← Saúde
Saúde

Gol do Brasil contra o Alzheimer: novo fármaco é atestado para detecção

Gol do Brasil contra o Alzheimer: novo fármaco é atestado para detecção da demência Pesquisadores brasileiros validam novo fármaco usado para identificar, em tomografia

Gol do Brasil contra o Alzheimer: novo fármaco é atestado para detecção da

Gol do Brasil contra o Alzheimer: novo fármaco é atestado para detecção da demência Pesquisadores brasileiros validam novo fármaco usado para identificar, em tomografia, acúmulo de proteína associada à demência no cérebro Um novo fármaco em desenvolvimento se mostrou eficaz para ajudar a detectar precocemente biomarcadores da doença de Alzheimer em exames de imagem— superando, inclusive, o medicamento padrão-ouro disponível hoje.

Eis o achado de uma pesquisa coordenada por brasileiros. O MK6240 é um radiofármaco utilizado para tornar mais evidentes certos traços do organismo em exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET). Neste caso, ele é ideal para revelar emaranhados da proteína tau no cérebro, uma proteína fortemente associada ao desenvolvimento do Alzheimer.

Leia no AINotícia: Saúde: Panorama da Semana

A identificação de acúmulo da tau no sistema nervoso central não resulta necessariamente no diagnóstico da doença— que leva em consideração os sinais clínicos, como o declínio da memória e de outras habilidades. No entanto, pode ser uma forma de reconhecer quem tem maior risco de apresentar comprometimento cognitivo. “

A doença de Alzheimer começa silenciosamente no cérebro muitos anos antes dos primeiros esquecimentos”, escreveram os autores à VEJA SAÚDE. “ Hoje sabemos que duas proteínas anormais se acumulam ao longo desse processo: primeiro a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e depois a proteína tau, que forma emaranhados dentro das células cerebrais.

” Daí o interesse de cientistas de desenvolver drogas que facilitem essa detecção. Atualmente, o medicamento utilizado para fazer os exames de tomografias nesses casos é o flortaucipir. Leia também: Por que ficar sempre na mesma posição pode prejudicar sua saúde

O ensaio clínico Em estudo com 682 indivíduos dos Estados Unidos e do Canadá, o MK6240 identificou mais do que o dobro de casos positivos para a proteína tau entre pessoas saudáveis, de 50 a 89 anos e positivas para o acúmulo da proteína beta-amiloide— também associada a maior risco de Alzheimer. O MK6240 ajudou a identificar emaranhados de tau em 15% das pessoas escaneadas, enquanto o flortaucipir encontrou em apenas 6%. Entre indivíduos com a cognição já comprometida, o MK6240 permitiu observar o acúmulo em 28% dos casos, já o flortaucipir facilitou a identificação em 16% dos participantes.

A conclusão é de um estudo conduzido pelo consórcio internacional HEAD Study, idealizado e coordenado por pesquisadores brasileiros que estão trabalhando na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados em maio no periódico The Lancet. Palavra de Especialista

A seguir, leia a entrevista o neurologista Tharick Pascoal, líder do estudo, e a farmacêutica Bruna Bellaver e o cientista da computação Guilherme Povala, coautores VEJA SAÚDE: O que os emaranhados de proteína tau no cérebro dizem sobre o risco de Alzheimer? A pessoa irá, necessariamente, ter demência?

A doença de Alzheimer começa silenciosamente no cérebro muitos anos antes dos primeiros esquecimentos. Hoje sabemos que duas proteínas anormais se acumulam ao longo desse processo: primeiro a beta-amiloide, que forma placas entre os neurônios, e depois a proteína tau, que forma emaranhados dentro das células cerebrais. A grande diferença entre essas duas proteínas está no impacto clínico que elas causam.

