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James Franco ganha destaque após novo desdobramento em sim, a concorrência é

Sim, a concorrência é renhida, mas o século XX é um candidato respeitável ao mais infame da história, com o totalitarismo, o Gulag e o Holocausto

James Franco ganha destaque após novo desdobramento em sim, a concorrência é

Sim, a concorrência é renhida, mas o século XX é um candidato respeitável ao mais infame da história, com o totalitarismo, o Gulag e o Holocausto. E olhem que o século passado foi minorquinha: começou em 1914 (com a I Guerra Mundial e o fim da Belle Époque) e acabou em 1989 (com a queda do Muro e o fim da Guerra Fria). George Orwell e Aldous Huxley assinaram aguçadas denúncias daquelas distopias, mas discordaram no diagnóstico.

Orwell descreve uma sociedade controlada pela coerção e pela censura (aquilo que detestamos). Huxley apresenta uma sociedade domesticada pelo prazer e o entretenimento (aquilo que amamos). No desfecho de “1984”, Orwell capitula:

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“ A escolha do género humano era agora entre a liberdade e a felicidade, e, para a grande maioria, a felicidade era preferível. ”

Em “Blank Space: A Cultural History of the Twenty-First Century’’, W. David Marx alega que no século XXI não corremos o risco de ser felizes: ele será chato e comprido. Pois a cultura descambou num piloto automático, que vira o disco e toca o mesmo (e aquela musiquinha de elevador).

Há dez anos, Alex Ross, crítico da “New Yorker”, já carpiu que “a Internet não cumpriu sua promessa de diversidade cultural”. Em 2023, Jason Farago, no “New York Times”, assinou embaixo: “Percorremos quase um quarto do caminho do que será o século culturalmente menos inovador desde a invenção da imprensa”. Leia também: pesquisa lula flávio bolsonaro: o que muda após lula tem 47% e flávio

The Atlantic choramingou na primeira página: “ Esta é a pior era cultural de sempre?

”. A New York Magazine lançou a sua “Edição Estúpida”, especulando: “2025 é o ano mais parvo já registado?

”, e indicando “12 sinais de uma cultura em declínio”. W. David Marx contrasta tal insipidez com o frenesi criativo dos primeiros 25 anos do século XX e sua ementa de guloseimas estéticas: Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo.

E não foram apenas pirotecnias cosméticas, mas reconfigurações no modo como a consciência humana percebia o seu cantinho no cosmos. Claro que obras continuam a ser servidas. Hoje 300 milhões de terráqueos intitulam-se “criadores de conteúdo”– a maioria a produzir pastiches que já pressagiavam as fancarias velhinhas em folha da IA.

Como as incontinentes reciclagens seriais (“Star Wars”, episódio bilionésimo), ou os enésimos avatares do Batman e do Homem-Aranha, sintomas da nossa adolescência senil. Os anos 2000 nem sequer mereceram uma etiqueta conceitual: são, bem, “os anos 2000”. Mais de noticia

Para o filósofo italiano Franco Berardi, houve um “lento cancelamento do futuro”. O musicólogo Leonard B. Meyer comparou a estagnação cultural com as moléculas no movimento browniano: atividade febril, mas aleatória e errática– muita parra para nenhuma uva. Andamos em círculos como sonâmbulos, no torpor de experimentarmos

“tudo em todo o lado ao mesmo tempo” (aliás, o título daquele filme besta que recebeu o Oscar). Miríades de memes nas redes sociais gozam com o millennial que “assiste ao 173º evento histórico único na sua vida”. O veredito de W. David Marx é patibular:

“ Ao passarmos a pente fino o primeiro quarto do século, sentimos o que está a faltar— há um espaço em branco onde dantes havia arte e criatividade”. O conceito de vanguarda já tinha pifado– na arte contemporânea o foco mudou da ruptura para a desconstrução e o diálogo com o mercado e a tecnologia. Leia também: Musas Fitness ganha destaque após novo desdobramento em as musas fitness são

É bem verdade que as humanidades (arte, filosofia, literatura) e a ciência não prosperam da mesma forma. Um clássico é aquela obra que jamais deixa de vender o seu peixe, pois a cada geração transmite uma nova mensagem. O “Banquete” (380 a.C.) de Platão continua moderníssimo, mas hoje não passaria pela cabeça de um astrofísico partir da “Cosmologia” (150 d.C.) de Ptolomeu (“Basta olhar para o céu e qualquer imbecil pode ver que é o Sol que gira em redor da Terra”).

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A ciência é retilínea e cumulativa; a arte, não. Tristinho, confesso só aqui entre nós: há muito que não salivo pelo lançamento do novo romance de algum ficcionista (a não ser os meus próprios, por mera lealdade), ou pela estreia de um filme ou uma peça de teatro. E tão-pouco pelas críticas que sedimentavam ou demoliam reputações.

Pausa para um bocejo ribombante. O que explica essa ferrugem criativa do século XXI? David não diz, mas há duas digitais no local do crime.

São elas o império dos algoritmos e o “great awokening” (o advento do identitarismo, que obrigou a agenda ativista a fazer o pino, substituindo as classes sociais pelas seitas tribais, amuadas e queixinhas). Hoje os algoritmos escoltam-nos do despertar ao ó-ó. E ainda é tudo recente: nem deu tempo de uma pessoa nascer e morrer de velhice na era das redes sociais.

Sim, artistas conseguem “monetizar” (neologismo horripilante) a sua obra. Mas são intimados a gerar “conteúdo” diariamente, e a satisfazer as demandas ideológicas de seus seguidores, o que implica repetição e inércia– as redes sociais encorajam a bajulação, e ameaçam com o opróbrio. Quem hoje suspiraria como Leonardo Da Vinci no seu leito de morte:

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