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Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros

Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros de 2025 para pagar investimento atribuído a Vorcaro Crédito, Reprodução Legenda da foto

Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros
Filme de Bolsonaro precisaria superar bilheteria de todos os longas brasileiros de 2025 para pagar investimento atribuído a Vorcaro
A imagem mostra um homem de terno escuro usando a faixa presidencial e segurando uma bandeira do Brasil junto ao peito, com a cabeça baixa. Ao fundo, aparecem o Congresso Nacional, em Brasília, além de faixas com as frases “Você não está sozinho, capitão!” e “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, O ator Jim Caviezel em imagem do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
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    • Author, Pedro Martins
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 10 min

O filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, precisaria arrecadar ao menos R$ 300 milhões nos cinemas para que Daniel Vorcaro, do Banco Master, recuperasse os R$ 134 milhões que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lhe pediu para custear a produção.

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Isso equivaleria a 40% a mais do que todos os longa-metragens brasileiros lançados no ano passado conseguiram arrecadar (aproximadamente R$ 215 milhões) ou o dobro do filme nacional mais bem-sucedido da história, Minha Mãe É uma Peça 3, do comediante Paulo Gustavo, que arrecadou R$ 143,8 milhões.

Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido milhões a Vorcaro para a produção de Dark Horse (Azarão, em tradução livre), mas a produtora do filme, a Go Up Entertainment, e o roteirista da obra, o deputado Mario Frias (PL-SP), negam que tenham tido acesso a qualquer verba do banqueiro.

Os pronunciamentos da família Bolsonaro e da equipe do filme têm entrado em conflito. O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, primeiro disse que não exerceu qualquer posição nos bastidores além de ceder os direitos de uso da própria imagem, mas um dia depois admitiu ter assinado um contrato para gerir financeiramente a produção. Vorcaro, que está preso, não comentou o caso. Leia também: A Copa do Mundo será decidida nestes gramados

Flávio afirmou, em entrevista à emissora GloboNews, que Vorcaro era um investidor do filme e buscava retorno financeiro. Para que isso acontecesse, no entanto, o longa-metragem precisaria ter uma trajetória nas bilheterias completamente fora da curva.

Um homem de expressão séria aparece em primeiro plano usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela, diante de um céu carregado de nuvens escuras.

Crédito, Divulgação

Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro com o ator Jim Caviezel

Isso considerando que só Vorcaro teria investido no filme, o que pode ser improvável, visto que a produtora Go Up afirmou, em nota à imprensa, que houve outros investidores no longa-metragem, apesar de não ter revelado o nome de nenhum deles, acrescentando que, caso o fizesse, quebraria os contratos de confidencialidade envolvendo a produção.

Segundo o site The Intercept Brasil, parte da verba do banqueiro teria sido transferida para um fundo de investimentos no Texas gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que teve seu mandato de deputado federal cassado e hoje vive nos Estados Unidos.

A BBC News Brasil questionou a produtora sobre o financiamento e os bastidores da produção de Dark Horse, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Não se sabe, até agora, qual foi o orçamento total do longa-metragem nem quem o patrocionou. Mais de mundo

Como a bilheteria de um filme é repartida

Mas, desses 50%, em geral de 20% a 30% vão para a distribuidora, de forma que, no fim das contas, os produtores podem ficar com uma porcentagem até menor do que 25% da arrecadação nos cinemas. Leia também: A cruzada de Antonio Fagundes contra os atrasados no teatro: 'Não posso deixar

Esse trabalho envolve desde cartazes para fixar nas salas e campanhas de marketing nas redes sociais até eventos de lançamento, sessões de imprensa para que críticos e jornalistas assistam ao longa antes da estreia e viagens para que os atores encontrem o público e promovam a produção.

A porcentagem da bilheteria cobrada pela distribuidora varia de acordo com o quanto ela vai investir em marketing. Não é raro que essa verba se iguale ou até supere o valor gasto na produção dos longa-metragens. Ela é essencial, afinal, para que a obra seja vista e o investimento se pague.

Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse.

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, Montagem com cenas dos bastidores do filme Dark Horse

Esses são padrões da indústria do cinema, mas as porcentagens foram confirmadas à BBC News Brasil por produtores, diretores e empresários ligados a distribuidoras e redes exibidoras brasileiras, muitos dos quais agora estão no Festival de Cannes, na França, justamente para angariar fundos e vender projetos ao mercado ou comprar os direitos de exibição de produções estrangeiras no Brasil.

São profissionais com currículos extensos de sucessos não só nacionais, mas também internacionais, que já trabalharam com talentos do primeiro escalão de Hollywood e que conquistaram indicações e premiações no Oscar. Eles pediram anonimato para fugir de conflitos com parte do empresariado do setor que tem alguma simpatia com Bolsonaro e evitar processos judiciais.

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Mesmo interessado, público pode não ter onde assistir ao filme

Uma bancada de cinema exibe baldes de pipoca e produtos promocionais diante de um pôster iluminado do filme A Paixão de Cristo. A imagem tem tons quentes e escuros, criando uma atmosfera dramática que remete ao clima intenso e religioso do longa-metragem.

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