Com a segunda troca de comando em um ano, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é, possivelmente, o órgão cuja gestão é a mais desastrosa neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —não considerando na lista empresas estatais como os Correios.
A tornar o caso mais grave, o INSS é uma estrutura gigantesca do Executivo federal e responsável direto pela maior rubrica não financeira do Orçamento: o pagamento de benefícios previdenciários do regime geral, estimado em R$ 1,124 trilhão neste ano.
Leia no AINotícia: Flávio Bolsonaro admite encontro com banqueiro após prisão
Nesse oceano de dinheiro público ocorreu a fraude que, em abril de 2025, resultou na demissão de Alessandro Stefanutto da chefia do instituto. Por meio de acordos com o órgão, sindicatos e outras entidades há anos faziam a seu favor descontos não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas, o que forçou o governo a fazer ressarcimentos de R$ 3,3 bilhões. Leia também: Panorama da Política: Acordos Internacionais, Mudanças na LDO e Declarações Presidenciais
Se é fato que a roubalheira vinha de administrações anteriores, foi sob Lula que ela atingiu seus maiores montantes, em meio a sinais evidentes de, na melhor das hipóteses, negligência.
O escândalo acabou ofuscado por outro, o do Banco Master, e a CPI criada para investigá-lo foi encerrada sem conseguir aprovar um relatório final. Entretanto, o crime continua sob a mira da Polícia Federal, as perdas para os cofres do Tesouro estão por serem cobradas das entidades responsáveis e até os nomes de um filho e de um irmão do presidente da República surgiram na apuração.
Mesmo assim, a administração petista achou que era hora, em ano eleitoral, de dar alguma satisfação pública sobre outro descalabro no INSS: a fila crescente de pedidos de benefício pendentes de decisão, pretexto para a demissão de Gilberto Waller Júnior na segunda-feira (13).
O problema é real —a fila tinha 1,2 milhão de requerimentos pendentes no início de Lula 3 e atingiu pico de 3,1 milhões em fevereiro deste ano, tendo caído a 2,8 milhões em março. Já as motivações das autoridades são nebulosas. Mais de politica
O demitido culpou a pasta da Previdência Social, à qual o instituto é vinculado, pelo aumento da fila, devido a atrasos em perícias médicas. O ministério é um feudo do aliado PDT, que perdeu o comando do INSS com a saída do correligionário Stefanutto, preso em novembro pela PF.
Parte do aumento da fila se deve às orientações do governo no sentido de priorizar revisões de benefícios e apurações de irregularidades, em detrimento da análise de pedidos. Não parece coincidência que tal escolha contribua para conter a alta dos gastos e do déficit do INSS —impulsionada pela política insustentável de reajustes dos benefícios acima da inflação retomada por Lula. Leia também: Ex-presidente do INSS acusado de fraude dos descontos previdenciários reforça
Tal política sobrecarrega um regime de aposentadorias já pressionado pelo envelhecimento da população, acelera a dívida pública e encurta o prazo até uma nova reforma previdenciária, outra preocupação que o petista prefere deixar para seus sucessores.
Tópicos relacionados
Leia tudo sobre o tema e siga:
- aposentadoria
- Banco Master
- editoriais
- inss
- Lula
- PDT
- Polícia Federal
- previdência social
- PT
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Ministro rebate crítica de Luciano Huck sem citá-lo e diz que 5,1 milhõesPolitica · 6h atrás
- Trump fez elogio a Lula em encontro com Flávio Bolsonaro na Casa BrancaPolitica · 6h atrás
- Oposição convoca ministro de Minas e Energia para esclarecer sobre leilãoPolitica · 9h atrás
- Flávio Bolsonaro se reúne com autoridades dos EUA e pede designação de facções como terroristasPolitica · 1h atrás

