Quando Belchior misturou Beatles, Dylan e baião para criar disco que o lançou
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Crédito, Daniel Arce-Lopez / BBC News Brasil
- Author, Matheus Gouvea de Andrade
- Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 10 min
"Vc (sic) entendeu que ficar com gordinha no Brasil não ia te dar futuro, hoje vive na Rússia bem."
Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama
"Você é pedreiro mas está na Rússia namorando uma loira."
"Você tem skin saBOOUR pedreiro mas está na Rússia".
As frases acima foram encontradas pela BBC News Brasil em postagens de influenciadores do Brasil feitas ao longo do último ano no TikTok. Leia também: O campo de golfe que era símbolo de opulência e virou refúgio da devastação
Usando hashtags como #partiuRússia e #mulheresrussas, eles promovem conteúdos sobre as supostas vantagens que brasileiros encontram ao se relacionar com mulheres russas.
Os perfis contam com uma série de estratégias para ganhar dinheiro com o conteúdo que publicam. A maioria diz trabalhar com marketing digital e oferece cursos e mentorias que ajudariam quem compra seus serviços a atingir o mesmo estilo de vida (o que envolve coisas como nomadismo digital, faturamento com produção de conteúdo online, carros de luxo e viagens pelo mundo), além das parceiras estrangeiras.
Outros elementos presentes comuns são viagens a destinos nos Emirados Árabes Unidos e fotos com carros esportivos.
No exterior, esse tipo de conteúdo ficou famoso especialmente entre americanos, que gravam mulheres em países como Colômbia, Filipinas, Ucrânia e até Brasil, muitas vezes sem permissão.
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Nas postagens, os influenciadores contam como viajam ao exterior para encontrar mulheres para se relacionar e costumam listar aspectos que tornariam as mulheres locais mais "fáceis" e os estrangeiros, desejados. Os homens, em sua maioria de países ocidentais, que fazem isso são conhecidos como "passport bros".
"É um tipo de conteúdo click-bait que chama muito a atenção online", afirma Julia Meszaros, socióloga com foco em globalização, gênero e migração internacional, e professora na East Texas A&M University, nos Estados Unidos. Leia também: Quando é o próximo jogo do Brasil na Copa e quem será o adversário? Os cenários
"Há diversas formas de ganhar dinheiro com isso. É uma venda de uma série de fantasias que é muito lucrativa."
No caso brasileiro, os conteúdos ressaltam como é "fácil conseguir uma namorada em uma semana" na Rússia, alegando que é possível ser atraente no país mesmo "sem dinheiro" e "skin", termo frequentemente usado por esses influenciadores para descrever atribuições físicas.
Em contraponto, as mulheres brasileiras são desqualificadas de uma série de maneiras. Estariam "interessadas só em dinheiro", alguns alegam. Outros destacam como as brasileiras seriam vulgares e promíscuas, enquanto as estrangeiras estariam ligadas a valores mais tradicionais e à feminilidade.
"Há uma reestruturação econômica em curso, e muitos homens creem que não conseguem acessar o papel visto como masculino na própria sociedade. Desta forma, quando vão a outro país, eles se sentem empoderados", aponta Meszaro.
"Há ainda uma ideologia muito presente entre o chamado movimento red pill de que as mulheres não são tão femininas em casa", pontua.


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