Por que classificar PCC e CV como terroristas pode fortalecer facções
Ler matéria →EUA oficializam classificação do PCC e CV como terroristas: a linha do tempo da decisão

Crédito, Getty Images
- Author, Leandro Prazeres
- Role, Enviado especial da BBC News Brasil aos EUA
- Published Há 5 horas
- Tempo de leitura: 8 min
O governo dos Estados Unidos oficializou nesta sexta-feira (5/6) a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
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A decisão, que já havia sido anunciada em 28 de maio, foi publicada nesta sexta no Federal Register, o Diário Oficial americano. O documento é assinado por Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Outra decisão publicada no Federal Register nesta sexta-feira e também assinada por Rubio possibilita que pessoas ligadas ao PCC e CV tenham bens e ativos que estejam sob jurisdição dos EUA congelados sem aviso prévio.
Também proíbe transações financeiras entre pessoas ou empresas americanas e essas organizações e prevê sanções contra indivíduos ou entidades que forneçam apoio material, financeiro ou logístico a esses grupos. Leia também: Por que classificar PCC e CV como terroristas pode fortalecer facções
A designação de CV e PCC como entidades terroristas internacionais pelo Departamento de Estado norte-americano marcou a maior derrota do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua relação com o governo do presidente Donald Trump desde a imposição do tarifaço, em 2025.
Foi uma batalha que demorou mais de um ano, com idas e vindas de lado a lado e que, neste momento, parece ter sido vencida pelo grupo político agora liderado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O governo brasileiro era contra a medida. O principal argumento era de que ela poderia colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares norte-americanas sob o pretexto de combate ao terrorismo.
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Do outro lado, o grupo liderado por Flávio Bolsonaro vinha defendendo publicamente a medida há mais de um ano apontando a posição contrária do governo Lula à designação como uma suposta demonstração de conivência da administração petista com o crime organizado.
A decisão anunciada ao fim de maio veio, aliás, um dia depois de Flávio Bolsonaro ter encerrado uma viagem para Washington, onde se encontrou com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio.
O governo brasileiro nunca havia considerado o assunto totalmente superado dentro da administração Trump dado o que assessores de Lula classificam como imprevisibilidade do presidente norte-americano. Leia também: Preços dos ingressos da Copa estão em queda — a Fifa está tentando se livrar
Apesar disso, a BBC News Brasil apurou que a decisão dos EUA pegou de surpresa até mesmo diplomatas que acompanhavam parte das conversas entre os dois países sobre o assunto.
Durante sua passagem pelos Estados Unidos, Flávio disse ter defendido, para toda a equipe de Trump, que o país tomasse a medida contra as organizações criminosas brasileiras— ao contrário do novo tarifaço de 25% proposto pelos EUA para produtos brasileiros nesta semana, que o senador diz ter pedido a Trump, Vance e Rubio que não fosse aplicado.
Antes da viagem de Flávio, interlocutores do presidente Lula afirmavam, em caráter reservado, que o governo interpretaria um anúncio da administração Trump considerado negativo como uma possível ingerência no processo eleitoral do Brasil e que o governo responderia a exemplo do que aconteceu durante o tarifaço em 2025.
Após a decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas, Lula se manifestou publicamente sobre o tema.
"Quer combater o crime organizado? Entregue os nossos que tão lá nos EUA. Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", diss e o presidente.

Resposta brasileira

Cronologia da derrota
Maio de 2025
Julho de 2025
Março de 2026
Maio de 2026
Junho de 2026
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