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Ler matéria →Farmacêutico relata como era salto de rope jump em ponte onde Maria Eduarda morreu: 'Poderia ter sido eu'

Crédito, Arquivo pessoal/Rodrigo Ratochinski
- Author, Luiz Fernando Toledo
- Role, BBC News Brasil
- Published 15 junho 2026Atualizado Há 6 horas
- Tempo de leitura: 6 min
O farmacêutico Rodrigo Ratochinski, de 28 anos, levou um susto ao saber do acidente que matou uma jovem durante um salto de rope jump— um tipo de salto com corda— em Limeira, no interior de São Paulo.
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O rope jump é uma atividade radical em que o praticante pula de um lugar elevado com cordas de baixa elasticidade, o que gera um efeito de "pêndulo humano", em um balanço horizontal.
Um mês antes, ele havia feito o mesmo salto, no mesmo local e com o mesmo grupo de instrutores.
A experiência aconteceu a convite do irmão, que encontrou a atividade em uma página do Instagram. Cada um pagou R$ 180. Leia também: Por que é improvável que brasileiro preso pelo governo Trump seja chefe do PCC
Ratochinski conta que já havia praticado outras atividades de risco, como saltar de paraquedas, e que costuma checar os responsáveis pelas avaliações de clientes e pelas redes sociais.
Neste caso, porém, a página nem sequer pertencia a uma empresa formal, e a atividade não era autorizada no local. Semanas depois da visita dele, o acidente: a polícia prendeu três pessoas envolvidas na operação dos saltos.

Segundo o boletim de ocorrência, os instrutores deixaram de prender a corda de segurança e arremessaram Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, de uma altura de cerca de 30 metros. Ela morreu no local.
Para as autoridades, o grupo que oferecia os saltos "não detinha nenhum padrão ou protocolo de gerenciamento dos riscos da operação que praticava".
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"No momento em que eu vi as notícias, eu falei: 'nossa, poderia ter sido eu'", afirmou Ratochinski.
O farmacêutico calcula que pelo menos outras 40 pessoas saltaram no mesmo dia, só na parte da manhã. Ele afirma que não assinou nenhum termo de responsabilidade, nem recebeu alerta sobre os riscos. Leia também: Os desafios de Lula no G7 para não ficar escanteado em meio ao foco em crises
Mesmo assim, diz, a atividade parecia confiável quando ele chegou à ponte. "Eu vi que o pessoal estava uniformizado, as equipes informaram que havia bombeiros lá. Tinha todo um equipamento. Quando colocaram o equipamento em mim, parecia de qualidade, na minha visão. Senti uma segurança a partir desse momento."
A única conferência feita pelos instrutores, segundo ele, era se a pessoa realmente havia agendado o salto: o cliente se identificava e recebia uma senha.
Por medo, Ratochinski decidiu checar o próprio equipamento. "No momento do salto é quando a gente fica com mais medo, mais adrenalina. Eu estava muito inseguro, então fiz a dupla checagem com as outras pessoas— vi se o cinto e a corda estavam bem presos. Me deu muito medo, mas, ao mesmo tempo, a equipe me passou segurança na hora."
Ele também estranhou o ritmo. Entre um salto e outro, diz, o intervalo era curto: havia uma primeira chamada para colocar o equipamento, depois o cliente voltava para o fim da fila e então saltava.
"Eram muitas pessoas saltando ali. Provavelmente eles já estavam fazendo isso o dia inteiro. Eu não vi um procedimento de dupla checagem, que seria importante nesse momento."

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