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Itamaraty diz que governo Trump não respeitou 'boas práticas' ao expulsar delegado brasileiro

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Itamaraty diz que governo Trump não respeitou 'boas práticas' ao expulsar delegado brasileiro
22.abr.2026 às 18h59
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Isabella Menon
Washington

O Itamaraty afirmou, nesta quarta-feira (22), que a expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava no ICE, serviço de imigração dos EUA, viola a "boa prática diplomática entre nações amigas, como o Brasil e os Estados Unidos, ao longo de mais de 200 anos de relação".

Ivo de Carvalho exercia a função de oficial de ligação junto ao ICE, em Miami, e chegou no Brasil na noite desta terça-feira (21). Ele foi expulso dos Estados Unidos após o caso que levou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), na semana passada.

Agente do ICE de costas com jaqueta preta e letras amarelas, em corredor interno, conversa com duas pessoas encapuzadas e com roupas escuras.
Agente do ICE, o serviço federal americano de imigração - Charly Triballeau - 17.mar.26/AFP

A prisão de Ramagem foi anunciada pela Polícia Federal como uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos. Com visto vencido, mas com pedido de asilo iniciado, o ex-deputado foi solto dois dias depois.

Após a soltura, houve uma pressão de aliados bolsonaristas, como o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em Washington.

Em um vídeo gravado nas redes sociais, eles afirmaram na quinta-feira (16) que o governo Lula iria sofrer as consequências pela prisão de Ramagem. Nesta terça-feira, o Departamento do Estado comunicou o pedido da saída de Ivo de Carvalho do país.

Na tarde da terça-feira, autoridades brasileiras se reuniram com uma representante dos EUA, Kim Kelly, que é a encarregada de negócios interina da embaixada e consulado, para tratar do caso. O Itamaraty confirmou em nota a reunião, promovida em decorrência de um comunicado verbal dos EUA sobre "a interrupção imediata do exercício de suas funções oficiais em território norte-americano", em referência ao caso de Ivo de Carvalho. Leia também: Flávio diz que Zema é vítima de militância do Judiciário e volta a acusar STF de interferência eleitoral

Segundo a pasta, "o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança".

Agora, o Itamaraty afirma que "os termos da aplicação da reciprocidade foram também transmitidos verbalmente à representante da embaixada, e envolvem a interrupção imediata do exercício de funções oficiais de representante norte-americano de área homóloga em território brasileiro".

Ainda segundo o Itamaraty, a representantedos EUA foi informada, "também verbalmente, que o governo brasileiro aplicará o princípio da reciprocidade diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso".

Mais cedo, em entrevista à GloboNews, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse que o bloqueio ao sistema de dados da PF contra o servidor americano vai durar até que seja esclarecido o motivo que levou os EUA a tomarem as atitudes contra o agente brasileiro.

"Esse policial norte-americano, que até então trabalhava dentro de uma unidade nossa da PF, deixa de ter acesso a algumas bases de dados que nós fornecemos para essas cooperações, assim como nosso servidor lá em Miami teve", disse. Mais de politica

Andrei também afirmou que, até o momento, a PF não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o ocorrido com Marcelo Ivo. "Ao chegar ao trabalho, o policial brasileiro teve a credencial de acesso ao sistema negado. Portanto, entendi que seria mais prudente mandar ele voltar ao Brasil", declarou.

O chefe da PF também considerou "risível" a alegação do governo Trump de que o funcionário teria atuado para manipular o sistema de imigração e "contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território" americano. Leia também: Defesa pede a Moraes autorização para cirurgia no ombro de Bolsonaro

"Não é possível imaginar que um policial está nos EUA para enganar as agências americanas e ludibriar um processo que a própria agência que ele está lotado produz", declarou.

Na terça-feira, o presidente Lula já havia afirmado em entrevista na Alemanha que o Brasil iria aplicar o princípio da reciprocidade.

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