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Crédito, Reprodução
- Author, Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 7 min
O governo do presidente Donald Trump reagiu à decisão do Brasil de permitir que Sergey Vladimirovich Cherkasov— apontado pelos Estados Unidos como espião russo— deixe o país e possa retornar à Rússia.
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Em nota enviada à BBC News Brasil nesta quarta-feira (8/7), um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que os EUA estão "profundamente preocupados" com a medida e que ela enfraquece o compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras.
"Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com vínculos conhecidos com a inteligência russa deixe o país. Essa decisão enfraquece nosso compromisso conjunto de combater interferências estrangeiras e proteger a integridade de nossas instituições democráticas", afirmou o Departamento de Estado.
O governo americano também pediu que o Brasil considere o precedente que será criado pela decisão e trabalhe em conjunto com Washington para responsabilizar pessoas que, segundo os EUA, "ameaçam nossa segurança coletiva". Leia também: Mundo: Panorama da Semana em Geopolítica, Esporte e Ética Pública
A decisão brasileira foi publicada na segunda-feira (6/7) no Diário Oficial da União. O governo determinou a expulsão de Cherkasov do país e abriu caminho para seu envio à Rússia.
A medida, porém, só poderá ser cumprida após o fim da pena à qual ele foi condenado no Brasil ou caso haja uma liberação antecipada pelo Poder Judiciário. Ainda não há previsão de quando a decisão será executada.
Ele é apontado pela Polícia Federal e pelo FBI (a polícia federal americana) como um agente de inteligência russo que usava uma identidade falsa brasileira para atuar no exterior. Ele viveu por 12 anos como brasileiro.
No entanto, os investigadores não encontraram evidências de que Cherkasov atuou como espião contra o Brasil. Seu alvo seriam os Estados Unidos e países europeus.
Ele nega, até hoje, ser um espião a serviço do governo russo. Mais de mundo
Desde que Cherkasov foi preso, americanos e russos entraram uma disputa diplomática pelo seu destino. Tanto Moscou quanto Washington chegaram a apresentar pedidos de extradição ao governo brasileiro, mas com versões opostas sobre a identidade e a atuação do acusado.
Com a decisão brasileira, encerra-se um capitulo inusitado das relações entre Brasil, Rússia e Estados Unidos.
A batalha pelo espião russo
A disputa envolvendo Cherkasov começou oficialmente em agosto de 2022, quando a Rússia solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua extradição. Moscou alegava que ele era procurado no país por tráfico de drogas.
Em março de 2023, o caso ganhou novos capítulos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma acusação criminal contra Cherkasov, afirmando que ele era um agente do serviço de inteligência militar russo, o GRU.
Segundo os EUA, Cherkasov teria usado a identidade falsa de Victor Muller Ferreira para atuar em território americano e se infiltrar em instituições acadêmicas e políticas. Washington afirmou que ele faria parte do grupo conhecido como "ilegais", formado por agentes russos de inteligência enviados ao exterior com identidades falsas.
No mesmo mês, o ministro do STF Luiz Edson Fachin, relator do caso, autorizou a extradição de Cherkasov para a Rússia. A entrega, porém, não poderia ocorrer imediatamente, pois Fachin condicionou a saída do país à conclusão das investigações brasileiras sobre a atuação do suposto agente em território nacional.
Como funcionava a rede de espiões

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