Fibromialgia afeta milhões, mas diagnóstico e tratamento ainda são desafio Dores persistentes, fadiga e alterações do sono impactam a qualidade de vida e destacam importância de abordagem multidisciplinar e individualizada 12 de maio é o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia.
A doença ainda é cercada por dúvidas, preconceitos e desinformação, embora afete cerca de 3% da população brasileira. Ou seja, são milhões de pessoas convivendo diariamente com dores crônicas, fadiga e alterações importantes no sono, muitos deles enfrentando dificuldades para obter diagnóstico, acolhimento e tratamento adequados. Parte desse desafio acontece porque a fibromialgia não aparece em exames laboratoriais ou de imagem.
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Isso faz com que muitos pacientes escutem, ao longo da vida, que “não têm nada” ou que a dor seria apenas emocional. Mas a ausência de alterações estruturais não significa ausência de sofrimento. A dor da fibromialgia é real e impacta profundamente a qualidade de vida, as relações sociais, a vida profissional e a saúde mental.
+ Uma condição multifatorial Hoje, sabemos que a doença envolve alterações complexas na forma como o sistema nervoso processa a dor e responde ao estresse.
Não se trata apenas de uma dor muscular ou articular isolada, mas de um quadro multifatorial, influenciado por aspectos físicos, emocionais, comportamentais e até sociais. Por isso, o tratamento também precisa ser amplo. Ainda existe uma expectativa de que um único medicamento resolva completamente o problema, mas a fibromialgia exige uma abordagem multidisciplinar.
Exercícios físicos regulares, melhora do sono, psicoterapia, manejo do estresse e mudanças no estilo de vida têm papel tão importante quanto os medicamentos e, muitas vezes, até maior. A importância do diagnóstico precoce Outro ponto fundamental é o diagnóstico precoce. Mais de saude
Infelizmente, ainda encontramos pacientes que convivem por décadas com dor antes de receberem uma avaliação adequada. Quanto mais tempo o quadro permanece sem acompanhamento, maiores podem ser os impactos físicos e emocionais associados à doença. Também precisamos discutir o papel do estilo de vida moderno nesse cenário. Leia também: novela três graças resumo
Vivemos expostos a altos níveis de estresse, privação de sono, sedentarismo, alimentação inadequada e excesso de estímulos. Tudo isso influencia diretamente nossa capacidade de adaptação física e emocional. A fibromialgia nos lembra da importância de olhar o paciente além dos exames.
Escutar sua história, compreender seu contexto e reconhecer seu sofrimento são passos fundamentais para oferecer cuidado de qualidade. Mais do que tratar sintomas, precisamos ajudar essas pessoas a recuperarem funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. *Marcos Renato de Assis é reumatologista, membro da Comissão de Dor, Fibromialgia e Reumatismo de Partes Moles da Sociedade Brasileira de Reumatologia e diretor científico da Sociedade Paulista de Reumatologia.

