Folha realiza série de seminários sobre integridade e eficiência do Judiciário
Ler matéria →Presenciamos uma nova onda de revelações que deixam o país de queixo caído. O que se configura é uma gigantesca fraude orquestrada por uma máfia com tentáculos nas finanças e nas instituições, que suborna, intimida e manda "moer" desafetos.
O caso de Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro e presidente do PP, fala por si. Agora, o senador Jacques Wagner, do PT, líder do governo, entra para o clube, com evidências de que está no bolso de Daniel Vorcaro, o banqueiro do Master. Direita e esquerda se vendem.
Leia no AINotícia: Política: Panorama da Semana no STF, AGU e Debates Estaduais
Nesse quadro, tivemos a recente refrega entre Gilmar Mendes e André Mendonça, em torno da prisão do pai de Vorcaro. Reavivaram-se os antagonismos no interior do Supremo Tribunal Federal, além de atitudes suspeitas diante do caso. Leia também: Rumble e Trump Media pedem à Justiça dos EUA julgamento à revelia de Moraes
Já está mais do que claro que pelo menos dois magistrados têm envolvimento com o banqueiro mafioso. Alexandre de Moraes deve explicações sobre o contrato de cerca de R$ 130 milhões que o escritório de advocacia de sua família firmou com o banco.
Já Dias Toffoli, depois de tentar uma frustrada operação abafa, deixou a relatoria e declarou-se impedido de participar de votações. Seus laços pessoais e familiares com Vorcaro tornaram-se evidentes nas negociações com o famigerado Tayayá Aqua Resort.
Deveriam ambos, Moraes e Toffoli, ser objeto de um inquérito promovido pela própria corte, que, aliás, mantém há sete anos um procedimento desse tipo, sobre fake news e ofensas ao tribunal, usado como instrumento de intimidação em defesa de interesses de magistrados.
Tal situação certamente não ajuda a Operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes, sob os cuidados de Mendonça. Até prova em contrário, contudo, o relator vem cumprindo o seu papel. Mais de politica
Ao se posicionar pela prisão domiciliar do pai de Vorcaro, Mendes argumentou que a relatoria de Mendonça candidata-se a uma nova Lava Jato. Ou seja, estaria dando margem a abusos que poderiam levar a uma futura anulação das decisões. O raciocínio pareceu suspeito a alguns.
A título de posar de paladino de garantias constitucionais e da democracia, Mendes sinalizaria sua inclinação a retomar o modo "abafa o caso" antes acionado por Toffoli e afrouxar o cerco em torno de Vorcaro. A consequência previsível seria ajudar a salvar a pele de gente graúda e de seus companheiros de toga, em prejuízo da Justiça e dos interesses da sociedade. Leia também: Mesmo desgastado, Wagner deve manter candidatura ao Senado
O principal problema para Mendes —além de ele não controlar o relator— foi o vazamento de conversas íntimas entre Vorcaro e a noiva e influenciadora Martha Graeff, retiradas de um celular do dono do banco. De fato, a foi indevida, mas daí apontar o dedo para Mendonça, que pediu investigação, acusando-o de repetir a Lava Jato, vai uma distância.
Gilmar Mendes, não esqueçamos, foi protagonista de um episódio bastante rumoroso na operação de Sergio Moro, ao impedir, em canetada monocrática e abusiva, a presidente da República de exercer o direito de nomear ministros —no caso Lula. E o fez com base num áudio vazado ilegalmente. É frágil sua coreografia de escudo contra o lavajatismo.
Tópicos relacionados
Leia tudo sobre o tema e siga:
- André Mendonça
- Banco Master
- corrupção
- daniel vorcaro
- Gilmar Mendes
- operação lava jato
- STF
- Leia outros artigos desta coluna
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Condenação de Eduardo pelo STF amplia munição e chance de MagnitskyPolitica · 11h atrás
- Folha realiza série de seminários sobre integridade e eficiência do JudiciárioPolitica · agora
- Servidores do BC defendem taxa de fiscalização de bancos para custear órgãoPolitica · 3h atrás
- Disputa eleitoral se dá em deserto de ideiasPolitica · 4h atrás


