A escola infantil de beisebol que vive tragédia após terremotos na Venezuela
Ler matéria →A escola infantil de beisebol que vive tragédia após terremotos na Venezuela: 'Temos muitos falecidos. Estamos mortos por dentro'- Author, Juan Francisco Alonso- Role, BBC News Mundo- Published- Tempo de leitura: 8 min Para os venezuelanos, La Guaira é sinônimo de sol, areia, mar, peixe frito, tambores e, claro, beisebol. O estado litorâneo, vizinho de Caracas, capital do país, não só abriga os Tiburones de La Guaira, um dos oito times da Liga Venezuelana de beisebol profissional.
A região também reúne uma grande rede de escolas onde crianças aprendem, desde muito cedo, a segurar um taco de madeira e rebater a bola. Entre elas estão os Criollitos de Venezuela, organização esportiva com mais de seis décadas de história e considerada por muitos uma verdadeira "fábrica de jogadores".
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" Éramos uma referência para quem organizava eventos esportivos em La Guaira. Conseguíamos realizar atividades que reuniam entre 2 mil e 4 mil crianças", disse Jhorny Sojo, presidente da organização em La Guaira, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Mas o futuro da instituição na região costeira é incerto. Os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho devastaram áreas extensas de La Guaira, deixaram mais de 4,5 mil mortos e quase 17 mil feridos, segundo o balanço oficial mais recente, e atingiram em cheio os Criollitos. Horas depois dos tremores, dirigentes da organização afirmavam que dezenas das 1.110 crianças que treinavam em uma das 22 escolas espalhadas por La Guaira poderiam ter morrido ou estavam desaparecidas.
Alguns veículos locais informaram que o balanço preliminar pode ultrapassar cem vítimas. " Temos muitas crianças mortas, além de dirigentes e treinadores. Leia também: A escola infantil de beisebol que vive tragédia após terremotos na Venezuela
Também há muitos desaparecidos. E nós, que sobrevivemos, morremos por dentro", afirmou Sojo. 'O Sistema' do beisebol
Os Criollitos de Venezuela são uma organização privada sem fins lucrativos criada em 1962 pelo ex-jogador de beisebol Luis "Mono" Zuloaga e pelo médico José Del Vecchio para incentivar o beisebol infantil no país. " Depois de se aposentar do beisebol profissional, 'Mono' Zuloaga abriu uma loja de artigos esportivos e pensou:
'Se montarmos um time, posso vender uniformes, tacos e outros equipamentos'. Dessa ideia, nasceu um projeto grandioso", disse o comentarista esportivo venezuelano Ramón Corro em seu videoblog La Voz del Fanático (A Voz do Fanático, em tradução literal). No começo, a iniciativa enfrentou resistência das autoridades.
Elas entendiam que a organização interferia nas atribuições do Instituto Nacional do Esporte (IND, na sigla em espanhol) e da Federação de Beisebol Infantil, responsáveis por organizar o beisebol de competição. " Nossa filosofia é diferente.
Usamos o beisebol para formar bons cidadãos que sejam úteis ao país", disse Delia Yépez de Quevedo, presidente nacional da organização, à BBC News Mundo. Sojo fez uma avaliação semelhante. " Mais de mundo
Os Criollitos são uma das maiores fábricas de jogadores das Grandes Ligas do país. Mas foi o alto nível de competitividade do beisebol venezuelano que nos levou a isso", afirmou. Talvez por isso, os dirigentes comparem a organização ao Sistema Nacional de Orquestras Juvenis e Infantis (conhecido como El Sistema, ou O Sistema em português), criado na década de 1970 para oferecer formação musical a crianças de famílias de baixa renda e afastá-las da criminalidade.
Mais de seis décadas depois, os Criollitos mantêm escolas e academias esportivas nos 24 estados da Venezuela. Segundo Yépez de Quevedo, cerca de 40 mil crianças e adolescentes de 4 a 18 anos fazem parte das centenas de equipes distribuídas por suas 600 ligas. Mas Yépez de Quevedo afirmou que, antes da pandemia de Covid-19 e da onda de emigração de venezuelanos, a organização chegou a reunir 100 mil crianças e adolescentes.
Ao longo dos anos, os Criollitos revelaram jogadores como Andrés Galarraga, Omar Vizquel, Bob Abreu e Johan Santana, que atuaram tanto nas principais equipes venezuelanas quanto nas Grandes Ligas dos Estados Unidos. Outro ex-integrante de destaque é Omar López, técnico que comandou a seleção venezuelana na conquista do Clássico Mundial de Beisebol neste ano, lembrou Yépez de Quevedo. Os mais novos foram os mais atingidos Mais de duas semanas depois dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, os Criollitos de Venezuela ainda não conseguiram fechar um balanço definitivo das vítimas. Leia também: Chesley Sullenberger, piloto que pousou avião no rio Hudson, em Nova York
" Precisamos fazer um levantamento para saber quantos de nós restaram, quem sobreviveu, onde essas pessoas estão e em que condições se encontram [.] Mas, neste momento, nossa prioridade é ajudar quem ainda está conosco", explicou Sojo. Segundo o dirigente esportivo, os números preliminares que apontam dezenas de crianças mortas, desaparecidas ou feridas foram levantados a partir dos registros das escolas localizadas nas áreas atingidas pelos terremotos.
Yépez de Quevedo, por sua vez, admitiu que o total de vítimas "pode ser maior" das mais de cem registradas inicialmente. Segundo ela, as informações reunidas pela organização indicam que a chamada categoria de iniciação foi a mais atingida. "
Recebi informações de que os mais afetados foram os menores, os da categoria de iniciação", disse ela à BBC News Mundo. "Estamos falando de crianças entre quatro e cinco anos", lamentou. Mas como essas crianças perderam a vida?
" Naquele dia, como era feriado, as crianças estavam com as suas famílias. Não participavam de nenhuma atividade da organização", explicou Yépez de Quevedo.
" Em Catia La Mar, por exemplo, há várias escolas ligadas à nossa instituição. O bairro foi completamente devastado, com prédios e casas destruídos.
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