Fisioterapia oncológica: a etapa do tratamento que começa quando o câncer termina Dor, fadiga, perda de força e linfedema podem persistir anos após o tratamento. A reabilitação física é essencial no cuidado integral ao paciente oncológico Quando o tratamento contra o câncer termina, muitas pessoas acreditam que a vida voltará imediatamente ao normal.
Mas a realidade costuma ser diferente. Mesmo após a alta médica, é comum que pacientes continuem convivendo com dores, fraqueza muscular, cansaço extremo, perda de mobilidade e dificuldade para realizar atividades simples do dia a dia. Sem contar o desgaste emocional, sempre muito significativo.
Leia no AINotícia: Panorama da Saúde: Ebola, Resfriados, HPV e Suspensão de Medicamentos
Em muitos casos, o câncer deixa marcas importantes no corpo – não apenas pela doença em si, mas também pelos efeitos da cirurgia, da quimioterapia, da radioterapia, da hormonioterapia e até do longo período de inatividade física durante o tratamento. É justamente nesse momento que a fisioterapia oncológica se torna essencial. Apesar de ainda ser pouco conhecida pelo público, essa área da fisioterapia tem ganhado cada vez mais importância dentro dos grandes centros de tratamento oncológico no mundo.
Hoje, existe amplo consenso científico de que a reabilitação física deve fazer parte do cuidado integral ao paciente com câncer, desde o diagnóstico até o período pós-tratamento. As sequelas físicas do câncer podem durar anos O avanço da medicina aumentou significativamente a sobrevida dos pacientes oncológicos. Leia também: Atualização ganha destaque após novo desdobramento em atualização: mortes por
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pessoas vivem hoje após o tratamento do câncer, transformando a doença, em muitos casos, em uma condição crônica. Com isso, cresceu também a preocupação com a qualidade de vida após o tratamento. Entre as sequelas mais frequentes estão a fadiga oncológica – considerada uma das queixas mais incapacitantes –, perda de massa muscular, limitação de movimentos, alterações respiratórias, dores persistentes, neuropatia periférica causada pela quimioterapia e o linfedema, especialmente após cirurgias ginecológicas ou de mama.
Muitas pessoas relatam sensação de corpo “pesado”, dificuldade para caminhar, subir escadas ou carregar peso. Outras passam a evitar movimentos por medo da dor ou de complicações, criando um ciclo progressivo de perda funcional. Além dos impactos físicos, essas limitações afetam diretamente a autoestima, a autonomia e o retorno à vida social e profissional.
Muito além da reabilitação tradicional A fisioterapia oncológica não atua apenas quando já existe uma limitação grave. Seu papel hoje é muito mais amplo e estratégico.
Dependendo do tipo de câncer e do tratamento realizado, o acompanhamento fisioterapêutico pode começar antes mesmo da cirurgia ou da quimioterapia. Isso ajuda a preparar o corpo para enfrentar o tratamento em melhores condições físicas. Durante o tratamento, a fisioterapia auxilia na preservação da mobilidade, da capacidade respiratória, da força muscular e da funcionalidade geral do paciente.
Exercícios orientados combatem a fadiga e o sedentarismo, evitando complicações graves. Muito além de reduzir o cansaço da quimioterapia e radioterapia, a prática supervisionada preserva a massa muscular e fortalece a saúde mental, diminuindo a ansiedade e depressão. Além disso, pacientes ativos toleram melhor os tratamentos, reduzem o tempo de internação e, comprovadamente, apresentam menor risco de a doença voltar, aumentando a sobrevida. Mais de saude
Após o tratamento, o foco passa a ser a recuperação da autonomia e da qualidade de vida. Isso inclui desde reabilitação motora até manejo de dor, equilíbrio, condicionamento físico, prevenção de quedas e tratamento de linfedema. Hoje já existem evidências consistentes mostrando que programas supervisionados de exercício físico e fisioterapia podem melhorar disposição, capacidade funcional e bem-estar emocional de pacientes oncológicos.
Em alguns casos, a reabilitação também ajuda pacientes a retomarem atividades profissionais, sociais e familiares que haviam sido interrompidas pelo tratamento. + Um cuidado que ainda chega tarde para muitos pacientes Apesar dos avanços, a fisioterapia ainda costuma entrar tardiamente na jornada oncológica. Leia também: Rosuvastatina e atorvastatina ganha destaque após novo desdobramento em
Muitos pacientes só são encaminhados quando a limitação física já está instalada e comprometendo de forma importante a rotina. Nos últimos anos, sociedades internacionais como a American Cancer Society e a American Society of Clinical Oncology passaram a reforçar a importância da chamada “pré-habilitação” e da reabilitação precoce no câncer. A proposta é simples: não esperar o paciente perder funcionalidade para começar a cuidar do corpo.
Cada vez mais, o tratamento oncológico moderno precisa ser entendido de forma multidisciplinar. Controlar a doença é fundamental, mas preservar movimento, independência e qualidade de vida também deve fazer parte do cuidado. Porque sobreviver ao câncer é uma conquista enorme.
Mas conseguir voltar a viver com autonomia, segurança e liberdade no próprio corpo também é parte importante da recuperação. *Monica Schapiro é fisioterapeuta, membro Brazil Health, é especialista em reabilitação oncológica (
Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
Leia também no AINotícia
- Atualização ganha destaque após novo desdobramento em atualização: mortes porSaude · 1h atrás
- Matriarca da família Poncio compartilha diagnóstico de hematoma subcoriônicoSaude · 4h atrás
- Rosuvastatina e atorvastatina ganha destaque após novo desdobramento emSaude · 5h atrás
- Lotes trocados da Cimed: quais os riscos para quem consumiu os medicamentosSaude · 8h atrás

