
Crédito, Arquivo pessoal
- Author, Julia Braun
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 5 horas
- Tempo de leitura: 5 min
A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão teve que explicar para o filho Caetano, de 6 anos, que ele não seria separado de sua família após um colega de escola ameaçar chamar a polícia para deportar seus pais da Alemanha.
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Maranhão mora há 3 anos e meio em Potsdam, no leste do país, com o filho e o marido, o ex-judoca Luciano Corrêa.
Caetano está no 1º ano da escola primária e, no último sábado (09/05), confessou à mãe que havia sofrido um ataque xenofóbico no dia anterior.
"Ele me contou que um colega da escola tinha chegado para ele e dito que iria chamar a polícia para mandar o pai e a mãe dele de volta para o país deles", relata Maranhão. Leia também: Gravação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro impulsiona Caiado e Zema, mas não
Segundo ela, o filho ficou muito assustado ao ouvir isso, pois imaginou um cenário de deportação, em que seria separado dos pais.
"Ele não tem noção de imigração, fronteira e política", disse a ex-nadadora pernambucana em entrevista à BBC News Brasil. "Não é para ser uma realidade na vida de uma criança de 6 anos."
Joanna levou o caso para a escola, que prometeu abordar o assunto com os alunos e implementar mais políticas antirracismo.
"O Caetano não se parece fisicamente com a média do alemão, né? O meu marido é um homem negro e eu sou uma pessoa parda", diz ela, afirmando se tratar não apenas de um caso de xenofobia, mas racismo também.

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A professora responsável pela turma também teria confirmado que o pai do colega que proferiu os insultos apresentava uma forte postura anti-imigração e seria apoiador do partido AfD (Alternativa para a Alemanha, em português). Leia também: Os argumentos da Anvisa para manter a suspensão de produtos da Ypê
A legenda foi classificada como organização de "extrema direita" pelo Departamento Federal de Proteção da Constituição do país, o Verfassungsschutz, no ano passado. Em relatório, o órgão observou que a AfD não considera pessoas com "origens migratórias de países predominantemente muçulmanos" como membros da sociedade alemã com mesmo valor que os demais.
"É muito duro esse tipo de coisa", disse Joanna. "Não acho muito cruel somente com Caetano, eu acho cruel com essa criança também, né? Criança é um jardinzinho em que a gente pode plantar muita coisa, inclusive erva daninha."
A ex-nadadora afirma acreditar que a escola é o melhor lugar para a transformação de uma criança influenciada pelo preconceito dos pais.
"A escola é o ambiente que pode salvar e resgatar essa criança de não se tornar um pequeno nazista", disse.
Mas Joanna admite ainda estar preocupada com o bem-estar e as interações futuras de Caetano com o colega envolvido. "Eles vão estar se vendo todos os dias, será que vai acontecer de novo? Será que a professora vai conseguir evitar que isso aconteça?", diz sobre os pensamentos que não consegue abandonar.
'Eu não estava preparada para ter essa conversa com ele'
'Não foi a primeira vez'
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