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Ler matéria →EUA Revivem Doutrina Monroe com Declaração de Domínio nas Américas
Os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, anunciaram um retorno explícito à Doutrina Monroe, política centenária que estabelece a primazia americana no Hemisfério Ocidental. A afirmação veio em um vídeo divulgado pelo Departamento de Estado na última terça-feira (11), declarando que o domínio do país em toda a América "nunca mais será questionado". Esta movimentação contrasta diretamente com declarações feitas há 13 anos, quando o então Secretário de Estado, John Kerry, em nome do governo Barack Obama, decretou o fim da mesma doutrina.
A publicação resgata a essência da Doutrina Monroe, criada há mais de dois séculos, que fundamentalmente interpretava a máxima "América para os americanos" como um impedimento à intervenção de potências estrangeiras nos assuntos do continente, e que, na prática, foi frequentemente utilizada como justificativa para a influência e intervenção dos EUA na América Latina. O vídeo atual não apenas relembra o histórico da política, mas também a exalta como um pilar da política externa americana.
Contraste Histórico: De "Fim da Era" a "Domínio Inquestionável"
Em 2013, em um discurso durante uma cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA), John Kerry marcou um ponto de virada, anunciando: "A era da Doutrina Monroe acabou". Naquela ocasião, ele defendia uma nova relação com os países latino-americanos, baseada na igualdade, cooperação em segurança e em decisões conjuntas, distanciando-se de doutrinas unilaterais herdadas da Guerra Fria e da Guerra Fria. A intenção declarada era forjar um relacionamento onde os países das Américas se vissem como parceiros, e não como nações sob a égide de uma doutrina hegemônica.
Treze anos depois, a perspectiva muda drasticamente. O vídeo do Departamento de Estado cita a recente operação de captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro, como o mais recente exemplo da aplicação da Doutrina Monroe. Segundo a gravação, a ação enviou um "forte sinal a todo o hemisfério", reforçando a capacidade e a intenção dos EUA de agir no continente. Leia também: Discord: ANPD Suspende Transmissões Ao Vivo Após Suicídio Induzido de Adolescente
A Doutrina Monroe em Ação e as Implicações para a América Latina
Nicolás Maduro foi detido e levado para o território norte-americano para responder a acusações de narcoterrorismo, estando atualmente preso em Nova York. A divulgação dessa operação como demonstração da doutrina sugere uma política ativa de intervenção e imposição de sua vontade no cenário regional.
O resgate da Doutrina Monroe já havia sido sinalizado no final de 2025, em um documento que delineava a política externa do governo Trump. Naquele momento, especialistas antecipavam uma expansão das operações americanas na América Latina e um movimento em direção ao protecionismo no Ocidente, visando contrabalançar a influência de China e Rússia. O atual vídeo e a citação da captura de Maduro parecem confirmar e intensificar essa projeção.
O apoio recente de Trump a figuras políticas na direita latino-americana, como aliados de Javier Milei na Argentina em 2025 e Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia neste ano, também corrobora a narrativa de uma reaproximação e alinhamento com governos de espectro conservador, possivelmente facilitado pela reafirmação de um domínio americano.
O que se sabe até agora
- Os Estados Unidos, sob o governo Trump, divulgaram um vídeo reafirmando a Doutrina Monroe.
- O Departamento de Estado declarou que o "domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".
- Em 2013, o então Secretário de Estado John Kerry (governo Obama) havia decretado o "fim da era da Doutrina Monroe".
- A captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro é citada como exemplo recente da aplicação da doutrina.
- A Doutrina Monroe, criada no século XIX, defendia a hegemonia americana sobre as Américas contra interferências europeias.
Perguntas frequentes
O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe é um princípio da política externa dos Estados Unidos, formulado em 1823 pelo então presidente James Monroe. Sua essência era a oposição a qualquer nova colonização ou intervenção de potências europeias nas Américas. Com o tempo, passou a ser interpretada como uma justificativa para a influência e intervenção dos EUA na região. Mais de noticia
Por que os EUA estão resgatando a Doutrina Monroe agora?
A reafirmação da Doutrina Monroe ocorre em um contexto de reconfiguração geopolítica global, com o objetivo aparente de consolidar a influência americana na América Latina, possivelmente em resposta ao crescente protagonismo de outras potências como China e Rússia na região, e para apoiar governos alinhados com a agenda conservadora.
Qual a relação entre a Doutrina Monroe e a captura de Nicolás Maduro?
O Departamento de Estado dos EUA citou a operação que levou à captura de Nicolás Maduro como um exemplo moderno da aplicação da Doutrina Monroe, demonstrando a disposição americana em intervir em questões políticas e de segurança no continente, enviando uma mensagem de força e alcance de sua influência. Leia também: Jovens e web: Felicidade e excesso levam 71% a cobrar mudanças.
A reintrodução da Doutrina Monroe pelos Estados Unidos representa um retorno a uma política externa que historicamente gerou intensos debates e controvérsias na América Latina. O novo cenário, marcado por tensões geopolíticas globais e pelo apoio a alinhamentos políticos específicos na região, indica um período de redefinição nas relações entre Washington e seus vizinhos continentais.
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