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'Fino', dinheiro e coragem: como apps exploram 'provas de masculinidade'

'Fino', dinheiro e coragem: como apps exploram 'provas de masculinidade' dos entregadores, segundo sociólogo Crédito, Vitor Serrano/BBC Article Information Author, Rute

'Fino', dinheiro e coragem: como apps exploram 'provas de masculinidade' dos
'Fino', dinheiro e coragem: como apps exploram 'provas de masculinidade' dos entregadores, segundo sociólogo
Entregador espera semáforo em ciclovia na Avenida Paulista

Crédito, Vitor Serrano/BBC

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    • Author, Rute Pina
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 14 minutos
  • Tempo de leitura: 9 min

Na esquina de um shopping center em São Paulo, o som de notificações de aplicativos de entrega toca freneticamente a partir das 11h. É apenas quando os pedidos de almoço na região da avenida Paulista recuam, por volta das 15h, que Matheus da Silva Pérez finalmente se senta, enrola um cigarro e conversa com colegas.

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Ali eles se reúnem diariamente com suas bags e bikes, num improvisado escritório ao ar livre. Eles são, em sua maioria, jovens.

Aos 22 anos, Matheus trabalha há seis e começou a fazer entregas para complementar renda— antes, trabalhava em um lava-rápido e fazia bicos como barista e garçom.

Mas logo ele percebeu que poderia se dedicar apenas às entregas. Leia também: Por que Miami virou a nova capital dos ultrarricos nos EUA (e ficou mais cara

"Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega."

O trabalho por aplicativos segue em expansão no Brasil. Em 2024, eram 1,7 milhão de pessoas nessa modalidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o equivalente a 1,9% dos ocupados no setor privado. Em dois anos, houve um crescimento de 25,4%, com a entrada de mais 335 mil trabalhadores.

A maioria atua no transporte de passageiros: são 58,3% (964 mil). Já os entregadores representam 29,3%— ou seja, 485 mil pessoas. O grupo não é homogêneo: os trabalhadores que atuam em entregas se dividem principalmente pela idade e pelo veículo utilizado.

A renda média dos trabalhadores plataformizados, na época, era de R$ 2.996 com jornadas acima de 40 horas semanais. O rendimento médio da população brasileira atinge R$ 3.367 em 2025.

Matheus da Silva Pérez

Crédito, Vitor Serrano/BBC Mais de mundo

Legenda da foto, Matheus, que começou nos apps para complementar a renda, hoje faz entregas como seu trabalho principal

Matheus sai todos os dias da Brasilândia, na Zona Oeste de São Paulo, e vai de ônibus e metrô até a Paulista, uma zona "quente" para pedidos. Leia também: Por que Justiça voltou a prender o ex-marido de Maria da Penha, mulher

Ele deixa sua bicicleta num estacionamento na região para evitar começar o dia já com fadiga. Mesmo com uma elétrica, o esforço físico é grande.

"Você ainda tem que pedalar, senão a bateria vai muito rápido, você acaba fazendo duas entregas, e a bateria acaba", diz.

O jovem gosta de trabalhar na rua, ao ar livre, de não estar preso a um escritório, sem saber se o dia está ensolarado. Mas o que mais o atraiu foi a autonomia.

"Pode escolher o horário do almoço. Pode folgar quando quiser. Pode trabalhar mais num dia e menos no outro. Pode parar para estudar, voltar para casa, descansar."

Para ele, o desgaste mental supera o físico. "Você passa estresse no estabelecimento, com pedestres, com o cliente. Não é fácil. A maioria do cansaço é mental, porque fisicamente a gente não sente tanto, porque a gente é novo. Mas mentalmente é muito exaustivo."

Matheus e amigo em esquina na Avenida Paulista
Legenda da foto, O ponto de encontro dos entregadores é local onde eles fazem amigos, trocam dicas e experiências
Pedro Ivo
Legenda da foto, Pedro Ivo concilia trabalho em app com estudos

Modo espera

'Se construindo enquanto homens'

Douglas Alexandre Santos
Legenda da foto, Douglas Alexandre Santos trabalhou como entregador de bicicleta para pesquisa acadêmica
Close em uma perna pedalando uma bicileta ao lado de um carro
Legenda da foto, Matheus gosta da adrenalina das manobras quando "tira um fino" entre os carros
Homem e uma menina passando em movimento no primeiro plano; em segundo plano, com nitidez, um entregador está em uma bicicleta vermelha, usando uma bag amarela da 99, olhando para o celular
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