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Frei Betto, na Feira do Livro, diz que a política e a religião não podem ser

Isadora Laviola São Paulo Frei Betto chegou, neste domingo, ao segundo dia da Feira do Livro , em São Paulo, numa cadeira de rodas

Frei Betto, na Feira do Livro, diz que a política e a religião não podem ser
Isadora Laviola
São Paulo

Frei Betto chegou, neste domingo, ao segundo dia da Feira do Livro, em São Paulo, numa cadeira de rodas. No começo do debate com a jornalista Thais Reis Oliveira, explicou a situação culpando os "filhos" —como chama seus livros.

"Carreguei uma pilha de livros muito mais pesada do que minha coluna com hérnia de disco aguentava", contou, arrancando risos de uma plateia com leitores entusiasmados.

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Um desses filhos foi tema da conversa, "O Voo da Locomotiva", sexta obra do frade sobre a Ditadura. O tema recorrente vem de experiências próprias, já que Frei Betto foi preso e torturado pelo regime.

"Passei por oito prisões diferentes, dois anos junto com presos políticos e dois com presos comuns. Vi muitas atrocidades nos dois mundos, mas entre os comuns vi algo inédito, a violência entre os próprios presos." Leia também: Esquerda está cheia de culpa e isso é erro crasso, diz Rui Tavares na Feira do

Ele escreve sobre o período num esforço de fazer o país que "clandestinizou" a Ditadura começar a falar sobre ela. "Se nós conhecermos esse passado, certamente haverá mais resistência em relação ao futuro."

Seus próximos rumo ao objetivo, reforça, são "reeleger Lula e renovar o congresso".

Questionado sobre como equilibra religião e política, Frei Betto respondeu que a regra de ouro é jamais "confessionalizar" o estado ou partidarizar a religião.

Apesar disso, reforça que as coisas não podem ser separadas. "Todos nós cristãos somos discípulos de um prisioneiro político. Que eu saiba, Jesus não morreu nem de hepatite, nem de desastre de camelo."

Na mesma tarde, a jornalista Beatriz Muylaert mediou uma mesa que evidenciou a diferença entre as literaturas de Natalia Timerman e Camila Appel. Ambas escrevem sobre a morte iminente de mães e guiam os respectivos "Antes que Apague" e "Enquanto Você Está Aqui" por caminhos muito distintos. Mais de entretenimento

Enquanto a primeira romanceia a dor através de um livro de ficção, a segunda conta seus temores em primeira pessoa e complementa o livro com respostas práticas para pessoas próximas da morte.

Enquanto Timerman trouxe relatos mais emocionados sobre o apagamento da mãe, Appel debatou a biologia da morte e tirou risos da plateia ao listar os muitos destinos possíveis para as cinzas de um ente querido –opções que vão desde fogos de artifício a passeios pelo espaço sideral. Leia também: Nattan se desculpa por show em Maracanaú e promete apresentação gratuita

Outro ruído recorrente, e que rendeu risos discretos durante o debate, foi a dúvida quanto à classificação do livro de Timerman como ficção. Por vezes, Muylaert e Appel se corrigiram ao perguntar sobre vivências da narradora de "Antes que Apague" como se fossem da autora.

Coisa que Timerman pareceu levar com bom humor pois, como disse, a ficção é uma das melhores formas de dizer a verdade.

Acima disso, a mesa foi levada com o tom de cumplicidade que só é criado entre pessoas que falam sobre morte, como afirmou Appel.

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