Trump prefere guerra ideológica com Brasil a interesse estratégico dos EUA
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Crédito, Domínio Público
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 39 minutos
- Tempo de leitura: 6 min
Tradicionalmente, Homero foi considerado um poeta que viveu por volta de 900 anos antes da Era Comum, na Grécia Antiga. Cego, ele teria sido o responsável por escrever dois dos poemas épicos fundamentais da Antiguidade: A Ilíada e A Odisseia.
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Um gênio, portanto— mas que, segundo especialistas, pode nunca ter existido.
Cada vez mais pesquisadores contemporâneos acreditam que Homero, como autor dessas duas obras basilares, não foi um indivíduo histórico. O nome seria a personificação de um coletivo de poetas e editores, de gerações que compilaram tradições orais e as fixaram em texto escrito.
"Não há nenhuma prova de que um autor chamado Homero tenha existido, ao menos enquanto autor de dois grandes clássicos da literatura mundial", diz o historiador André Leonardo Chevitarese, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Leia também: Trump prefere guerra ideológica com Brasil a interesse estratégico dos EUA
"Muito provavelmente, é uma tradição posterior a que vinculou essas duas obras, Ilíada e Odisseia, a um único autor chamado Homero."
Segundo o o historiador Daniel Brasil Justi, professor na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) há um consenso já bem estabelecido no século 21 de que o mais correto seja falar em Homeros e não em um único Homero.
"A gente pode assumir que esses Homeros, no plural, foram os redatores que revisaram e copiaram essas obras em suas versões escritas enquanto a tradição oral não deixava de existir", comenta Justi.
Assim, ele define Homero muito mais como "uma tradição de autores" do que como uma pessoa em si.
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Autor do livro Sábios, Filósofos, Profetas ou Magos? e professor na Universidade de Brasília (UnB), o filósofo Gabriele Cornelli recorda que a questão permeou a primeira aula dada pelo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) na Universidade da Basileia.
"Ele trouxe uma visão muito equilibrada do problema. Disse que Homero era o poeta autor da Ilíada e da Odisseia, mas esta não era uma afirmação histórica, e sim um juízo estético", comenta Cornelli. Leia também: Os curiosos métodos que as pessoas usavam para acordar antes da invenção
"Não adianta procurar o Homero histórico. Resta-nos entender o Homero autor estético, o autor literário."
O professor Cornelli situa as obras atribuídas a Homero, ao lado dos textos da Bíblia judaica, como "os pilares que fundamentam a nossa cultura ocidental".
Fato é que ainda na Grécia antiga já havia se consagrado a ideia de Homero como autor dessas obras importantes.
"Já no 5º século antes de Cristo os jovens estudantes atenienses tinham de aprender [os textos atribuídos a] Homero de cor, e saber inclusive comentar algumas das palavras mais difíceis", diz Cornelli.
Foi nessa época, conta o especialista, que muitos estudantes começaram a notar que havia discrepâncias de estilo em parte dos textos atribuídos a Homero e a marcar as passagens que consideravam de autenticidade duvidosa.

O nome
Mistério eterno
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