Publicidade
Faltam poucas horas para o fim do prazo para entregar a declaração do Imposto de Renda 2026, às 23h59 desta sexta-feira, 29 de maio. E, entre os investidores de renda variável, ainda há uma lista de deslizes que se repetem ano após ano.
Leia no AINotícia: Preços ao produtor sobem
1. Confundir cotação de fim de ano com custo médio de aquisição
O erro mais básico, e talvez o mais grave, começa na ficha de Bens e Direitos. Muitos investidores pegam o informe de rendimentos da corretora, verificam quantas ações tinham em carteira em 31 de dezembro, buscam a cotação do papel nesse dia e multiplicam, lançando o resultado na declaração como se fosse o valor exigido pela Receita.
Crespo explica que essa lógica está errada do começo ao fim. “No informe aparecem quantos ativos o contribuinte detinha em e de 2024, mas não é informado qual o valor médio de aquisição. Aí as pessoas vão atrás da cotação daqueles ativos no dia 31 de dezembro, ou no último dia útil do ano, e colocam aquele valor como se fosse o valor pedido pela Receita; não é. O valor que a Receita pede é o custo médio de compra”.
O custo médio é uma média ponderada do que foi efetivamente pago ao longo do tempo. Se o investidor comprou 100 ações a R$ 50 e depois mais 40 a R$ 55, precisa recalcular o custo médio com base nessas quantidades e nesses preços. “Infelizmente, é o contribuinte que tem que fazer esse cálculo. Ele não aparece no informe de rendimentos”, afirma Crespo. Leia também: Marinho sobre fim da 6×1: Senado também está sensível ao que a sociedade está
2. Não consolidar os informes de diferentes corretoras e o extrato da B3
A partir do equívoco anterior, nasce outro: acreditar que o informe de rendimentos da corretora e o extrato da B3 são suficientes para fazer toda a declaração.
“As pessoas que acreditam que conseguem fazer a declaração dos ativos que têm em renda variável só com os informes das corretoras ou mesmo com o extrato que fica disponibilizado na B3. Não dá, não é possível”, afirma.
Isso porque os documentos ajudam, mas não trazem o custo médio das posições, conforme dito anteriormente, e tampouco consolidam tudo quando o investidor opera em mais de uma instituição.
Em termos práticos: uma corretora não sabe se, no mesmo mês, o cliente teve prejuízo ou lucro em outra. Como o imposto é calculado sobre o resultado consolidado das operações, confiar apenas nesses informes, sem um controle próprio, que relacione esses documentos, aumenta muito o risco de divergência na declaração de renda variável.
Continua depois da publicidade Mais de economia
3. Confundir isenção dos R$ 20 mil e alíquotas de ações e FIIs
Outro foco de erro está nas regras de isenção e nas alíquotas aplicáveis a cada tipo de ativo. A conhecida isenção de vendas até R$ 20 mil em ações é frequentemente mal interpretada e estendida a situações em que não se aplica.
Crespo ressalta que o benefício é bastante restrito: “se você vende até R$ 20.000 dentro de um mesmo mês em ações, tendo lucro com aquelas vendas, você está isento de Imposto de Renda apenas no caso de ações e em operações comuns, ou seja, operações de swing trade. Essa isenção não vale para day trade e também não vale para fundos imobiliários e outros ativos na bolsa”.
Além disso, as alíquotas não são as mesmas para todos os instrumentos. “Os fundos imobiliários têm uma diferença em relação às ações, que as pessoas confundem muito também: o IR sobre o ganho de capital em fundos imobiliários é de 20%, não de 15%, como acontece com as operações comuns de ações”, explica. Leia também: MEI deve entregar DASN-Simei até este domingo (31); veja como fazer
Continua depois da publicidade
4. Declarar dividendos e JCP equivocadamente
Os rendimentos distribuídos pelos investimentos também costumam ser declarados de forma equivocada. No caso dos dividendos de ações, o programa do IR ficou mais amigável e permite associar os rendimentos diretamente à ficha do ativo em Bens e Direitos, na parte de rendimentos isentos. Ainda assim, há contribuintes que simplesmente não lançam os dividendos ou confundem as regras já em vigor com alterações futuras da reforma tributária.
Em 2026, a pré-preenchida trouxe um complicador adicional. “A gente teve casos de contribuintes relatando diversos erros na pré-preenchida de 2026, devido a uma série de mudanças realizadas pela Receita”, relata Crespo. Ele recomenda usar o arquivo como ponto de partida, mas sempre conferir os valores com o informe de rendimentos da corretora para evitar lançar a mais ou a menos.
Continua depois da publicidade
5. Tratar dividendos de BDR como rendimento doméstico
No caso das BDRs, a confusão aumenta, porque a natureza do ativo e dos rendimentos não é imediatamente intuitiva para todos. A BDR é negociada na bolsa brasileira, mas os dividendos distribuídos têm origem no exterior, o que muda completamente a ficha correta de lançamento.
6. Não declarar prejuízos e perder o direito de compensação
7. Misturar prejuízos de operações diferentes
8. Usar pré-preenchida, Meu IR e ReVar sem entender as limitações
9. Deixar DARFs atrasados para a última hora
Tópicos relacionados
- Minhas Finanças
- Imposto de Renda
- Investimentos
- Receita Federal
Leia também no AINotícia
- Marinho sobre fim da 6×1: Senado também está sensível ao que a sociedade estáEconomia · 1h atrás
- FII TEPP11 compra conjuntos corporativos em operação de R$ 77 milhões em SPEconomia · 3h atrás
- Gisele Bündchen derruba mansão milionária em Miami para ampliar seu imóvelEconomia · 4h atrás
- Alcolumbre envia à CCJ proposta da oposição alternativa ao fim da 6×1Economia · 5h atrás