A beta-amiloide, que hoje também pode ser detectada por exames de sangue, pode permanecer acumulada no cérebro por décadas sem provocar sintomas. Já a proteína tau está diretamente ligada à lesão e morte dos neurônios, sendo o principal motor biológico do declínio cognitivo na doença de Alzheimer. Em outras palavras, é o espalhamento da tau pelo cérebro que marca a transição entre uma alteração biológica silenciosa e o surgimento dos sintomas clínicos da doença. Mais de saude

Quanto maior a quantidade de tau e quanto mais regiões cerebrais forem afetadas, maior tende a ser a perda de memória, a dificuldade de raciocínio e a perda progressiva da independência funcional. A presença de tau detectada por exames de PET não significa que a demência aparecerá de forma imediata. Mas quando a tau já está presente em quantidade significativa ou disseminada por várias regiões do cérebro, a deterioração cognitiva nos anos subsequentes é apenas uma questão de tempo.

Por isso, esse exame, diferentemente dos exames anteriores de amiloide, funciona como um verdadeiro definidor de progressão da doença. A velocidade dessa progressão varia entre os indivíduos e é influenciada por fatores como escolaridade, reserva cognitiva, hábitos de vida e presença de outras doenças cerebrais. Ainda assim, a tau é hoje considerada o biomarcador que melhor reflete a gravidade, a progressão e o impacto clínico da doença de Alzheimer.

Hoje existe alguma forma de combater esses emaranhados? Atualmente, ainda não existem medicamentos aprovados para uso clínico capazes de remover diretamente os emaranhados de tau do cérebro. No entanto, diversos estudos clínicos randomizados em fases avançadas já estão em andamento testando terapias direcionadas especificamente à proteína tau, considerada hoje um dos principais motores biológicos da neurodegeneração e da progressão clínica da doença de Alzheimer. Leia também: Torcedor morre em jogo do Brasil; infartos disparam 16%

Esses exames de tomografia para identificar emaranhados em pessoas com a cognição intacta tem indicação clínica? Tem algum grupo que deveria fazer esse tipo de investigação fora de estudos? No momento, a recomendação clínica para o uso de PET com traçadores para proteína tau (tau PET) é em pessoas que já apresentam sintomas cognitivos.

Nesses casos, o exame pode ajudar médicos e pacientes a entender melhor se os sintomas estão relacionados à doença de Alzheimer e em que estágio biológico a doença se encontra. O tau PET com traçadores para proteína tau também pode ajudar a estimar o possível benefício de terapias antiamiloide já disponíveis, uma vez que estudos clínicos sugerem que pacientes em fases mais iniciais de deposição de tau tendem a se beneficiar mais desses tratamentos do que aqueles em estágios mais avançados. Para pessoas com cognição normal, mesmo aquelas com maior risco genético para Alzheimer, o uso de tau PET ainda não é recomendado rotineiramente fora do contexto de pesquisa.

Isso porque ainda não temos tratamentos aprovados especificamente para indivíduos assintomáticos com risco aumentado. No futuro, se houver medicamentos aprovados para prevenir ou retardar a doença em pessoas cognitivamente intactas, mas com alto risco biológico, por exemplo, por predisposição genética ou acúmulo de beta-amiloide, o uso clínico do tau PET poderá se tornar mais amplo. Como o MK6240 funciona?

Por que ele revela mais emaranhados de tau do que o flortaucipir? O MK6240 é um marcador utilizado em exames de tomografia que se liga aos emaranhados de tau no cérebro, permitindo que essas alterações sejam visualizadas por imagem. O alvo biológico do MK6240 é semelhante ao de outros marcadores de tau PET, incluindo o flortaucipir.

A principal diferença está na sua capacidade de se ligar com maior afinidade e sensibilidade às proteínas tau, especialmente em fases muito iniciais do processo patológico. Se imaginarmos a proteína tau como um metal e o radiotraçador como um ímã, podemos dizer que o MK6240 funciona como um ímã mais potente e mais preciso, capaz de detectar quantidades muito pequenas e ainda iniciais de tau no cérebro. Isso permite visualizar alterações cerebrais em fases mais precoces da doença de Alzheimer, muitas vezes antes que exista comprometimento cognitivo significativo.

Por que ficar sempre na mesma posição pode prejudicar sua saúde
Saude

Por que ficar sempre na mesma posição pode prejudicar sua saúde

Ler matéria →

Leia também