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Embaixadora brasileira poderá ficar em Washington, dizem EUA

O Governo dos Estados Unidos anunciou o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti

Embaixadora brasileira poderá ficar em Washington, dizem EUA

O Governo dos Estados Unidos anunciou o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A atitude, tomada pelo Departamento de Estado nesta terça-feira, 4, seria uma reação à demora na concessão do aval diplomático a Daniel Perez, indicado para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O governo estadunidense afirmou que a diplomata não foi expulsa, e explicou que ela pode permanecer no país enquanto o impasse diplomático não for superado, explicou um alto funcionário do Departamento de Estado durante uma entrevista coletiva por telefone com jornalistas.

Porém, ela não terá um visto válido. Caso o Brasil conceda o aval diplomático a Perez, o documento do indicado a embaixador americano poderá ser reestabelecido. A embaixadora brasileira em Washington ocupa o cargo desde 2023.

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" Isso não é o mesmo que expulsar a pessoa do país. Significa que ela pode permanecer aqui, mas sem visto, e que seu visto será restabelecido se a situação for normalizada e o agrément for concedido ao embaixador que escolhemos", afirmou.

" Se houver restrições para os diplomatas de uma das partes, elas serão aplicadas de forma recíproca. Dito isso, essa não é a situação que nos interessa", insistiu a fonte diplomática, sob condição de anonimato.

O diplomata foi indicado à função em junho e recebeu o aval de uma comissão do Senado americano em julho. Apesar de ser chancelado pela comissão da Câmara Alta, Perez ainda precisa ser aprovado pelo Plenário. A confirmação dele pelo Senado foi adiada devido à falta desse "agrément", autorização concedida pelos governos anfitriões antes de receber um embaixador. Leia também: Greve CPTM Linhas 11, 12 e 13 é mantida

A fonte diplomática explicou aos jornalistas que o governo Trump concluiu que esse aval do governo brasileiro "provavelmente será adiado para depois das eleições" presidenciais de outubro. " Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo.

Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas", comentou o governo dos EUA. Fontes do Itamaraty já esperavam que o governo brasileiro sofresse retaliações, após negar vistos a dois diplomatas do Departamento do Estado, que iriam ao Brasil. Os embaixadores eram o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

O governo brasileiro repudiou a ação dos EUA e afirmou que as justificativas são "falsas". " A decisão de hoje não é um fato isolado.

Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo", diz comunicado do Itamaraty. O texto diz ainda que "fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente". A nota cita justamente dos dois embaixadores.

" Os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram seus vistos de entrada no Brasil negados planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional", alega o Brasil. De acordo com os EUA, o objetivo da visita era debater "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades brasileiras e membros da sociedade civil. Mais de noticia

Novas restrições de vistos são temidas pelo Itamaraty. A decisão diplomática, que dificulta ainda mais as já tensas relações entre os dois países, ocorre após vários incidentes registrados nos últimos meses. Em março, um alto funcionário americano que participaria de uma conferência sobre minerais críticos no Brasil teve o visto negado, explicou a fonte.

Em 25 de julho, Brasília voltou a negar vistos a dois funcionários americanos que pretendiam se reunir com autoridades eleitorais a menos de três meses das eleições presidenciais, por "risco de instrumentalização política". Segundo uma fonte diplomática brasileira, esses funcionários pretendiam discutir com diferentes interlocutores questões relacionadas à "liberdade de expressão no contexto das eleições". As eleições de outubro prometem ser acirradas e colocam frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso. Leia também: Ariana Grande Anuncia Pausa na Carreira Após Intenso Escrutínio Público

Flávio Bolsonaro esteve várias vezes nos Estados Unidos e foi recebido, em caráter privado, pelo próprio Trump no Salão Oval da Casa Branca. Em meio à onda de vitórias conservadoras em toda a América Latina, as eleições brasileiras ganham um significado especial na disputa diplomática entre as duas maiores potências do continente. Neste mês, o governo Trump impôs duas rodadas de tarifas comerciais sobre produtos brasileiros, que se somaram a outras sanções contra a maior economia da América do Sul adotadas por Washington desde o ano passado.

" Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito", alertou Lula recentemente durante uma convenção do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. "

Atribuímos grande importância à relação com o Brasil. Respeitamos o povo brasileiro e qualquer governo que ele escolha livremente por meio de eleições livres e justas", enfatizou a fonte do Departamento de Estado. As ações brasileiras não poderiam ficar sem resposta, assegurou a fonte, mas o objetivo é recolocar as relações diplomáticas nos trilhos.

A embaixadora Ribeiro Viotti participou, em 22 de julho, de um evento sobre investimentos americanos na América Latina organizado por um centro de estudos em Washington, constatou a AFP. Lula foi recebido por Trump na Casa Branca em 7 de maio, e ambos manifestaram o desejo de reduzir as tensões bilaterais. No entanto, o governo Trump mantém uma política comercial agressiva que vai além do Brasil e até mesmo da América Latina, utilizando as tarifas como instrumento de negociação.

Trump também considera que sua influência política beneficia seus aliados na região e, embora preserve as formalidades diplomáticas, busca apoiar abertamente candidatos conservadores alinhados a ele em diferentes países. Lula se opõe à agenda de supremacia defendida por Trump e critica abertamente seu desejo de promover uma nova mudança de regime em Cuba, como ocorreu na Venezuela.

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