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Fertilidade masculina em queda: o alerta global que ainda passa despercebido

Fertilidade masculina em queda: o alerta global que ainda passa despercebido Estudos apontam que a qualidade do sêmen tem diminuído entre os homens globalmente; entenda

Fertilidade masculina em queda: o alerta global que ainda passa despercebido

Fertilidade masculina em queda: o alerta global que ainda passa despercebido Estudos apontam que a qualidade do sêmen tem diminuído entre os homens globalmente; entenda o impacto do fator masculino na infertilidade A fertilidade sempre foi tratada, culturalmente, como uma questão predominantemente feminina.

Mas, esse modelo vem sendo revisado. A ciência já mostra que a qualidade do sêmen tem piorado em escala global e o fator masculino responde por 50% dos casos de infertilidade. Análises de longo prazo indicam queda expressiva na concentração e no número total de espermatozoides ao longo das últimas décadas.

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Esse declínio que inicialmente era observado em países ocidentais hoje não mais se limita a um país ou região, o que sugere influência de fatores ambientais e comportamentais comuns ao mundo moderno. Estudos internacionais apontam redução superior a 50% na contagem média de espermatozoides desde a década de 1970 e esta redução se acelerou a partir do ano 2000. Embora haja debate sobre causas exatas, o fenômeno é considerado real e clinicamente relevante. Leia também: Radar da Saúde ganha destaque após novo desdobramento em radar da saúde

Dentro desse contexto, ganha força a teoria de síndrome de disgenesia testicular– um conjunto de alterações que poderia se iniciar ainda na vida intrauterina e inclui piora da qualidade do sêmen, aumento de malformações genitais e maior risco de câncer testicular. O impacto do estilo de vida e do ambiente Não existe uma única causa para a queda da fertilidade masculina. A origem parece ser multifatorial.

Exposição a substâncias químicas com potencial de interferir no sistema hormonal, como chumbo, alguns pesticidas e compostos presentes em plásticos, é um dos fatores mais discutidos. Poluição ambiental, aumento da temperatura testicular nos casos de varicocele, uso frequente de dispositivos eletrônicos junto ao corpo e alterações no padrão de sono também entram nessa equação. Além disso, obesidade, sedentarismo, estresse crônico, consumo de álcool e tabagismo também podem ter impacto direto sobre a produção e a qualidade dos espermatozoides.

Estes fatores, isolados ou combinados, ajudam a explicar por que o problema se torna cada vez mais evidente. A infertilidade também é masculina Na prática clínica, ainda é comum que muitos casais achem que a investigação deve se iniciar pela mulher.

No entanto, como visto, cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar envolve algum fator masculino. Por isso, é essencial que o homem seja avaliado desde o início do processo. O espermograma continua sendo o exame básico para essa análise, podendo ser complementado por outros testes quando necessário. Mais de saude

Nestes exames avaliamos a quantidade, movimentação e formato dos espermatozoides. Também é possível avaliarmos a integridade do DNA dentro de cada espermatozoide o que também pode comprometer as taxas de gestação e elevar o risco de abortamento. Identificar alterações precocemente permite orientar mudanças de hábito, tratar causas reversíveis e, quando indicado, encaminhar para técnicas de reprodução assistida. Leia também: Os melhores exercícios para baixar a pressão

Por fim, é importante lembrar que a fertilidade masculina pode sofrer alterações importantes ao longo da vida. Além disso, outros pontos de atenção são os casos de cirurgias ou tratamentos que podem alterar a fertilidade como quimioterapia ou radioterapia e que podem indicar o congelamento de sêmen, um procedimento rápido e eficaz. Diante de um cenário de queda global da fertilidade masculina, ampliar a atenção para esse tema deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.

Porque, cada vez mais, a construção da fertilidade é um processo que envolve o casal– e pode começar muito antes da vontade efetiva de engravidar. * Dani Ejzenberg é ginecologista e especialista em Reprodução Assistida na ENNE Clinic, membro da Brazil

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