Banco BV tem lucro líquido de R$ 491 mi no 2º tri
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Júlia Galvão
São Paulo
A Gávea Investimentos indicou a Bradesco Asset para assumir a gestão de seus fundos multimercados. A gestora, fundada em 2003 por Armínio Fraga, ex-presidente do BC (Banco Central), e Luiz Henrique Fraga, decidiu encerrar a atividade de gestão de recursos de terceiros nesse segmento.
A gestora continuará existindo para administrar o patrimônio dos próprios sócios e os ativos remanescentes de sua estratégia de private equity (compra de participações de empresas de capital fechado).
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A operação abrange cerca de R$ 2 bilhões em recursos de terceiros distribuídos em pouco mais de 20 fundos multimercados da Gávea. A transferência da gestão ainda depende da aprovação dos cotistas, conforme comunicado enviado aos investidores.
A decisão ocorre três anos depois de a Gávea deixar de captar novos recursos para private equity. Atualmente, ainda administra cerca de R$ 1 bilhão em ativos nessa classe.
O Gávea Macro, fundo-base da estratégia da gestora, tem apresentado desempenho abaixo do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) nos últimos anos. Leia também: Mater Dei (MATD3) tem lucro ajustado de R$45 milhões no 2º tri, a R$ 45 milhões
Até julho de 2026, acumulava rentabilidade de 4,35%, ante 8,15% do CDI no mesmo período. Em 2025, o fundo rendeu 3,16%, enquanto o CDI avançou 14,31%. Esse foi o pior desempenho anual desde 2008, quando o fundo começou a operar.
O melhor resultado da série ocorreu em 2015, quando o fundo teve rentabilidade de 26,69%, superando com folga o CDI, que fechou o ano em 13,23%.
Segundo as instituições financeiras, a mudança tem como objetivo garantir a continuidade dos investimentos e preservar a estratégia dos fundos durante a transição. A Bradesco Asset afirmou que a operação combinará a experiência construída pela Gávea com sua estrutura de análise, pesquisa, gestão de riscos e operações.
A Bradesco Asset, gestora de recursos do Banco Bradesco, administra mais de R$ 1 trilhão em ativos.
A Gávea Investimentos afirmou, em nota aos investidores, que "durante todo esse período, sempre nos mantivemos alinhados aos nossos clientes ao investirmos uma parcela considerável do patrimônio dos sócios na mesma estratégia macro". Mais de economia
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JUROS ALTOS E CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO
A decisão da Gávea ocorre em um momento desafiador para a indústria de fundos. Com a taxa Selic em 14,25% ao ano, aplicações em renda fixa ganharam atratividade, o que reduziu o interesse dos investidores por outras classes.
De acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), os fundos de investimento registraram resgate líquido de R$ 5,3 bilhões em junho deste ano, mas acumulam captação positiva de R$ 184,7 bilhões em 2026. Em 2025, os fundos encerraram o ano com entrada líquida de R$ 88,4 bilhões, apesar do resgate líquido de R$ 66,7 bilhões registrado em dezembro.
Para Gilberto Braga, economista e professor do Ibmec, embora o ambiente de juros elevados contribua para esse cenário, a decisão da Gávea também reflete um movimento amplo de consolidação da indústria de gestão de recursos. Leia também: Economia: Panorama dos Destaques Nacionais e Globais da Semana
Segundo ele, o avanço da tecnologia e das plataformas digitais reduziu os custos de intermediação e pressionou a remuneração das gestoras, favorecendo a concentração do mercado em grandes instituições. Com isso, gestoras independentes têm optado por se concentrar na administração do patrimônio dos próprios sócios, enquanto transferem a gestão de recursos de terceiros para plataformas maiores.
Esse movimento já foi observado em outras gestoras. Em outubro do ano passado, a Vinci Compass anunciou a compra de 50,1% da Verde Asset Management, fundada por Luis Stuhlberger. Os 49,9% restantes deverão ser adquiridos em até cinco anos.
Após um desempenho abaixo do CDI em 2021, o fundo Verde voltou a superar o índice nos anos seguintes, mas sem repetir os retornos registrados em sua fase inicial. Em 2009, o fundo teve valorização de 50%, enquanto o CDI ficou abaixo de 10%. Em 2025, o Verde acumulou alta de 12%, ante 10,35% do CDI.
Em nota, o CEO da Bradesco Asset, Bruno Funchal, afirmou que a indicação reforça a confiança na gestora e reconheceu a contribuição da Gávea para o desenvolvimento da indústria brasileira de fundos ao longo das últimas décadas.
A Bradesco Asset informou ainda que mantém conversas com profissionais da Gávea para uma possível incorporação de parte da equipe responsável pela gestão dos fundos multimercados Gávea Macro.
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