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Crédito, Congregação das Irmãs de São José da Paz
- Author, Lebo Diseko
- Role, Repórter de Religião do serviço global da BBC
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 7 min
A irmã Susan Francois talvez não corresponda à imagem que muita gente faz de uma freira católica.
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Ela não usa hábito, a veste tradicional composta por túnica e véu. E também é ativa na rede social TikTok. Seu perfil reúne vídeos gravados em frente a um centro de detenção de imigrantes em Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde defende migrantes e suas famílias.
Ela e outras freiras da Congregação das Irmãs de São José da Paz, que reúne 88 religiosas nos EUA e no Reino Unido, praticam o chamado ativismo acionário. Como acionistas, usam sua participação em empresas para pressionar grandes corporações a adotar medidas relacionadas a temas como mudanças climáticas, direitos territoriais dos povos indígenas e justiça racial.

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Em um caso recente, elas tentaram convencer o conselho de administração da gigante de tecnologia Palantir (empresa de análise de dados que atua, por exemplo, como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA) a responder às suas preocupações. As freiras acreditavam que o software de inteligência artificial (IA) da empresa estava sendo usado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e por outros órgãos públicos para "rastrear e identificar imigrantes para detenção e deportação".
Segundo elas, isso poderia representar uma violação dos direitos humanos.
Mais especificamente, as religiosas queriam que a Palantir realizasse uma Avaliação de Impacto sobre Direitos Humanos (HRIA, na sigla em inglês) para analisar como seus produtos e serviços são utilizados e reduzir possíveis impactos negativos.
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Para isso, recorreram ao chamado shareholder resolution (proposta apresentada por acionistas para deliberação em assembleia), um mecanismo que permite aos acionistas submeter propostas à votação na assembleia geral anual da empresa.
A proposta recebeu apenas 13% dos votos, mas a irmã Francois considera o resultado uma vitória, argumentando que os fundadores da companhia controlam 49,9% das ações com direito a voto.
"Do [total] de votos de acionistas que não fazem parte do grupo controlador, 56% votaram a favor da proposta das irmãs", afirma. "O fato de tantos acionistas terem concordado conosco diz muito." Leia também: 50 mulheres dizem à BBC terem sido forçadas a fazer sexo com estranhos
A BBC procurou a Palantir para comentar o caso, mas a empresa não respondeu.
Mas em um comunicado anterior aos acionistas, a companhia afirmou que a iniciativa das freiras se baseava em "equívocos e informações incorretas sobre o trabalho da Palantir". A empresa também disse que não é uma companhia de dados, não vende dados pessoais nem oferece serviços de mineração de dados.

Crédito, Getty Images
A votação ocorreu menos de duas semanas depois de o papa Leão 14 divulgar, em maio, sua primeira grande encíclica— Magnifica Humanitas ou "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português —, na qual alertou que a IA precisa ser "desarmada" para não "dominar a humanidade".
O pontífice defendeu que a IA deve ser colocada a serviço do "bem comum" e que a dignidade humana precisa ser preservada.



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