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Funeral de Ali Khamenei: relembre quem foi o aiatolá que governou o Irã com mão

Funeral de Ali Khamenei deve reunir até 20 milhões de pessoas no Irã O Irã inicia neste sábado (4) as cerimônias públicas do funeral de sete dias do aiatolá Ali Khamenei

Funeral de Ali Khamenei: relembre quem foi o aiatolá que governou o Irã com mão

Funeral de Ali Khamenei deve reunir até 20 milhões de pessoas no Irã

O Irã inicia neste sábado (4) as cerimônias públicas do funeral de sete dias do aiatolá Ali Khamenei- líder supremo do país que foi morto em um ataque conjunto de EUA e Israel, em. Ele foi sucedido por seu filho, Mojtaba Khamenei, que assumiu o posto em março.

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Na sexta (3), uma cerimônia reservada reuniu a cúpula do governo, membros das forças armadas e delegações de países como Rússia e China. O funeral deve continuar com uma série de eventos até a próxima quinta-feira (9).

Mas afinal, quem foi Ali Khamenei?

Líder supremo do Irã, Khamenei comandou o país por quase quatro décadas com mão de ferro. Enquanto permaneceu no poder, nunca aceitou fazer reformas na república islâmica e reprimiu com força a oposição. No cenário internacional, manteve posição hostil aos Estados Unidos e se negava aceitar a existência do Estado de Israel. Leia também: Copa do Mundo: o que acontece se o trabalhador abandonar o posto para assistir

Quando se tornou líder supremo, sua escolha foi considerada uma surpresa porque nem todos o julgavam qualificado para suceder Ruhollah Khomeini, fundador e líder histórico da república islâmica.

Khamenei havia sido vice-ministro da defesa e presidente durante a guerra com o Iraque, na década de 1980, mas não um dos líderes da revolução. Ele nem sequer tinha o título de aiatolá.

Homem passa por outdoor que mostra fotos do ex-líder iraniano Ali Khamenei e o atual líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, com os dizeres em árabe 'Obrigado, Irã', em Dahiyeh, no sul de Beirute, capital do Líbano, no dia— Foto: Hussein Malla/AP

Ele nasceu em 1939 em Mashhad, cidade sagrada para os xiitas. Foi o segundo de oito filhos, de uma família pobre e devota. Cresceu sob a monarquia do xá Reza Pahlavi, num momento em que o Irã era aliado dos Estados Unidos e até de Israel.

O Irã, país de origem persa, buscava conter o predomínio árabe no Oriente Médio. Mas aquela nação que respirava cultura americana e europeia também reprimia quem discordasse do governo. Não demorou para que uma ideologia antiocidental crescesse na sociedade e também dentro de Khamenei. Mais de mundo

Quando o Irã começou a se rebelar contra a monarquia, ele se juntou aos protestos. Acabou na prisão e, em 1977, foi para o exílio, que não durou muito. A revolução islâmica do aiatolá Khomeini, em 1979, derrubou o xá e marcou uma mudança radical na política externa do país.

O Irã passou a pregar a eliminação do Estado de Israel. E a chamar os Estados Unidos, um antigo aliado, de “grande satã”, símbolo do imperialismo ocidental.

A ascensão dos clérigos xiitas foi a porta de entrada para Khamenei chegar ao poder. Ele virou homem da confiança do líder supremo. Leia também: O mapa de satélite que mostra a extensão da destruição em La Guaira, a área

Em 1980, passou a conduzir a oração de sexta-feira em Teerã, a mando de Khomeini. Em 1981, um ataque a bomba deixou a sua mão direita paralisada. Logo depois, aos 42 anos, foi eleito presidente do Irã com 95% dos votos. Durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988, esteve ao lado de Khomeini.

Foi nesse período também que o Irã começou a financiar e a armar extremistas como o Hezbollah, no Líbano. E, mais tarde, os terroristas do Hamas, na Faixa de Gaza. Era a chamada guerra por procuração— que, ao longo das décadas seguintes, provocou diferentes atentados contra cidadãos israelenses e ocidentais.

Desde a morte de Khomeini, em 1989, Khamenei liderou o país de 90 milhões de habitantes e uma história que se funde com a antiga Pérsia.

Seu poder foi proporcional ao dos grandes ditadores. O Irã é uma teocracia. Por isso, Khamenei acumulou as funções de líder político e religioso. Foi o responsável pelas decisões estratégicas da nação, como as de política externa, segurança e forças armadas.

Podia anular as decisões do presidente e tinha o poder de demitir qualquer membro do governo a qualquer momento, sem os votos do parlamento. Apresentava-se como o guardião dos valores da revolução islâmica: justiça social, independência nacional e governo islâmico.

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