteria preso até 2028, porque não havia sido localizado — até a quarta-feira. Leia também: Por que filme sobre Michael Jackson 'tem tudo para ser o pior de 2026', segundo crítico da BBC
O crime

Crédito, Reprodução/Folha de Londrina
Fernanda Estruzani tinha 21 anos quando foi morta, em 6 de agosto de 1989. Marcos tinha 23 anos.
De acordo com o Ministério Público do Paraná, o casal tinha uma filha pequena e estava separado havia cerca de dois anos, mas ele não aceitava o fim do relacionamento.
Na manhã do crime, Marcos foi até o prédio onde Fernanda morava, no centro de Londrina.
Após a ex-mulher ter se recusado a deixá-lo entrar, ele invadiu o local, onde encontrou Fernanda com um namorado.
Julgamentos e fuga

Fuga e vida no Paraguai
Cooperação entre as polícias

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