Droga experimental reduz acúmulo de proteína associada ao Alzheimer, mostra
Ler matéria →Ir ao dentista com dengue pode ser perigoso? O que diz a ciência Pacientes com dengue precisam de cautela no dentista pois a doença afeta a coagulação. Por outro lado, a boca pode sinalizar sua presença Quando os casos de dengue voltam a subir em alguma cidade brasileira, também ressurge o alerta de que ir ao dentista durante a infecção pode ser fatal.
Como especialista atuante na área, afirmo que essa sentença é um mito que precisa ser desconstruído, embora a doença exija, de fato, extrema cautela. O que ocorre no organismo de um paciente infectado é uma alteração significativa na cascata de coagulação e na integridade vascular. A infecção provoca a trombocitopenia, que é uma queda acentuada do número de plaquetas, células fundamentais para a formação de coágulos, além de induzir o aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos.
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Por ser a cavidade bucal uma região altamente vascularizada, procedimentos invasivos como extrações de dentes, implantes e cirurgias gengivais dependem de um sistema de coagulação eficiente. Na fase aguda da dengue, se a contagem de plaquetas estiver abaixo de 50.000/mm³, uma intervenção cirúrgica pode desencadear uma hemorragia de difícil controle, com risco de choque hipovolêmico ou obstrução das vias aéreas. Por isso, procedimentos eletivos e invasivos são terminantemente proibidos até 48 horas após o fim da febre. Leia também: Ir ao dentista com dengue pode ser perigoso? O que diz a ciência
Contudo, o atendimento não é totalmente vetado: avaliações clínicas visuais e orientações de higiene estão liberadas e são até recomendadas para monitorar o paciente sem expô-lo a riscos. A boca como sinal precoce da doença O que muitos desconhecem é que a odontologia desempenha um papel fundamental no diagnóstico precoce da doença.
A boca apresenta manifestações clínicas em até 30% dos infectados, sendo frequentemente o primeiro local onde os sinais de alerta se tornam visíveis. O sangramento gengival espontâneo ou após traumas mínimos (como a escovação) é a manifestação bucal mais comum. No entanto, também podem surgir manchas vermelhas ou roxas no palato, úlceras, crostas hemorrágicas nos lábios e alteração no paladar, com gosto metálico.
Dengue x gengivite comum É essencial saber diferenciar esse quadro de uma inflamação comum. Diferente de uma gengivite crônica onde o sangramento é provocado pelo toque, o sangramento da dengue tem início súbito, é desproporcional ao toque e vem acompanhado de febre, dor no corpo e prostração extrema. Mais de saude
Nesses casos, o paciente deve suspender temporariamente o uso do fio dental, adotar uma escova ultramacia e buscar atendimento médico e odontológico imediato. Mesmo após a alta médica, o sistema de coagulação não se normaliza instantaneamente, levando de uma a duas semanas para a plena recuperação. Para retomar tratamentos invasivos de rotina, a recomendação é aguardar de 14 a 21 dias após o fim dos sintomas e apresentar um hemograma completo ao dentista.
E as urgências durante a fase aguda? Mas e se houver uma urgência dolorosa, como um abscesso ou uma inflamação de canal no pico da doença? O protocolo clínico exige a intervenção mínima necessária: a prescrição de analgésicos seguros (como paracetamol ou dipirona), sendo absolutamente proibido o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (como ibuprofeno) e ácido acetilsalicílico (AAS), medicamentos que inibem a função plaquetária e aumentam drasticamente o risco de hemorragia grave. Leia também: Droga experimental reduz acúmulo de proteína associada ao Alzheimer, mostra
A abordagem do cirurgião-dentista deve ser extremamente conservadora, focada no alívio da dor e no controle de infecções em comunicação direta com a equipe médica. A prática odontológica durante a dengue exige conhecimento local, sistêmico e diálogo interdisciplinar. A vida do paciente sempre deve vir em primeiro lugar, e a dor odontológica precisa ser manejada com ciência e segurança.
*Vinicius Pioli Zanetin é membro da Câmara Técnica de Estomatologia e da Comissão de Políticas Públicas do Comitê Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), especialista em estomatologia, cirurgia e traumatologia buco maxilo facial e odontologia hospitalar.
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