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Hantavírus pode virar pandemia? O que dizem os especialistas

O que dizem os especialistas Vírus tem alta letalidade, mas, geralmente, só é transmitido aos humanos por meio do contato com excrementos de roedores O hantavírus

Hantavírus pode virar pandemia? O que dizem os especialistas

Hantavírus pode virar pandemia? O que dizem os especialistas Vírus tem alta letalidade, mas, geralmente, só é transmitido aos humanos por meio do contato com excrementos de roedores O hantavírus apareceu num cruzeiro e assustou o mundo, ainda traumatizado pela crise sanitária causada pela Covid-19 entre 2020 e 2021.

Desde que passaram a circular notícias sobre o surto do ainda pouco conhecido hantavírus no navio MV Hondius muitas pessoas se preocuparam com a possibilidade de se tratar de um novo patógeno capaz de se espalhar e, até, causar uma nova pandemia.

Leia no AINotícia: Panorama da Saúde: Cuidados, Dicas e Pesquisas da Semana

Apesar disso, especialistas ressaltam que as chances de isso acontecer são mínimas, quiçá impossíveis. E os motivos para essa dificuldade vão desde a forma de transmissão da doença até a um paradoxo: ele é tão letal que, por isso mesmo, provavelmente nunca conseguirá se disseminar para milhares de pessoas em um curto espaço de tempo. “Do ponto de vista epidemiológico, de transmissão, ele é muito diferente dos outros vírus respiratórios clássicos que têm papel potencial pandêmico, como influenza ou SARS-CoV-2 [causador da covid-19]”, explica o infectologista Alexandre Naime, chefe do departamento de infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Então, o hantavírus realmente desperta preocupação. Mas não por causa da facilidade de transmissão e sim porque ele leva a quadros extremamente graves”, completa. Portanto, a seguir, entenda por que uma nova pandemia provavelmente não será causada por esse patógeno:

Por que hantavírus não é o novo corona Naime explica que não há evidências de que o hantavírus tenha uma capacidade de gerar transmissão comunitária ampla entre os humanos. Essa característica, por sinal, é uma condição essencial para que se tenha uma pandemia global. Para tanto, há uma série de razões: - Os humanos não são o alvo Leia também: A reposição hormonal na menopausa protege o coração da mulher?

O hantavírus não é, na essência, um vírus muito adaptado para infectar humanos. Ele pertence aos roedores silvestres. Esses animais carregam o vírus na urina, nas fezes e na saliva — e geralmente nem ficam doentes.

Quando um humano inala partículas contaminadas presentes nesse excrementos, o que geralmente ocorre em um celeiro, uma mata ou um ambiente fechado e sujo, pode se infectar. Mas ele acaba, literalmente, “entrando de gaiato no navio”. Quando o vírus cai em uma pessoa, em geral, tem o seu ciclo de transmissão interrompido.

“O ser humano funciona como hospedeiro terminal ou acidental, sem papel relevante na cadeia de transmissão”, diz Naime. Ou seja, entramos no ciclo do vírus por acidente. E, na maioria das vezes, saímos dele sem transmitir nada para mais ninguém.

Sabe a leptospirose, transmitida pelos ratos urbanos? Ela também passa de roedor para humano, mas não de humano para humano. A diferença é que, no caso do hantavírus, isso pode acontecer vez ou outra (mas é raro).

- Transmissão não é fácil Como visto, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. A infecção ocorre, sobretudo, quando partículas contaminadas ficam suspensas no ar e são inaladas em locais fechados, como galpões, depósitos e casas abandonadas. O risco, portanto, é maior em áreas rurais e durante atividades como limpeza de galpões e manejo de grãos. Mais de saude

Mais raramente, o vírus também pode ser transmitido por alimentos contaminados ou mordidas de roedores. E, sim, historicamente, já foi registrado alguns casos, na América do Sul, de transmissão entre pessoas, envolvendo a variante Andes (como ocorreu agora no cruzeiro). Mas, para isso, o vírus exige contato muito próximo e prolongado entre as pessoas.

- Vírus letais têm pouco sucesso Para um vírus virar pandemia, ele precisa se espalhar. E para se espalhar bem, é necessário que o hospedeiro continue de pé, circulando, encontrando outras pessoas. O hantavírus, porém, não colabora com esse plano.

Ele leva o paciente a um estado grave muito rápido. Portanto, o sujeito simplesmente não tem tempo de contaminar muita gente. A covid-19 causou muitas mortes, mas também infectou muita gente. Leia também: Não é verdade que bactéria encontrada em Porto Alegre é a mais perigosa do mundo

Foram mais de 700 milhões de casos confirmados e cerca de 7 milhões de mortes. Ou seja, 10% dos infectados. No caso do hantavírus, a taxa letalidade já foi descrita em até 50%.

As cepas desse vírus que circulam nas Américas, ao infectar humanos, costumam causar um quadro chamado de “síndrome cardiopulmonar pelo hantavírus”. Segundo Naime, essa doença evolui rapidamente de uma febre inicial para insuficiência respiratória e choque cardiovascular. “E todo vírus que tem esse potencial de causar uma doença grave não é essencialmente um bom transmissor, porque ele já determina um desfecho muito grave logo de início”, explica o especialista.

- Quase não existem assintomáticos O hantavírus não costuma produzir cadeias de transmissão silenciosa. Quer dizer, enquanto na pandemia de Covid-19 vários indivíduos assintomáticos conseguiam transmitir amplamente o vírus ao circular sem saber que estavam doentes, a hantavirose quase sempre dá logo as caras, o que antecipa medidas de controle.

“ Os pacientes geralmente adoecem de forma muito importante e rápida, com muitos sintomas graves; portanto, são rapidamente percebidos, o que reduz muito a possibilidade de circulação”, explica o infectologista. - Vírus não é novo

O hantavírus não é novidade, nem mesmo no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 1993 e março de 2026, o Brasil registrou cerca de 2,4 mil casos de hantaviroses, dos quais cerca de 960 culminaram em óbitos. Os anos de 2004 a 2011 foram os que registraram mais casos, com números que flutuaram entre 182 e 116 notificações anuais.

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