← Mundo
Mundo

'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam

'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam as companhias de Big Tech Crédito, Congregação das Irmãs de São José da Paz Legenda da foto, A

'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam as
'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam as companhias de Big Tech
Freiras estão sentadas lado a lado, vestindo roupas comuns e sorrindo para uma câmera posicionada ao lado. A religiosa mais próxima da câmera usa um pequeno crucifixo prateado no pescoço. Ao fundo, outras freiras aparecem sentadas com hábitos tradicionais, mas seus rostos não são visíveis

Crédito, Congregação das Irmãs de São José da Paz

Legenda da foto, A irmã Susan Francois faz parte da Congregação das Irmãs de São José da Paz, que reúne 88 freiras nos Estados Unidos e no Reino Unido e pratica o chamado ativismo acionário
Article Information
    • Author, Lebo Diseko
    • Role, Repórter de Religião do serviço global da BBC
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

A irmã Susan Francois talvez não corresponda à imagem que muita gente faz de uma freira católica.

Leia no AINotícia: Mundo: o que movimentou a semana

Ela não usa hábito, a veste tradicional composta por túnica e véu. E também é ativa na rede social TikTok. Seu perfil reúne vídeos gravados em frente a um centro de detenção de imigrantes em Nova Jersey, nos Estados Unidos, onde defende migrantes e suas famílias.

Ela e outras freiras da Congregação das Irmãs de São José da Paz, que reúne 88 religiosas nos EUA e no Reino Unido, praticam o chamado ativismo acionário. Como acionistas, usam sua participação em empresas para pressionar grandes corporações a adotar medidas relacionadas a temas como mudanças climáticas, direitos territoriais dos povos indígenas e justiça racial.

Legenda da foto, A encíclica Magnifica Humanitas (ou, "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português), do papa Leão 14, trata dos desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial

Em um caso recente, elas tentaram convencer o conselho de administração da gigante de tecnologia Palantir (empresa de análise de dados que atua, por exemplo, como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA) a responder às suas preocupações. As freiras acreditavam que o software de inteligência artificial (IA) da empresa estava sendo usado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) e por outros órgãos públicos para "rastrear e identificar imigrantes para detenção e deportação".

Segundo elas, isso poderia representar uma violação dos direitos humanos.

Mais especificamente, as religiosas queriam que a Palantir realizasse uma Avaliação de Impacto sobre Direitos Humanos (HRIA, na sigla em inglês) para analisar como seus produtos e serviços são utilizados e reduzir possíveis impactos negativos.

Para isso, recorreram ao chamado shareholder resolution (proposta apresentada por acionistas para deliberação em assembleia), um mecanismo que permite aos acionistas submeter propostas à votação na assembleia geral anual da empresa.

A proposta recebeu apenas 13% dos votos, mas a irmã Francois considera o resultado uma vitória, argumentando que os fundadores da companhia controlam 49,9% das ações com direito a voto.

"Do [total] de votos de acionistas que não fazem parte do grupo controlador, 56% votaram a favor da proposta das irmãs", afirma. "O fato de tantos acionistas terem concordado conosco diz muito." Leia também: 50 mulheres dizem à BBC terem sido forçadas a fazer sexo com estranhos

A BBC procurou a Palantir para comentar o caso, mas a empresa não respondeu.

Mas em um comunicado anterior aos acionistas, a companhia afirmou que a iniciativa das freiras se baseava em "equívocos e informações incorretas sobre o trabalho da Palantir". A empresa também disse que não é uma companhia de dados, não vende dados pessoais nem oferece serviços de mineração de dados.

Manifestantes protestam contra as ações do ICE durante ato no Estado do Maine

Crédito, Getty Images

A votação ocorreu menos de duas semanas depois de o papa Leão 14 divulgar, em maio, sua primeira grande encíclica— Magnifica Humanitas ou "Magnífica Humanidade", na tradução do latim para o português —, na qual alertou que a IA precisa ser "desarmada" para não "dominar a humanidade".

O pontífice defendeu que a IA deve ser colocada a serviço do "bem comum" e que a dignidade humana precisa ser preservada.

Imagem do logotipo da Palantir sobre um fundo em tons de preto e azul
Legenda da foto, A participação acionária das freiras na Palantir permitiu que elas apresentassem formalmente questionamentos sobre as práticas da empresa
A irmã Susan, de casaco vermelho e óculos, discursa em um púlpito coberto por um tecido verde, com uma pasta azul à sua frente. Ao fundo, uma pessoa idosa aparece sentada, olhando para um material de leitura
Legenda da foto, A irmã Francois acredita que fazer questionamentos públicos sobre a conduta de grandes empresas pode ser suficiente para provocar mudanças
Um grupo de mulheres posa lado a lado sobre um gramado, em um jardim ensolarado. Todas sorriem e levantam os braços para o alto
Legenda da foto, A irmã Francois acredita que ela e as demais freiras não defendem uma causa política, mas a criação de Deus
4 pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes
Mundo

4 pesquisas científicas que pareciam absurdas, mas tiveram resultados brilhantes

Ler matéria →

Leia também