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Ler matéria →Giovane culpa transição acelerada por vexames recentes do vôlei masculino e pede volta do 'velho Bernardinho' Em entrevista ao Terra, bicampeão olímpico analisou difícil momento da Seleção de vôlei e falou sobre sua carreira em palestras corporativas Giovane Gávio foi um dos jogadores que levaram o torcedor brasileiro a se acostumar com as maiores glórias do vôlei.
Depois de conquistar praticamente tudo com que um atleta pode sonhar -dois ouros olímpicos, um título mundial e o reconhecimento como melhor jogador do planeta-, ele passou a ocupar um papel diferente no esporte brasileiro, primeiro como técnico e agora como palestrante.- Você já nos segue nas redes sociais? O Terra Esportes está presente no Tiktok, no Youtube e no Instagram.
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Tudo para te manter informado de um jeito diferente e divertido. Siga nosso perfil, curta e ! Aos 55 anos, o bicampeão olímpico observa o momento de reconstrução do vôlei masculino com o olhar de quem viveu algumas das gerações mais vitoriosas da modalidade, ao mesmo tempo em que transforma essas experiências em palestras sobre liderança, gestão de equipes e alta performance.
Nos últimos três anos, a equipe de Bernardinho, tão acostumado com as glórias, passou a acumular recordes negativos. Primeiro, a inédita derrota para a Argentina no Sul-Americano, em 2023. No ano seguinte, na Olimpíada de Paris, a seleção masculina ficou fora da semifinal pela primeira vez no século.
Em 2025, nova decepção, com o 17º lugar no Mundial, a pior posição do País na história da competição. E, nesta temporada, veio um novo baque ao ficar fora da fase final da Liga das Nações –foi apenas a segunda vez em 40 anos que isso aconteceu. Em entrevista exclusiva ao Terra, Giovane afirmou que, o desempenho recente do Brasil na modalidade não pode ser explicado apenas pelos resultados. Leia também: Esportes em família fortalecem a mente e o corpo, atesta novo estudo
Na avaliação do bicampeão olímpico, a renovação aconteceu de maneira diferente daquela vivida por sua geração, quando os jovens eram inseridos aos poucos em grupos formados por jogadores experientes. " Acho que esses jovens não tiveram, ainda, o tempo de maturação, ainda não jogaram em um nível no qual eles precisam jogar por mais tempo para poder conseguir tomar boas decisões.
Talvez a gente não tenha feito esse processo de renovação com eles da forma como poderíamos ter feito, talvez eles tivessem que ter jogado mais para chegar lá na seleção", afirma. Ao mesmo tempo, Giovane faz um alerta contra análises simplistas. Para ele, o voleibol internacional evoluiu, reduziu a distância entre as principais seleções e tornou o cenário muito mais competitivo do que nas décadas em que o Brasil dominava a modalidade.
" O mundo todo melhorou. Hoje, o nível é mais equilibrado lá fora.
Recentemente, a gente viu um jogo das últimas rodadas da VNL (Liga das Nações de Vôlei), Polônia e Estados Unidos. Poxa, os Estados Unidos têm um dos melhores levantadores do mundo, um dos melhores atacantes, e perdeu de 3 a 0. Será que eles estão recebendo essa carga negativa que a gente está colocando em cima da seleção brasileira?
", questiona. Na opinião de Giovane, a análise sobre o atual cenário do vôlei brasileiro precisa considerar, também, um contexto diferente daquele vivido pelos campeões olímpicos de Barcelona-1992 e Atenas-2004: além da evolução técnica dos adversários, a presença das redes sociais ampliou a cobrança sobre jogadores e comissão técnica. " Mais de saude
Hoje, a torcida é muito mais ativa, mais presente. É óbvio que o passado da seleção é um passado de glórias, conquistas com jogadores fantásticos e isso, de certa forma, gera uma expectativa gigante em relação a resultados", acrescenta. Liderança de Bernardinho
As reflexões sobre a seleção brasileira esbarraram, naturalmente, no episódio ocorrido durante a Liga das Nações, quando o líbero Maique Reis respondeu 'relaxa, é minha' durante uma discussão com o técnico Bernardinho, no duelo contra a Ucrânia. Na ocasião, o Brasil perdeu por 3 sets a 1. O vídeo viralizou e gerou debates nas redes sociais, dividindo opiniões entre os torcedores.
Giovane vê a discussão como algo que vai além de um momento isolado e diz respeito à forma como a liderança é exercida dentro de equipes de alta performance. "É o tipo de atitude que para mim está fora. Eu não acho que esteja certo, para mim é falta de respeito com um dos caras mais importantes do vôlei brasileiro. Leia também: 3 minutos deste tipo de atividade física cortam o risco de 12 tipos de câncer
Não é um ataque ao Maique e eu estou aqui fora, é muito mais fácil falar, lá dentro não é simples, mas são tipos de atitude que, para mim, não cabem", afirma. O bicampeão olímpico afirma ainda que gostaria de ver Bernardinho resgatar características que marcaram sua trajetória nas gerações vencedoras. Na visão dele, o treinador continua sendo uma referência técnica e humana para o esporte brasileiro.
" A única coisa que eu falaria para o Bernardo é: 'Faz o que você fez com a gente'. Não sei se o momento permite ele fazer o que fez com a gente, não que tenha feito algo de errado com a gente, pelo contrário.
É um cara extraordinário. A gente precisa de bons líderes. Ele e Zé Roberto (Guimarães), são caras diferenciados.
Mas talvez o Bernardinho esteja mudando um pouco as características dele, que eu acho que são importantíssimas e, poxa, faziam uma diferença enorme para a gente. ” Das quadras aos palcos
Essa capacidade de enxergar o esporte além do placar passou a definir, também, a rotina de Giovane fora das quadras. Desde 2021, ele constrói uma nova carreira como palestrante, compartilhando com as empresas as lições acumuladas em mais de quatro décadas no alto rendimento. A mudança nasceu depois de uma conversa que mudou sua forma de enxergar o próprio legado.
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