Logo após os ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã passou a adotar medidas estratégicas para responder à ofensiva. Em vez de ir para um confronto direto, o país decidiu investir em táticas com armamentos mais acessíveis e exploração de sua posição geográfica como vantagem estratégica.
Uma de suas ações foi bloquear a passagem pelo Estreito de Ormuz, um corredor marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial.
Essa abordagem permitiu ao Irã prolongar o conflito por semanas, ao mesmo tempo em que aumentou a tensão internacional e provocou impactos no mercado global.
Essa estratégia adotada pelo Irã durante o conflito recebe o nome de 'guerra assimétrica', um conceito clássico da estratégia militar.
O termo descreve um conflito em que táticas e meios dos lados envolvidos não são equivalentes, ou seja, quando há profunda disparidade de objetivos e recursos.
Um dos exemplos mais conhecidos dessa lógica aparece na história bíblica de Davi e Golias. Leia também: EUA abordam navio com petróleo iraniano, e Trump autoriza tiros contra minas no estreito de Ormuz
De um lado, um pastor com recursos limitados; do outro, um guerreiro gigante, fortemente armado e protegido. Há, claramente, um desequilíbrio de forças.
Diante disso, Davi evita o tipo de combate para o qual Golias estava preparado. Em vez de se aproximar e lutar corpo a corpo, ele mantém distância e recorre a uma estratégia diferente: utiliza uma funda e pedras como arma.
O ataque é preciso. A pedra atinge a testa de Golias — a única parte de seu corpo que estava desprotegida. Ele cai no chão e o combate termina.
Do ponto de vista estratégico, a história de Davi e Golias funciona como uma metáfora clara da guerra assimétrica.
Davi não tentou ser mais forte que Golias. Em vez disso, foi mais imprevisível e explorou uma vulnerabilidade específica do adversário — um princípio que aparece repetidamente em conflitos reais. Mais de mundo
Mas essa narrativa vai além da estratégia militar. Ao longo da história, a figura de "Davi contra Golias" tem sido reinterpretada e utilizada por diferentes lados em diversos conflitos. Em cada contexto, quem representa o "fraco" e quem representa o "forte" pode mudar.
Isso revela um outro campo de disputa: o da narrativa. Leia também: Por que EUA não conseguem controlar o Estreito de Ormuz
"A maior parte das vitórias em qualquer guerra é a vitória sobre a narrativa. É a narrativa onde você é a vítima, você é mais fraco, você que é um herói enfrentando situações totalmente fora da capacidade das pessoas normais", explica a professora do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas Rashmi Singh.
Andrew Mack e a Guerra do Vietnã
O conceito moderno de guerra assimétrica foi formulado em 1975 pelo cientista político Andrew Mack. No artigo Why Big Nations Lose Small Wars — em português, Por que grandes nações perdem pequenas guerras — ele analisa a Guerra do Vietnã para explicar como forças aparentemente mais fracas podem derrotar potências militares.
Segundo Mack, os vietnamitas não tinham condições de vencer os Estados Unidos em um confronto militar direto. À época, havia mais de 500 mil soldados norte-americanos no país, com ampla superioridade aérea e tecnológica.
Ainda assim, tanto o Viet Cong quanto o Exército do Vietnã do Norte apostaram em outra estratégia: o domínio do território. Eles construíram uma extensa rede de túneis — com centenas de quilômetros — incluindo saídas camufladas, hospitais subterrâneos e rotas de suprimento.
Enquanto os Estados Unidos enfrentavam dificuldades por não conhecer o terreno, os combates aconteciam principalmente por meio de emboscadas.
Guerra de Independência dos EUA
A guerra assimétrica do século 21
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