
Crédito, Rudson Amorim/ IOC - Fiocruz
- Author, Simone Machado
- Role, De São José do Rio Preto (SP) para a BBC News Brasil
- 11 maio 2026Atualizado Há 2 horas
- Tempo de leitura: 8 min
Os casos de hantavírus em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina rumo à África provocou temor em vários países, já que passageiros de mais de 20 nacionalidades estavam a bordo e começaram a ser repatriados - não há registro de brasileiros entre eles.
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O episódio reacendeu dúvidas sobre uma doença até então pouco falada, mas que está presente no Brasil há mais de três décadas. Apesar de rara, a hantavirose preocupa por sua alta taxa de letalidade e pela rapidez com que pode evoluir para quadros graves.
No Brasil, a doença é considerada endêmica pelo Ministério da Saúde. Isso significa que o vírus circula de forma contínua em determinadas regiões do país, principalmente em áreas rurais.
Apesar disso, a cepa andina do vírus, que foi identificada no navio de cruzeiro, não tem circulação registrada no país - só na Argentina e no Chile. Leia também: A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou sete casos de hantavirose em 2026, com uma morte registrada.
O levantamento é até o dia 27 de abril, data da última atualização do boletim epidemiológico disponível.
Levantamento do órgão feito nas últimas décadas, mostra que o Brasil registrou 2.429 casos confirmados de hantavirose entre 1993 e 2025, com 997 mortes no período.
"Apesar de a doença ser registrada em todas as regiões brasileiras, o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste concentram maior percentual de casos confirmados. A presença de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) até o momento é relatada em 16 Unidades da Federação: Pará, Rondônia, Amazonas, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul", diz o Ministério da Saúde em seu site.
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O ministério ainda reforça que as infecções ocorrem principalmente em áreas rurais, em situações ocupacionais relacionadas à agricultura, sendo pessoas do sexo masculino com faixa etária de 20 a 39 anos o grupo mais acometido, já que são a principal classe trabalhadora nesses ambientes. Leia também: Como a Ucrânia conseguiu usar a seu favor o tremendo impacto da guerra no Irã
A maioria dos pacientes necessita de assistência hospitalar e a taxa de letalidade média é de 46,5%, ou seja, quatro em cada dez pacientes infectados morrem. A taxa brasileira está próxima da média mundial, em cerca de 40%, segundo a OMS.
A alta letalidade da doença ocorre porque o vírus provoca uma resposta inflamatória intensa e descontrolada do organismo, sendo necessário diagnóstico rápido e internação hospitalar. O que muitas vezes não ocorre, já que o vírus é mais comum em áreas rurais e que, em muitos casos, o acesso à saúde é distante ou precário.
"O Brasil está entre os países das Américas com o maior número de casos de síndrome pulmonar por hantavírus, ao lado de Argentina e Chile. A doença chama a atenção pela elevada gravidade. Os casos costumam ocorrer de forma esporádica ou em pequenos surtos, principalmente em áreas rurais e em ambientes com maior contato entre seres humanos e os reservatórios naturais do vírus", explica o infectologista Rodrigo de Carvalho Santana, vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as infecções por hantavírus são relativamente incomuns em todo o mundo. Estima-se que ocorram de 10 mil a mais de 100 mil infecções por ano, com a maior incidência na Ásia, sendo o principal país acometido a China, e nas regiões norte e central da Europa.
Como é o contágio e o tratamento
A hantavirose é causada por vírus da família Hantaviridae, com mais de 20 espécies de vírus, transmitidos principalmente por roedores silvestres e não por ratos comumente encontrados em centros urbanos.

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