
Crédito, Victor Parolin/BBC News Brasil
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 21 min
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, mas, fiel a seu estilo e orgulhoso de sua coerência, não teme seguir abraçando um tema impopular como a chamada "taxa das blusinhas", a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.
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Fazia poucos dias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, "realmente era uma coisa boa", "para proteger a indústria nacional", e que havia transmitido a ele essa "convicção".
Haddad tinha errado na avaliação lá atrás, então? "Não mudei de opinião", disse ele em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5).
"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", diz, em consonância com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) — que afirmou, em abril, quando a medida ainda estava valendo, que foram preservados 135 mil empregos graças a ela — e com os governos estaduais, que mantiveram os impostos estaduais, o ICMS, sobre essas compras internacionais. Leia também: Malásia proíbe redes sociais para menores de 16 anos
"Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando."
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A mira contra o Tarcísio de Freitas (Republicanos) se repetiria muitas vezes na entrevista por motivos óbvios. Haddad quer convencer o eleitor de que é capaz de entregar um governo melhor que o do adversário em áreas como segurança, por exemplo.
Segundo levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%, dependendo do cenário, uma disputa considerada dificil.
Embora o período oficial de campanha não tenha começado, Haddad já está em campo, viajando pelo interior e visitando especialmente universidades. Mais de mundo
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Ainda não há definição sobre quem será candidato a vice na chapa do petista, algo que ele afirma que deve ser decidido "até dia 10, 15 de junho". Leia também: Pix ameaçado? O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais
Outro assunto ainda está para ser decidido, segundo ele, é de que forma o PT fará sua grande sucessão, uma vez que é provável que 2026 seja a última disputa eleitoral presidencial de que Lula participa.
Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, quando o atual presidente estava preso, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro (PL).
"Não dá para planejar desse jeito", disse, ao ser perguntado se está preparado para receber o bastão de Lula. "Tem muita coisa para acontecer no Brasil."
Mas, no fim, levanta uma possibilidade. "Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo."
O partido tradicionalmente realiza votações internas com seus filiados para decidir quem disputará governos municipais e, mais raramente, estaduais.





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