
Crédito, Getty Images
- Author, Iara Diniz
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 42 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
O encontro do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca é interpretado por especialistas em relações internacionais como um gesto político relevante em meio à disputa eleitoral brasileira de 2026 — mas com efeito limitado sobre o eleitorado, principalmente de centro.
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Embora analistas ouvidos pela BBC News Brasil considerem improvável que a agenda seja suficiente para reverter a crise enfrentada pela pré-campanha do senador nas últimas semanas, eles avaliam que a foto de Flávio ao lado de Trump no Salão Oval tem forte peso ideológico e o fortalece dentro do campo conservador.
Pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial apontaram queda de Flávio nas simulações de primeiro e segundo turno após o site The Intercept Brasil revelar mensagens em que o senador pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.
Os especialistas também afirmam que o encontro na Casa Branca acende um alerta diplomático mais amplo: o de uma possível sinalização política de Trump em favor de um pré-candidato alinhado a ele — movimento que pode ser interpretado como uma possível influência americana sobre a eleição brasileira. Leia também: Por que Lula ou Flávio Bolsonaro podem vencer no 1º turno, segundo especialista
Trump e Flávio se reuniram nesta terça-feira (26/5), três semanas após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca. Diferentemente de Lula, porém, a reunião não apareceu na agenda oficial do governo americano e não houve detalhes públicos sobre seu formato.
Segundo o senador, seu encontro com Trump durou 1h40 e ele foi recebido com "enorme cordialidade" pelo presidente americano.
A duração exata do encontro, no entanto, não pôde ser averiguada e há dúvidas se houve, de fato, uma reunião formal ou apenas entrega de documentos e registro fotográfico.
Até a noite de terça, nem Trump nem a Casa Branca se manifestaram publicamente sobre a visita de Flávio Bolsonaro.
Independentemente disso, para Vinicius Rodrigues Vieira, professor de relações internacionais da FGV e da FAAP, o simples fato de Trump receber um pré-candidato já tem forte significado político. Mais de mundo
Ele afirma não se lembrar de outro caso recente em que um presidente americano tenha recebido um candidato brasileiro à Presidência.
"Se Trump aceitou encontrar alguém que é candidato à Presidência e do campo político da direita, é uma sinalização, no mínimo, de que ele prefere esse candidato. Como o eleitor vai entender isso é outra história", afirma.
Integrantes do staff de Flávio afirmam que o encontro foi articulado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está radicado nos Estados Unidos desde o ano passado e que mantém laços com integrantes da direita conservadora que dão apoio a Donald Trump. Leia também: Flávio Bolsonaro diz ter pedido a Trump que classifique PCC e CV como

Crédito, Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
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Na avaliação de Regiane Bressan, professora de relações internacionais da Unifesp, o encontro tem muito peso ideológico, principalmente em ano eleitoral. Mas ela não acredita que isso seja suficiente para afastar o desgaste provocado pelas denúncias envolvendo Daniel Vorcaro.
"Essa visita é uma tentativa de Flávio Bolsonaro mostrar o quanto está alinhado aos EUA. A classe conservadora brasileira gosta bastante dessa ideia. Ele foi para angariar apoio", afirma.
'Red flag' para as eleições

Como fica Lula?

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